Desaparecimento de casal em Cachoeirinha: como fica o julgamento após morte de acusada

A morte de Cláudia de Almeida Heger, 51 anos, acabou extinguindo qualquer tipo de punibilidade que ela poderia ter pelo suposto envolvimento no desaparecimento do seu pai, Rubem Heger, 83 anos e da sua madrasta Marlene Stafford Heger, 53. O caso aconteceu em Cachoeirinha em 2022.

A situação, porém, não é causa de anulação de processo. Outro réu no caso, Andrew Heger Ribas, filho de Cláudia, ainda será julgado pelo tribunal do juri. A morte da mãe não influencia no julgamento dele, pois “ responsabilização penal é independente de pessoa para pessoa”, conforme informações da assessoria de imprensa do Tribunal do Justiça do Rio Grande do Sul.

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Cláudia estava presa preventivamente desde 2022. Ela estava na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba até a última quarta-feira (19), quando passou mal e foi transferida para o Centro de Custódia Hospitalar Vila Nova, em Porto Alegre. A ré acabou morrendo no dia seguinte. De acordo com a Polícia Penal, o atestado de óbito aponta como causas “complicações devido à comorbidades: apenada tem registro de diabete, obesidade, hipertensão arterial e infecção do trato urinário.”

Delação, novos indícios e julgamento

Em novembro de 2024, um novo elemento surgiu no caso: a delação premiada de Andrew. Internado no IPF, o réu passou a ser representado por um advogado contratado pelo pai, empresário de Canoas. Pela primeira vez as defesas dele e da mãe, passaram a ser feitas de forma independente.

Em acordo com o Ministério Público do Estado (MPRS), o neto de Rubem deu novos elementos para a investigação. Admitiu participação na morte de Rubem e Marlene e confessou: o casal teria sido morto e depois queimado na churrasqueira da casa no bairro Niterói.

No depoimento, Andrew diz que tudo foi planejado por Cláudia. A defesa dela, ao tomar conhecimento da delação, voltou a negar o envolvimento na morte do pai e da madrasta.

O julgamento da dupla, que estava marcado para o dia 27 de novembro, no Fórum de Cachoeirinha, foi suspenso. O Instituto-Geral de Perícias (IGP) foi acionado e evidências coletadas na churrasqueira em Canoas.

Procurada pela reportagem, a defesa de Andrew afirmou não ter autorização do seu cliente para se manifestar publicamente sobre o caso.

Relembre o caso

Em 2022, o casal Rubem Heger, 83 anos, e Marlene Stafford Heger, 53, desapareceu. Moradores do bairro Carlos Wilkens, em Cachoeirinha, eles receberam a visita da filha e do neto de Rubem, Cláudia e Andrew.

Marlene e Rubem | abc+



Marlene e Rubem

Foto: Arquivo pessoal

Os parentes, que moravam em Canoas, chegaram por volta das 11 horas daquele domingo, 27 de fevereiro.

Cláudia e Andrew chegaram em um Ford Fiesta, modelo da década de 1990, com película escura nos vidros. Imagens de uma câmera da vizinhança mostram a chegada da dupla, que estacionou o carro no pátio, sobre o gramado.

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Após algumas horas, Andrew manobra o veículo, estacionando de ré na garagem da casa. Logo na sequência colchões são colocados em frente ao carro. Segundo a apuração da Polícia Civil à época, o objetivo era esconder a ocultação dos cadáveres, que teriam sido transportados por mãe e filho para o automóvel.

Na hora de ir embora, Rubem e Marlene não aparecem mais. Em depoimento, Cláudia confirma que a madrasta e o pai estavam no automóvel, no entanto, vivos. A mulher reiterou diversas vezes que eles foram passar alguns dias em Canoas, mas, por opção própria, teriam atendido a um convite de amigos de Rubem, convidando o casal para ir até a cidade de Guaíba, também na região metropolitana.

A Polícia investigou a versão de Cláudia e nunca encontrou provas da existência de tais amigos. No decorrer das investigações, elementos foram encontrados e levaram à prisão de Cláudia e Andrew. Enquanto a mãe foi encaminhada para a penitenciária, o filho foi internado no Instituto-Psiquiátrico Forense (IPF).

Buscas foram realizadas na residência de mãe e filho, no bairro Niterói, em Canoas. Apesar de nenhum indício ter sido encontrado, um cão farejador entrou sinais de putrefação (decomposição de matéria orgânica) no Ford Fiesta. Já na casa de Rubem e Marlene, uma mancha de sangue compatível com o DNA do idoso, foi achada na parte de uma peça nos fundos. Pelo local, alto, foi concluído que Rubem possa ter sido agredido.

* com informações de Kassiane Michel

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