“O Terceiro Setor olha para as dores que os demais não alcançam”

O Terceiro Setor cumpre o papel de “articular as necessidades da sociedade e olhar para as dores que outros setores não alcançam”. As palavras são da coordenadora da Rede Pocante em São Paulo, Ariana Perez. O grupo, que trabalha na profissionalização e no planejamento junto às entidades, tem como missão promover uma mudança de visão e criar ambientes propícios para trocas e colaboração. A falta de conexão entre os grupos que, muitas vezes atuam no mesmo território, e a falta de recursos são os principais desafios.

Confira a entrevista com Ariana Peres:

Como surgiu a Rede Pocante e como ela evoluiu ao longo dos anos?
A rede foi fundada em 2019 por pessoas que viam a necessidade de profissionalização do Terceiro Setor. Com a pandemia, que chegou logo depois, as necessidades aumentaram e realizamos um diagnóstico para entender o que estava acontecendo com as instituições durante aquele período. Daí surgiu o programa Regenera, que ofereceu capacitação em áreas como finanças, comunicação e jurídico. A partir daí, aprofundamos o conhecimento das necessidades do setor, que mudam constantemente, e buscamos trazer profissionais com linguagens acessíveis para atendê-las.

Qual é a missão principal da organização e como ela se concretiza na prática?
A nossa missão é fortalecer as instituições do Terceiro Setor, tornando-as mais autônomas, resilientes e autênticas. Atuamos tanto no Espírito Santo quanto em São Paulo, e com alcance nacional por meio da nossa plataforma online, oferecendo um ecossistema completo para o crescimento dessas organizações. Na prática, isso significa oferecer espaços de coworking e networking, promover a inovação e a cooperação, qualificar profissionais e instituições, desenvolver habilidades e conectar agentes do setor.

Como a Pocante busca essa conexão entre os agentes das associações e organizações?
Percebemos que o Terceiro Setor é bastante desarticulado, com instituições que muitas vezes não se conhecem, mesmo atuando no mesmo território e com o mesmo público. Isso gera uma visão de concorrência, quando a ação conjunta poderia potencializar os resultados. Buscamos promover essa mudança de visão, criando ambientes propícios para trocas e colaboração. Atuamos dentro das organizações com programas de voluntariado e conexão com empresas e o entorno, incentivando a colaboração e o fortalecimento mútuo.

A visibilidade do Terceiro Setor é um desafio constante, não é?
Sim, a visibilidade ainda é pequena, precisamos potencializar a comunicação e ocupar mais espaços. Quando há mídia que fala sobre o tema, torcemos para que as instituições cheguem a esses canais. Muitas vezes ficamos restritos às pessoas que já nos conhecem. Em Vitória, por exemplo, temos um grupo de WhatsApp com quase 700 pessoas, mas sabemos que há muito mais gente no Terceiro Setor. Precisamos sensibilizar a sociedade para a importância desse setor.

Na sua opinião, qual a importância do Terceiro Setor para a sociedade?
O Terceiro Setor cumpre um papel fundamental que nem o primeiro (governo) nem o segundo (empresas) conseguem: articular as necessidades da sociedade e olhar para as dores que outros setores não alcançam. A sociedade estaria em situação muito pior se não houvesse pessoas dedicadas a mobilizar a sociedade civil em torno de causas. O futuro ideal seria que o Terceiro Setor não fosse necessário, que governo e empresas absorvessem todas as demandas, mas enquanto isso não acontece, ele é fundamental.

A profissionalização é um dos pilares da Pocante. Como vocês trabalham essa questão com as instituições?
Buscamos trazer boas práticas adaptadas à realidade do Terceiro Setor, olhando para o propósito, valores, desenho de projetos com métricas e impacto, avaliação de resultados e captação de recursos. Temos um programa de qualificação e profissionalização, com agentes de todos os setores, que busca fortalecer a estrutura das instituições, tirá-las da informalidade e levá-las ao funcionamento ideal. Esse programa está em fase de aceleração com o apoio do Tec Vitória.

Quais os principais desafios enfrentados pelas instituições?
Os desafios são diversos, mas a captação de recursos é uma constante. Além disso, há a necessidade de profissionalização, de saber como usar os recursos de forma eficiente. Muitas vezes, as ações são com pensamento de curto prazo. Acreditamos no trabalho conjunto, pois os recursos existem, mas é preciso planejamento e estratégia para que cheguem a quem precisa. O coração da Pocante é ser acessível, escutar e oferecer soluções.

O post “O Terceiro Setor olha para as dores que os demais não alcançam” apareceu primeiro em Aqui Notícias.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.