Escuta policial expõe membro do CV preso na casa de Oruam; diálogos

Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça do Rio de Janeiro no âmbito de investigações sobre pessoas ligadas ao Comando Vermelho flagraram a participação de Yuri Pereira Gonçalves, preso na quarta-feira (26/2) na mansão do rapper Oruam, em um roubo de cargas. Durante o assalto, Yuri, que também é acusado de tráfico de drogas, atirou contra o caminhão.

Em uma das conversas interceptadas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, com autorização da 38ª Vara Criminal da Capital, Yuri, conhecido como “Pará”, de 25 anos, pergunta sobre uma arma de fogo e simulacros que seriam usados para assaltar. Também indiciado, Jefferson Souza da Cunha responde sobre a arma.

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Oruam foi preso em blitz no Rio

Oruam é filho de Marcinho VP, preso e condenado por tráfico de drogas e homícido
Oruam e Yuri Gonçalves, integrante do Comando Vermelho, foram presos nesta uarta-feira
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Oruam foi preso por furar um bloqueio policial

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Oruam foi preso em blitz no Rio

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Oruam é filho de Marcinho VP, preso e condenado por tráfico de drogas e homícido

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Oruam e Yuri Gonçalves, integrante do Comando Vermelho, foram presos nesta uarta-feira

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Yuri: “Jota, tá onde? E aquele brinquedo? Duduzinho pegou? Sabe quem tem não?”

Jota: “Tô longe! Qual foi? Devolvi! Duduzinho pegou! Bagulho tá agarrando!”

Yuri: “Tem que amassar pra dentro.”

Em outro momento, Yuri menciona a “réplica”. “No áudio transcrito, ALVO [Yuri] pergunta onde está a réplica, referindo-se a um simulacro de arma de fogo”, diz o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) na denúncia contra ele e outras 41 pessoas ligadas ao Comando Vermelho.

Yuri: “E aí, Mateus. E a réplica?”

Mateus: “Tá com Kauan!”

Yuri: “Lá nada! Ele tá aqui com nós! T7 tá de carro.”

Mateus: “Tem a do Nem e uma que tava com o Kauan. Não tá com o T7, não? Tô aqui no Alto da Caixa.”

Yuri: “O piloto tá aí?”

Mateus: “É, mano! Só tá faltando só.”

Roubo de carga

A denúncia do MPRJ também transcreve os diálogos entre Yuri e outros integrantes do CV durante o assalto a um caminhão na Vila Sarapuí, em Duque de Caxias.

Yuri: “Vai devagar, copiou?”

Diogo: “Mano, é pra subir o viaduto.”

Yuri: “Tá vendo nós? Coloca o chip no telefone e liga pra qualquer número, só pra ativar o chip…”

Não identificado: “Na pista do meio, não tá vendo nós? Na frente da Fiorino.”

Yuri: “É a lonada, de cerveja? Azul.”

Diogo: “É, são duas. Nós vai pegar a de trás, aí manda o menor pular com esse telefone aí que nós vai ligar pro outro.”

Diogo: “Mas se desligar, tu liga pra esse aqui rápido.”

Yuri: “Joga pra esquerda que ela vai passar aqui na direita, nós tem que pegar a visão dela… Dá uma segurada que ela vai passar. Quando ela passar, tu já enquadra.”

Tiro disparado

A interceptação telefônica flagrou o momento em que Yuri conta que precisou atirar contra o caminhão ao tentar abordá-lo, pois o motorista tentou derrubá-lo do veículo em movimento. Assim, a primeira tentativa de assalto foi frustrada, mas os criminosos continuaram a perseguição da vítima.

Yuri: “Deu ruim, dei um tirão nele… ele não quis parar. Eu enquadrei ele, desci do carro… acertou não… caminhão parou no meio da pista.”

Não identificado: “Faz o retorno ali… deu tiro sem necessidade, mano.”

Yuri: “Pô, mano, mas eu pulei na porta do caminhão. Ele abriu a porta do caminhão, pô, pra mim cair.”

A conversa segue com os acusados comentando sobre a presença de uma viatura de polícia nas proximidades. De acordo com a transcrição do MPRJ, é possível ouvir ao fundo o motorista sendo ameaçado pelos criminosos para que parasse o veículo.

Diogo: “Bora por dentro, a viatura tava ali… Bora sair dessa aqui logo.”

Yuri: “Vamos por dentro. Quando ela passar, nós enquadra ela.”

Diogo: “Acelera, acelera!” (Ao fundo da ligação, um indivíduo grita: “Só parar e perder na moral, sem esculacho, mano… abre!”)

Yuri: “Bota pra esquerda pra pegar o contorno. Bota pra andar, mano.”

Pouco depois, Yuri relata ao comparsa que o grupo conseguiu interceptar o caminhão e render o motorista. A gravação mostra o amigo do rapper Oruam dizendo ao motorista que nenhum pertence dele seria roubado e alertando para que a vítima não apertasse o “botão de pânico”, que faria o caminhão parar de funcionar.

Diogo: “Pegamo ele já. Tá aqui comigo já, copiou? Ele já se rendeu na moral, ele vai fazer o retorno aqui.”

Yuri: “Fala pra ele não pisar muito, senão trava.”

Diogo: “Nós só quer as mercadorias, valeu?”

Motorista: “Eu tô falando só que isso aqui é polietileno. É uma bolinha pra fazer plástico. Isso aqui não é carne não.”

Yuri: “Não é leite, não?”

Motorista: “Não.”

Yuri: “Piloto, qual o valor da nota?”

Motorista: “O valor da nota varia muito. Vai de 60 mil a 100 mil.”

Diogo: “Piloto, nós não vai esculachar, não vai levar nada seu, celular, é só tu vir na moral… vem seguindo o carro preto.”

Yuri: “Bagulho tá tranquilidade. Tá vindo uma viatura, mas é só rotina.”

Não identificado: “Bagulho é tranquilidade, só vir reto. Piloto, não é pra apertar o pânico pra bloquear, não. Bagulho é tranquilidade. Vem, mano, acelera. Pega a pista do canto e vem voado. É um carro branco?”

Diogo: “Isso. Nós vai pegar a Shopping Grande Rio. Nós vai palmear o retorno.”

Yuri: “Dá uma seguradinha pra nós bater a frente de vocês.”

“Nas quatro ligações transcritas acima, todas datadas de 19/10/2020, entre 16h38 e 17h27, ALVO [Yuri] e interlocutores praticam roubo de carga. ALVO está em um veículo acompanhado de outros comparsas, enquanto o interlocutor [Diogo] está em outro, com mais pessoas”, detalha a denúncia do MPRJ.

Prisão com Oruam

Natural de Belford Roxo (RJ), Yuri Gonçalves foi indiciado por associação criminosa, roubo e receptação qualificada. Na segunda-feira (24/2), o processo foi encaminhado para a conclusão do juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte.

O criminoso foi localizado durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça contra Oruam e sua mãe, Márcia Nepomuceno, no âmbito das investigações sobre um disparo de arma de fogo em um condomínio de Igaratá (SP), em dezembro de 2024.

A mansão de Oruam fica no bairro do Juá, na zona leste do Rio de Janeiro. O rapper também foi detido na operação, após a identificação de Yuri Pereira Gonçalves no local. Na residência, a Polícia Civil apreendeu uma pistola 9 mm, armamento de airsoft e simulacros de armas de fogo. Uma perícia deverá determinar se a pistola tem relação com o disparo ocorrido em São Paulo.

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