Ex-seccional ligado ao PCC está proibido de entrar em delegacias

São Paulo – O ex-delegado seccional de São José do Rio Preto Alberto Pereira Matheus Júnior está proibido judicialmente de entrar em qualquer delegacia, ou prédio policial, a não ser na condição de investigado. Ele é apontado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) como um dos policiais civis que compõem uma organização criminosa prestadora de serviços do Primeiro Comando da Capital (PCC) e acaba de se tornar réu no processo sobre o caso.

A quadrilha de agentes públicos mantinha negócios com criminosos envolvidos no assassinato do corretor de imóveis Vinícius Gritzbach, que delatou, em 31 de outubro, a ligação de policiais civis com o PCC. Ele foi executado com 10 tiros de fuzil, oito dias depois, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na região metropolitana.

Ao aceitar a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra o delegado, a Justiça determinou a proibição de acesso a repartições policiais, “salvo para atender a obrigações judiciais e chamados da Corregedoria”. Além disso, o ex-seccional teve seu cargo como policial civil suspenso, precisa pagar uma multa de R$ 100 mil e está proibido de manter contato com qualquer pessoa ligada ao processo. A defesa dele não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.

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Gritzbach chegou a ser preso, mas acabou liberado

Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), Gritzbach teria mandado matar dois integrantes do PCC
O delator do PCC foi preso em 2 de fevereiro deste ano em um resort de luxo na Bahia
Empresário, preso sob suspeita de mandar matar integrantes do PCC, foi solto por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
Corpo de rival do PCC executado no aeroporto
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Antônio Vinícius Lopes Gritzbach voltava de uma viagem com a namorada quando foi executado na tarde de 8 de novembro, na área de desembarque do Terminal 2 do Aeroporto Internacional de São Paulo

Câmera Record/Reprodução

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Gritzbach chegou a ser preso, mas acabou liberado

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Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), Gritzbach teria mandado matar dois integrantes do PCC

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O delator do PCC foi preso em 2 de fevereiro deste ano em um resort de luxo na Bahia

Reprodução/TV Band

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Empresário, preso sob suspeita de mandar matar integrantes do PCC, foi solto por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ)

Divulgação

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Corpo de rival do PCC executado no aeroporto

Leonardo Amaro/ Metrópoles

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Corpo de rival do PCC morto em desembarque de aeroporto

Leonardo Amaro/ Metrópoles

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Delator do PCC foi morto no Aeroporto de Guarulhos

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Corpo de rival do PCC morto em desembarque de aeroporto

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Ligações criminosas

Segundo o MPSP, Alberto Junior mantinha relações suspeitas com o delegado Fabio Baena e o chefe de investigações Eduardo Lopes Monteiro. Ambos estão atrás das grades, por envolvimento com o grupo apontado como responsável pelo assassinato de Vinícius Gritzbach.

Conforme decisão assinada pelo juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, o delegado Alberto Junior “recebeu, direta e indiretamente, vantagens econômicas indevidas e dissimulou a natureza, movimentação e propriedade de valores decorrentes direta ou indiretamente de crimes de corrupção passiva”.

Alberto Junior, Fabio Baena e Eduardo Monteiro foram denunciados e tornados réus por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro.

Ao Metrópoles, a defesa de Fabio Baena e Eduardo Monteiro afirmou, em nota, que a denúncia “é recheada de ilações, sem qualquer elemento sério a respaldá-la”. “É inadmissível estar ancorada nas elucubrações do mitômano e criminoso confesso, Vinícius Gritzbach. Aguarda-se que agora a Justiça analise e decida de forma adequada e isenta os pedidos da defesa, fazendo cessar a injusta coação imposta aos nossos clientes”.

Ajudou a prender Marcola

Atualmente recebendo salário como delegado classe especial, cujo salário bruto mensal é de R$ 30.219,43, segundo o Portal de Transparência do Estado, Alberto Pereira Matheus Junior foi um dos responsáveis pela prisão de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do PCC, em 1999.

Além disso, no início do ano 2000 Alberto Júnior foi um dos primeiros policiais civis a investigar e indiciar, por associação criminosa, os fundadores e principais lideranças da maior organização criminosa do país.

Em 2015, o delegado fez parte de uma operação na qual 11 chefões do PCC foram detidos, em diferentes regiões do estado de São Paulo.

Alberto Junior, de 61 anos, é formado em direito e ingressou na Polícia Civil em 1989.

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