C&A superou de vez a Renner como uma das queridinhas do varejo? 4T indica que sim

As preferências do mercado para o setor de varejo de moda estão mudando? A temporada do quarto trimestre de 2024 (4T24) dá forte indicações de que sim.

A divulgação dos resultados da C&A Brasil (CEAB3) na noite da última quarta-feira (26) trouxe mais uma forte sinalização, tanto que as ações saltavam mais de 10% nesta quinta (27), ao mesmo tempo em que a Lojas Renner (LREN3) está ficando para trás na preferência de muitos analistas, principalmente após o 4T.

A C&A teve lucro líquido de R$ 254,9 milhões no quarto trimestre de 2024, uma alta de 59,8%, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) ajustado (pós-IFRS16) foi de R$ 593,4 milhões no quarto trimestre, alta de 12,7% no mesmo período do ano anterior. Às 13h10 (horário de Brasília), os ativos CEAB3 saltavam 12,18%, a R$ 10,04.

Para Danniela Eiger, Gustavo Senday e Laryssa Sumer, analistas da XP, a C&A reportou resultados do quarto trimestre melhores do que o esperado, com um sólido crescimento da receita e uma margem bruta que superou as expectativas, além de um Ebitda acima do previsto, mais uma vez apoiado pela implementação de iniciativas internas.

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Os analistas de mercado ressaltam o desempenho superior da C&A em comparação ao da Renner mais uma vez. As vendas líquidas consolidadas cresceram 11%, apoiadas por vendas mesmas lojas de mercadorias de +12,3% (vestuário em +14,4%, versus LREN3 em +8,9%), tanto pelo crescimento de volume quanto pela combinação de preço/mix, à medida que a empresa continuou a se beneficiar da implementação de iniciativas internas, como o Push&Pull (P&P), precificação dinâmica e o projeto de produtividade das lojas.

Os analistas notam que as vendas de Beleza (+74% ano a ano) ajudaram a compensar o processo de otimização de eletrônicos (70 quiosques fechados no Q4), aliviando o desempenho pressionado da Fashiontronics (-8%). Em relação ao C&A Pay, as vendas de serviços financeiros caíram 6% anualmente, refletindo uma concessão de crédito mais conservadora e o desempenho superior das lojas de consumidores de alta renda.

A rentabilidade também foi um destaque, com a margem bruta consolidada aumentando 1,70 ponto percentual (p.p.) ano a ano, com a margem de vestuário mantendo-se em um nível sólido (+0,10 p.p, para 56,6% contra 55,4% da marca Renner) e a Fashiontronics apresentando uma forte expansão (+9,2 p.p.) em produto/mix.

O JPMorgan ressalta que os números principais da C&A ficaram acima do consenso, mostrando expansão da lucratividade em uma base anual. Notavelmente, as vendas nas mesmas lojas (SSS) de vestuário ficou em cerca de 14% anualmente no 4T24 e cerca de 16% no 2024, em comparação com 9% e 8% da Renner. Porém, os analistas ressaltam que os números não são comparáveis, pois os números da Renner foram ajudados pela consolidação da Argentina, que provavelmente impulsionou o SSS e o crescimento do 4T24 em 100-200 pontos-base (bps).

“Portanto, isso indica que a Lojas Renner continua a perder participação de mercado ao considerar um grupo de controle de seus principais concorrentes, C&A e Riachuelo (GUAR3)”, avalia o JPMorgan, ressaltando ainda que os pares da Renner têm se tornado mais competitivos e ágeis.

“No geral, esperamos que as ações LREN3 permaneçam sob pressão após os resultados da C&A, pois eles indicam ainda mais problemas potenciais com a execução da Renner e perdas estendidas de participação de mercado contra seu grupo de controle”, avalia o JPMorgan, ainda que mantendo visão overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para LREN3.

Convicção menor

A XP, cabe ressaltar, fez recentemente uma pesquisa de consenso com mais de 50 respondentes sobre a Renner, após a queda das ações após os resultados do quarto trimestre. As indicações são que a Renner possa estar “saindo de moda”.

Os principais destaques com os investidores foram: i) a convicção em relação ao case é baixa, com 59% de underweight (exposição abaixo da média) ou short (vendido); ii) entre os investidores mais posicionados, 33% estão inclinados a reduzi-lo à frente; iii) menor margem bruta do varejo e maiores provisões de bônus foram os principais ajustes feitos nas estimativas para 2025 e; iv) a execução (crescimento e margens) e a perspectiva macro são os principais catalisadores, mas também os principais riscos à frente; e v) o consenso permanece com um SSS de um dígito médio e lucro líquido de R$ 1,26 bilhão – R$ 1,3 bilhão esperado para 2025, em linha com a projeção da XP.

A XP mantém visão neutra para os ativos LREN3, pois continua cautelosa com relação aos lucros e à dinâmica macroeconômica futura, enquanto tem compra para CEAB3.

Saiba mais:

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Destacando os números da C&A como “magistrais”, a Genial Investimentos também reforça que os dados tiveram uma qualidade superior ao apresentado pela Renner no último trimestre. “A C&A entregou um crescimento sólido de receita e uma forte expansão de lucro líquido, superando o consenso de mercado”, avalia.

A equipe de análise destaca que a continuidade dos avanços operacionais e com um plano estratégico bem definido, segue positiva com o case. Assim, a Genial mantém a recomendação de compra, com preço-alvo para 12 meses de R$ 13,50 – implicando em um upside (potencial de valorização) de +51% frente ao último fechamento.

Enquanto isso, cabe destacar que, após o balanço, a XP cortou o preço-alvo dos papéis LREN3 de R$ 15 para R$ 14, e o Itaú BBA cortou a recomendação para equivalente à neutra.

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