Evoé, Momo! O resto da reforma ministerial fica para depois

Em meados de dezembro de 2022, depois de eleito e antes de tomar posse, Lula disse a um amigo do peito que não convidaria Márcio Costa Macêdo, nem Paulo Teixeira, nem Paulo Pimenta para ministros do seu futuro governo. Convidou os três mais tarde.

Macêdo ainda é ministro-chefe da Secretaria-geral da Presidência da República, e Teixeira ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do Brasil. Pimenta foi ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, mas não é mais.

Acabou trocado pelo publicitário Sidônio Palmeira. Para que Pimenta saísse do governo “por sua livre e espontânea vontade”, Lula prometeu que jamais o deixaria ao relento. Pimenta e Teixeira são deputados federais do PT, e à Câmara poderiam retornar.

Teixeira seguirá ministro? Lula cumprirá a palavra de não deixar Pimenta ao relento? O que significa não deixar? Reaproveitá-lo em outro lugar? Ou empurrar qualquer decisão com a barriga e apoiar a candidatura de Pimenta ao governo do Rio Grande do Sul?

Só Lula sabe, e não conta. Nem Janja, a primeira-dama e sua cuidadora, sabe. É invenção essa história de que Lula compartilha com Janja todos os seus segredos políticos e de que concorda com tudo o que ela faz ou diz. Uma invenção dos seus desafetos.

Para dar sinal de que nenhum dos seus atuais ministros deve por ora sentir-se seguro no cargo, Lula autorizou Sidônio a montar sua equipe do jeito que quisesse. E a primeira peça dispensada por Sidônio fora indicada para o posto justamente por Janja.

Por razões compreensíveis, Janja é imexível, assim como Geraldo Alckmin (PSB), vice-presidente da República, e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Mas se Lula precisar do ministério de Alckmin, ele o terá.

Lula sempre teve dificuldade para demitir auxiliares que foram ou que se tornaram seus amigos. A dificuldade só aumentou com o avanço da idade. Ocorre que sua popularidade está em queda. Ocorre que seu desejo de se reeleger está em alta.

Uma coisa não combina com a outra. A reeleição de Lula corre perigo ao mesmo tempo em que a sucessão presidencial ganha celeridade. A eleição de 2026 dita todos os passos da direita e da esquerda, mas com uma diferença: a esquerda já tem candidato.

Lula está atrás de votos para governar e, se possível, de apoio antecipado à sua reeleição. Poderá atrair votos para governar, mas não é certo que atraia apoio desde já para se reeleger. É o seu dilema. E esse é o trunfo dos que ambicionam cargos.

Finalmente, começou a reforma ministerial que poderá ser ampla como se desenha ou pequena, a depender do apetite dos partidos por cargos e da disposição de Lula para atendê-los. Há 20 anos, a reforma foi pequena e frustrou os famintos.

Sai Nísia Trindade, ministra da Saúde. No seu lugar entra Alexandre Padilha, que já foi ministro da Saúde de Dilma.  Quem ocupará a vaga aberta por Padilha na Secretaria das Relações Institucionais? É a secretaria das emendas ao orçamento da União.

Ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos, o partido do governador Tarcísio de Freitas, de São Paulo) irá para a vaga de Padilha caso Lula ceda às pressões do Centrão. Lula parece apaixonado por ele.

Caso Lula não ceda, preferindo ceder às pressões do PT, para a vaga de Padilha irá José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara. Grande ou pequena, a reforma ministerial só deverá ser concluída depois do carnaval.

 

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