Inflação PCE, reunião entre Trump e Zelensky, tarifas dos EUA: os destaques desta 6ª

Os dados econômicos desta sexta-feira (28) começam com a divulgação, no Brasil, do Índice de Confiança Empresarial e do Indicador de Incerteza da Economia, ambos referentes a fevereiro. Os números ajudam a medir a percepção dos empresários sobre o ambiente de negócios e a sensibilidade do mercado a variáveis econômicas. Ainda pela manhã, sai o Balanço Orçamentário de janeiro, trazendo informações sobre as contas públicas no início do ano.

Nos Estados Unidos, o destaque fica para o Índice de Preços PCE de janeiro, indicador acompanhado de perto pelo Federal Reserve para decisões sobre política monetária. A divulgação pode influenciar as expectativas sobre juros no país. No mesmo horário, serão conhecidos os números de estoques no atacado, oferecendo um panorama sobre a atividade econômica e a demanda por bens.

Enquanto isso, um dos destaques do dia é a visita do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a Washington. O líder ucraniano se encontra com autoridades dos Estados Unidos em um momento crucial para um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia. Ele deve assinar um assinar o acordo de terras raras com presidente dos EUA.

O que vai mexer com o mercado nesta sexta

Agenda

O presidente Lula inicia sua agenda às 9h com uma reunião no Palácio do Planalto com o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e o secretário de Imprensa da Secretaria de Comunicação Social, Laércio Portela. Às 10h30, ele se encontra com o secretário especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Marcos Rogério de Souza, também no Palácio do Planalto. Às 15h, parte da Base Aérea de Brasília com destino a Montevidéu, onde tem chegada prevista para as 18h05.

Às 10h, Fernando Haddad, ministro da Fazenda, se reúne com Sergej Loiter, CEO da Yandex Global Search, AI e Ads Tech.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, participa às 15h15 (horário local) das reuniões bimestrais promovidas pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), na Cidade do Cabo, República da África do Sul. (fechado à imprensa)

Brasil

8h – Índice de Confiança Empresarial (fevereiro)

8h – Indicador de Incerteza da Economia Brasil (fevereiro)

8h30 – Balanço Orçamentário (janeiro)

EUA

10h30 – Índice de Preços PCE (janeiro)

10h30 – Estoques no Atacado (janeiro)

Internacional

Fim da guerra?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ao primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, nesta quinta-feira, que um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia avançou e que os EUA tiveram boas conversas com ambos os países. Trump também disse ao premiê britânico que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, visitará a Casa Branca na sexta-feira.

Trump e as tarifas

Trump manteve, ontem, sua promessa de impor tarifas recíprocas a outras nações e disse que suas tarifas adicionais de 10% sobre a China as elevariam para um total de 20%.

Trump também disse que as tarifas de 25% sobre o Canadá e o México entrarão em vigor a partir de 4 de março.

Projeto aprovado

A Justiça dos EUA rejeitou a ordem do ministro Alexandre de Moraes (STF) sobre o bloqueio da plataforma Rumble, afirmando que a decisão “não tem força legal nos EUA”. A Rumble e um grupo ligado a Donald Trump celebraram a decisão como uma vitória da liberdade de expressão. O embate começou quando Moraes determinou a suspensão da Rumble no Brasil caso não nomeasse um representante legal, após a empresa se recusar a remover o canal do blogueiro Allan dos Santos, investigado por desinformação. A Justiça americana reforçou que empresas dos EUA não estão sujeitas a ordens estrangeiras. O caso lembra a suspensão do X (Twitter) no Brasil em 2024, também determinada por Moraes. A decisão acirra as tensões entre Brasil e EUA, envolvendo regulação digital e soberania judicial.

Soberania

Alexandre de Moraes, por sua vez, reafirmou a soberania do Brasil após um comitê do Congresso dos EUA aprovar um projeto que pode impor sanções contra sua entrada no país. Em sessão do STF, ele destacou o compromisso brasileiro com a democracia e rejeitou interferências externas. O projeto americano busca barrar autoridades acusadas de censura e ganhou força com apoio de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo. O Departamento de Estado dos EUA criticou decisões de Moraes sobre o bloqueio de plataformas, enquanto o governo Lula reagiu, acusando os EUA de distorcer os fatos.

