Onda de calor gera flutuações no preço da energia no mercado livre

Os recordes seguidos de consumo de energia elétrica registrados em 2025 trazem preocupações para comercializadoras e consumidores no mercado livre. As altas temperaturas aumentaram a carga e os preços estão sofrendo variações.

Em um cenário de onda de calor, o uso mais intenso de aparelhos de ar-condicionado em ambientes corporativos é tido como um dos responsáveis pelos recordes.

Até o momento, a carga mais alta da história do Sistema Interligado Nacional (SIN) foi de 105.475 megawatts (MW), na segunda-feira (24). Houve picos de demanda instantânea nos dias 22 de janeiro e 11, 12 e 21 de fevereiro, sempre na faixa das 14 horas.

No começo de fevereiro, o preço de liquidação das diferenças (PLD) — utilizado para estipular os valores praticados pelo mercado — estava em R$ 58,60, mas na última semana de fevereiro chegou a R$ 128,93, segundo informações da comercializadora Clarke Energia. Para o longo prazo, os valores subiram de R$ 309 para R$ 390.

Como sua empresa pode aproveitar o mercado livre de energia

Nível dos reservatórios

Chuvas ainda sem capacidade de trazer níveis confortáveis para os reservatórios e a diminuição da vazão de Belo Monte estão entre os responsáveis pelas alterações.

“Mesmo que pareça que está chovendo todo dia, os reservatórios deveriam estar aumentando os níveis, já que estamos no auge do período úmido. Mas, nesse momento, o que ocorre é uma manutenção dos níveis”, explica a head de gestão de clientes da Clarke Energia, Monique Batista dos Santos.

Nesse cenário, os consumidores que tiverem alterações bruscas no consumo e pouca margem de aumento estipulada em contrato, podem ter que pagar preços elevados para negociar energia no mercado de curto prazo. Cabe às comercializadoras monitorar os preços e as necessidades dos consumidores.

Descontos na conta de luz de até 35% para empresas e 20% para consumidores

“É preciso entender se o perfil de consumo dele está mudando, se é realmente apenas uma alteração pontual da onda de calor ou se realmente ele está expandindo a operação. Esse olhar serve para garantir que o contrato dele absorva todo o crescimento eventual de consumo”, afirmou.

Economizar energia

Empresas conectadas na média e alta tensão podem migrar para o mercado livre de energia. Nesse caso, os descontos na conta de luz podem chegar a 30%.

Leia mais:

Com mais usuários e volatilidade de preço, liquidez do mercado livre cresceu em 2024

O CEO da Lead Energy, Raphael Ruffato, explica que é possível adotar estratégias adicionais que terão impacto na conta de luz.

“As empresas podem adotar medidas eficazes para reduzir o consumo de energia durante ondas de calor, sem comprometer a operação. A chave está na implementação de soluções tecnológicas e práticas sustentáveis que assegurem a eficiência energética, além de ajustar contratos de fornecimento de energia com a distribuidora de forma estratégica”, afirma.

Investir em automação, com sensores inteligentes e otimização de sistemas de ar-condicionado pode gerar resultados, assim como melhorias no isolamento térmico. O CEO da Lead Energy defende que a eficiência pode ser alavancada.

Saiba mais:

Perfil de clientes do mercado livre fica mais heterogêneo

“Na prática, cada real economizado representa um real a mais no caixa da empresa. A longo prazo, essas ações são uma forma de garantir competitividade e sustentabilidade”, disse.

Outra opção é a instalação de painéis solares, no modelo de micro e minigeração distribuída (MMGD). Em média, o retorno sobre o investimento é de quatro a sete anos e é possível alcançar uma economia de até 95%.

The post Onda de calor gera flutuações no preço da energia no mercado livre appeared first on InfoMoney.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.