Inflação brasileira pode superar a da Argentina?

Recentemente, observou-se que a inflação mensal no Brasil atingiu 1,23% em fevereiro de 2025, enquanto na Argentina foi de 1,9% no mesmo período. Ao somar esse dado isoladamente com o cenário político, naturalmente surge a questão: a inflação brasileira pode superar a da Argentina?

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Historicamente, a Argentina tem enfrenta taxas de inflação significativamente mais altas que o Brasil. No entanto, medidas econômicas recentes implementadas pelo governo argentino resultaram em uma desaceleração da inflação no país.

Em janeiro de 2025, a inflação anual argentina caiu para 84,5%, uma redução notável em comparação aos 117,8% registrados em dezembro de 2024.

No Brasil, embora a inflação mensal tenha apresentado um aumento em fevereiro, a taxa anual permanece consideravelmente mais baixa em relação à Argentina. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou uma alta de 1,23% em fevereiro, a maior desde abril de 2022.

As projeções indicam que a inflação argentina continuará em trajetória de queda. O governo do presidente Javier Milei prevê que a inflação anual cairá para cerca de 18% até dezembro de 2025.

Essa redução é atribuída a políticas de austeridade fiscal e monetária. Incluindo cortes significativos nos gastos públicos e controle da emissão monetária.

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou ao Congresso que a inflação deverá continuar diminuindo ao longo de 2025, aproximando-se da meta do Banco Central de 3% até meados de 2026.

A inflação no Brasil vai superar a argentina?

Para Igor Lucena, economista CEO da Amero Consulting e Doutor em Relações Internacionais, isso é muito difícil de acontecer.

“Na Argentina, há um componente que eu não diria inflacionário, mas uma economia extremamente indexada. [Nela] os efeitos econômicos e a questão especulativa ainda impactam muito. Além disso, a economia argentina é muito mais dolarizada do que a brasileira, pois há um mercado paralelo forte”, explicou.

Além disso, Lucena também reforça que não há uma base sólida no Banco Central, o que torna essa possibilidade ainda mais improvável. “Por isso, não acredito que a inflação no Brasil possa superar a da Argentina. Acho isso muito, muito difícil”, avaliou.

No que tange ao PIB da Argentina, muitos acreditam que poderia haver um retorno à média, como discorre Daniel Kahneman sobre o tema. O país já foi um dos mais ricos, e a frase “rico como um argentino” já existiu em um contexto sem ironia.

Apesar disso, para o economista, um retorno da Argentina a essa época de ouro também é um cenário muito difícil de acontecer.

“Agora, se a gente estiver falando em uma economia que se recupera, uma economia emergente de acordo com os pares, a gente pode estar falando algo em torno entre 1% e 2,5% de crescimento de média. Podendo no cenário extremamente benéfico chegar a 3%, mais que isso as forças inflacionárias e a própria capacidade produtiva da Argentina não aguentam”, avaliou Lucena.

Contudo, ele também lembra que a Argentina está passando por um processo de reconsolidação da sua economia, desindexação, privatização. Isso torna ainda mais difícil.

“Se isso começar a ocorrer, a gente vai ver inicialmente o que o PIB com crescimento acima, superiores à média, durante algum tempo e depois volta para algo mais natural. Mas isso vai depender, assim, dos próximos anos do governo Mille, se ele concorda continuar avançando nas suas políticas”, explicou.

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