HÁ 20 ANOS – Lula dá sinal de que poderá abortar a reforma ministerial

Gerson Camarotti escreve hoje em O Globo: “Depois de cinco meses maturando a reforma ministerial, uma constatação passou a preocupar o Palácio do Planalto na reta final das negociações: a mudança no primeiro escalão não vai melhorar de forma significativa o relacionamento do governo com a base no Congresso.

Numa reunião semana passada para tratar dos acertos com os partidos aliados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se mostrou pessimista com os resultados futuros da reforma.

— Estamos fazendo esta reforma, mas qual a garantia de que isso vai resolver os problemas no Congresso? — perguntou Lula a ministros e líderes petistas que estavam na reunião.

A avaliação do governo é que durará pouco o efeito da reforma para promover a recomposição da base no Congresso. Assessores do presidente, acostumados a cuidar do chamado varejo parlamentar, observam que o novo Ministério terá o objetivo imediato de impedir uma catástrofe, mas tem validade curta.

Para um ministro que está sendo consultado sobre as mudanças no primeiro escalão, a reforma que deve ser anunciada em breve corre o risco de nascer velha. E compara: a reforma é como aquele clone de ovelha que nasce com problemas genéticos e envelhecendo precocemente.”

 

(Publicado aqui em 21 de março de 2005)

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