Economia

Bancos no Carnaval

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que os bancos não terão expediente presencial na segunda (3) e terça-feira (4) de Carnaval, sendo consideradas feriados bancários sem compensações, incluindo TEDs. Na Quarta-feira de Cinzas (5), o atendimento começa às 12h, com exceção de agências que fecham antes das 15h, que anteciparão o expediente para garantir três horas de atendimento. O Pix funcionará normalmente durante o feriado. Boletos com vencimento nos dias sem compensação poderão ser pagos sem acréscimo no dia útil seguinte, 5 de março.

Prazo final

O prazo para o envio do informe de rendimentos, essencial para a declaração do Imposto de Renda 2025, termina nesta sexta-feira (28). Empresas e instituições financeiras devem fornecer o documento, que detalha salários, investimentos e tributos retidos. O informe pode ser enviado por correio ou disponibilizado digitalmente. Omissões ou erros podem gerar multas para as fontes pagadoras. A Receita Federal recomenda que os contribuintes guardem os documentos por cinco anos.

FGTS

Os trabalhadores que sacarem o saldo do FGTS após demissão sem justa causa sairão automaticamente do saque-aniversário e só poderão retornar após dois anos, afirmou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. O governo planeja uma Medida Provisória (MP) para liberar R$ 12 bilhões a 12,1 milhões de trabalhadores impedidos de acessar o saldo total. A MP permitirá o saque para demitidos sem justa causa desde janeiro de 2020, mas valores de novos empregos seguirão bloqueados. Os pagamentos serão feitos em etapas para preservar o FGTS e programas habitacionais.

Déficit

O Brasil registrou déficit em transações correntes de US$ 8,655 bilhões em janeiro, acima da projeção de US$ 8,3 bilhões, informou o Banco Central. O saldo negativo acumulado em 12 meses atingiu 3,02% do PIB. Investimentos diretos no país somaram US$ 6,501 bilhões, abaixo dos US$ 6,55 bilhões esperados. A balança comercial teve superávit de US$ 1,223 bilhão, bem abaixo dos US$ 5,563 bilhões de janeiro de 2024. O déficit na conta de serviços subiu para US$ 4,552 bilhões, enquanto a conta de renda primária teve saldo negativo de US$ 5,613 bilhões.

Superávit

O governo central registrou superávit primário de R$ 84,882 bilhões em janeiro, o maior da série histórica iniciada em 1997, segundo o Tesouro Nacional. O resultado ficou abaixo da projeção de R$ 88,450 bilhões do mercado. O superávit foi impulsionado pelo saldo positivo do Tesouro (R$ 104,511 bilhões), que compensou os déficits do Banco Central (R$ 13,3 milhões) e da Previdência (R$ 19,615 bilhões). Nos 12 meses até janeiro, o governo acumulou déficit de R$ 42,176 bilhões (0,32% do PIB), com destaque para o déficit do Regime Geral de Previdência Social (R$ 307,284 bilhões).

Recomendação

A equipe técnica do Ibama recomendou a rejeição do pedido da Petrobras para perfuração na Bacia da Foz do Amazonas, considerada uma das principais apostas da companhia na Margem Equatorial. A decisão final caberá ao presidente do órgão, Rodrigo Agostinho. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a empresa pretende entregar até março a estrutura de atendimento à fauna exigida pelo Ibama e ressaltou que a operação ocorrerá a cerca de 500 km da foz do rio Amazonas. O Ibama ainda não se manifestou oficialmente sobre o parecer técnico.

Ovo caro

O preço dos ovos disparou no Brasil, impulsionado por fatores como alta no consumo, redução da oferta e custos elevados de produção. Em fevereiro, os ovos brancos tipo extra chegaram a R$ 198,40 por caixa em Bastos (SP), um aumento de 39,4% em relação a janeiro. A tendência de alta deve persistir até abril, com a Quaresma aumentando a demanda. Nos EUA, a gripe aviária elevou os preços em até 70%, mas o impacto no Brasil ainda é incerto, pois as exportações representam menos de 1% da produção nacional.

Empréstimos

Estados, municípios e o Distrito Federal poderão pegar até R$ 15 bilhões emprestados no sistema financeiro nacional em 2025. Na primeira reunião ordinária do ano, o Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu hoje (27), em Brasília, o volume global para contratações de operações de crédito internas pelos governos locais.

Dos R$ 15 bilhões, os governos estaduais e prefeituras poderão tomar até R$ 9 bilhões em empréstimos com garantia da União – em que o Tesouro Nacional cobre eventuais calotes – e R$ 6 bilhões em empréstimos sem garantia. Os valores representam redução em relação a 2024, quando os entes locais puderam tomar emprestados até R$ 26 bilhões: R$ 17 bilhões com garantia e R$ 9 bi sem garantia.

