Gustavo Finck descarta privatização da Comusa e propõe debate sore reformulação da autarquia

O prefeito de Novo Hamburgo, Gustavo Finck (PP), garantiu que a privatização da Comusa – Serviços de Água e Esgoto não está nos planos do Executivo.

O tema ganhou repercussão após o reajuste tarifário de 25,52% e a publicação de um artigo do ex-prefeito e ex-diretor-geral da Comusa, Márcio Lüders, no portal ABCmais, no qual ele argumenta que a situação financeira da autarquia permitiria um fracionamento do aumento ao longo dos anos.

Água ficou 25,52% mais cara na cidade de Novo Hamburgo | abc+



Água ficou 25,52% mais cara na cidade de Novo Hamburgo

Foto: Divulgação

Estudo sobre a gestão da autarquia

Diante das discussões, Finck solicitou ao Conselho Deliberativo da Comusa um estudo aprofundado sobre o atual modelo de gestão da empresa. O prefeito reforçou que a principal preocupação é garantir o equilíbrio financeiro da autarquia e a qualidade dos serviços oferecidos à população. “Não há o que se comentar sobre privatização neste momento”, afirmou.

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Apresentação de despesas na Câmara

No último dia 12, o diretor-geral da Comusa, Paulo Kopschina, apresentou na Câmara de Vereadores um panorama das principais despesas mensais da autarquia. Segundo ele, em dezembro de 2023, a arrecadação foi de aproximadamente R$ 9 milhões, enquanto os custos chegaram a R$ 7,8 milhões, restando R$ 1,3 milhão para investimentos. “O aumento tarifário é necessário para garantir a universalização do tratamento de água e esgoto e cobrir investimentos já realizados ou planejados até 2033”, explicou Kopschina.

Dívida com a Corsan

O diretor-geral também destacou a necessidade de quitar uma dívida histórica com a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), que ultrapassa R$ 130 milhões e se acumula há mais de 25 anos. Segundo ele, a equipe da Comusa, à frente da gestão há pouco mais de 50 dias, está revisando contratos antigos e buscando reduzir custos operacionais para minimizar impactos sobre a população. “Estamos ajustando despesas sempre que possível para diminuir os custos da autarquia e, consequentemente, para os cofres públicos”, afirmou.

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Possível transformação em S.A.

Questionado pelos vereadores sobre a possibilidade de privatização, Kopschina negou a intenção de vender a Comusa, mas destacou que a proposta de reformulação inclui sua transformação em uma Sociedade Anônima (S.A.), permitindo a captação de recursos por meio da venda de ações.

“Isso não acontecerá de um dia para o outro, há um longo caminho a percorrer”, explicou. Segundo ele, o município precisa de novos investimentos, mas a venda total da autarquia está descartada. “Podemos vender uma parcela de ações para obter capital, mas isso dependerá do mercado. Nenhum investidor compraria ações de uma empresa deficitária, especialmente se houver previsão de prejuízo em 2025”, argumentou.

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Kopschina ressaltou que a prioridade é equilibrar financeiramente a Comusa antes de qualquer decisão. “Nosso primeiro compromisso é sanear as finanças da autarquia. Uma vez que a empresa esteja saudável, poderemos avaliar as possibilidades. Talvez nem seja necessário mudar nada e a gestão permaneça como está”, concluiu.

“Neste momento, com as dificuldades que enfrentamos, a privatização não está em discussão. Nosso foco é reestruturar a companhia”, finalizou Kopschina.

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