Política

Agressividade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) justificou na quinta-feira (27) a demissão de Nísia Trindade do Ministério da Saúde, alegando a necessidade de mais “agressividade política” e maior agilidade na gestão. Nísia será substituída por Alexandre Padilha, atual ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI). Lula afirmou que já escolheu o substituto de Padilha, mas aguardará para anunciar oficialmente. “Já tenho a pessoa escolhida, mas não posso avisar porque não conversei com a pessoa ainda”, afirmou Lula em entrevista ao programa Balanço Geral Litoral, da TV Record.

Crescimento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na quinta, em Santos (SP), que o Brasil deve crescer “um pouco mais de 2,5%” em 2025, contrariando a projeção do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que prevê uma possível queda de até 2% no PIB. Lula também destacou que o crescimento de 2024 pode chegar a 3,8%. O presidente defendeu políticas como o Bolsa Família e o programa Pé-de-Meia para estimular a economia e anunciou a criação de um instituto federal no Guarujá. “Quero dinheiro circulando na mão do trabalhador”, disse.

Muito ruim

Lula afirmou que o povo o compara com seu próprio governo, não com Bolsonaro, que classificou como “muito ruim”. Ele destacou que, em 2010, a economia crescia 7% e o varejo 13%. O presidente também comentou sobre pesquisas que apontam queda na popularidade, especialmente em São Paulo. Para ele, pesquisas servem para avaliar a necessidade de mudanças, mas não as leva “definitivamente a sério”. O Datafolha indicou 24% de aprovação, o menor índice de seus mandatos.

Emendas

O ministro Flávio Dino, do STF, antecipou o julgamento virtual do acordo entre Congresso e governo federal sobre transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares. Dino homologou o plano para destravar a proposta orçamentária e pediu sessão extraordinária entre 28 de fevereiro e 5 de março. O presidente da Câmara, Hugo Motta, elogiou o diálogo entre os Poderes, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, destacou o avanço na transparência. O acordo ocorre em meio à baixa aprovação de Lula, o que pode ampliar pressões por liberação de emendas em troca de apoio parlamentar.

Sem impedimento

O ministro Cristiano Zanin, do STF, afirmou que não vê motivos para se declarar impedido de julgar a denúncia contra Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. A defesa do ex-presidente solicitou o afastamento de Zanin e Flávio Dino, alegando parcialidade. Zanin argumentou que não há razões para seu impedimento, reforçando que sua única interação com Bolsonaro foi uma conversa “republicana” no aeroporto. Dino também rejeitou a suspeição. O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, decidirá sobre a permanência dos ministros no caso.

Democracia

O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, defendeu a democracia e criticou a tentativa de legitimar a narrativa do golpe fracassado. Durante a sessão de quinta-feira (27), reforçou que o tribunal seguirá como guardião da Constituição. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, decidirá sobre o andamento da denúncia da PGR contra Bolsonaro. Moraes também respondeu a críticas sobre suas decisões judiciais e a pressão nos EUA para barrá-lo, após medidas contra empresas americanas, como a Rumble. O governo brasileiro repudiou a interferência externa e defendeu a soberania do Judiciário.

Denúncia

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou uma representação criminal contra Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusando-o de conspiração contra o governo brasileiro em parceria com parlamentares dos EUA. A denúncia enviada à PGR pede a investigação criminal do deputado, além da apreensão de seu passaporte e medidas administrativas. O documento também sugere a prisão preventiva de Paulo Figueiredo. A acusação ocorre em meio a tensões diplomáticas sobre decisões do STF envolvendo plataformas digitais americanas e críticas dos EUA à atuação de Alexandre de Moraes.

Corporativo

Petrobras (PETR4)

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard (foto), voltou a defender na quinta, no Rio de Janeiro, a política de preços adotada pela companhia, que leva em conta custos locais.

Depois da divulgação do relatório de desempenho de 2024, que apontou redução do lucro líquido de R$ 124,6 bilhões para R$ 36,6 bilhões, houve questionamentos sobre o impacto da venda de gasolina e diesel abaixo dos preços praticados no mercado internacional. Magda rejeitou que a política tenha tido influência no resultado.

“A gente olha a paridade internacional, os custos de importação e exportação e a capacidade de absorção do nosso público no mercado. Tudo isso faz parte do preço que a gente pratica. Não adianta cobrar 200 dólares pelo barril, por exemplo. Ninguém vai comprar”, disse.

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