Levantamento de voluntários aponta casos de esporotricose em 14 bairros de Novo Hamburgo; doença pode ser tratada

Os casos de esporotricose em felinos e seres humanos está preocupando as autoridades em todo o Brasil. A doença é causada pelo fungo Sporothrix spp, presente na natureza, principalmente em ambientes úmidos, mas que consegue sobreviver a temperaturas elevadas.

Gatinha Mimosa recuperada da esporotricose | abc+



Gatinha Mimosa recuperada da esporotricose

Foto: Bárbara Hinkel/ Especial

Conforme a professora-doutora do curso de Medicina Veterinária da Universidade Feevale, Vanessa Feder, gatos que transitam livremente entre casas e ambientes externos ficam mais suscetíveis ao contágio. Ela afirma que pessoas e animais são contaminados por meio do contato direto com as lesões causadas pelo fungo.

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Ou seja, os animais podem transmitir a doença entre si e também aos humanos e vice-versa. “O fungo é encontrado em terra úmida, areia e cascas de árvores. Por exemplo, gatos costumam afiar as unhas em árvores. Com o fungo no local, as unhas são infectadas e, ao arranhar outro felino ou o humano, a doença é transmitida”, explica.

O primeiro sintoma em gatos domésticos é a dificuldade respiratória, na sequência o animal começa a apresentar feridas com crostas e úlceras ou caroços que podem evoluir para fissuras abertas. Nos humanos, os machucados surgem no local arranhado ou mordido pelo gato infectado.

A arquitetura Bárbara Hinkel, voluntária na ONG Peludinhos do Vale e membro do Grupo Estratégico de Proteção Animal de Novo Hamburgo (Gepa), atua na causa animal desde as enchentes de maio e acabou contaminada. “Fui mordida no dedo durante um resgate. Isso aconteceu no dia 19 de fevereiro e os primeiros sintomas apareceram no dia 14 de março.”

Gatinha Mimosa recuperada da esporotricose | abc+



Gatinha Mimosa recuperada da esporotricose

Foto: Arquivo Pessoal

Bárbara relata que a dor é muito forte. “Se no meu dedo que o ferimento é pequeno a dor é intensa. Imagina nos gatos, que estão com feridas espalhadas pelo corpo inteiro. Eles sofrem muito.”

Tratamento

No caso da arquiteta, o tratamento foi iniciado imediatamente, o que também é recomendado para os gatos. “Ao notar lesões de qualquer tipo, é fundamental começar a tratar e evitar contágio de outros animais e pessoas”, reitera Vanessa Feder.

A professora também esclarece que os gatinhos devem ser levados ao veterinário e manter o acompanhamento. “Mesmo que o tratamento seja feito com medicamento humano (itraconazol), o animal pode causar efeitos adversos, podendo levar a desistência ou agravamento do quadro.”

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Vanessa ressalta que qualquer intercorrência durante a medicação, que pode levar entre 45 a 60 dias, deve ser avaliada por um profissional. “Apesar desses cuidados, a mortalidade pela doença é baixa.”

Recuperação e novo lar

Mesmo que tenha sido infectada e esteja em tratamento para curar a esporotricose, a voluntária Bárbara não pensa em deixar de fazer o bem aos gatos. Antes de ser contaminada, ela ajudou no resgate da pequena Mimosa, uma gatinha preta que sofria com a doença.

Apesar de não estar sempre nas ruas, Mimosa tinha acesso ao ambiente externo e acabou acometida pela doença. Sem condições de arcar com o tratamento, os tutores procuraram ajuda. “Conseguimos um lar temporário onde ela ficou isolada de outros animais e começou a ser tratada.”
Isso foi em novembro de 2024 e agora, três meses depois, a gatinha está curada. “Ela está 100% recuperada.”

Gatinha Mimosa recuperada da esporotricose | abc+



Gatinha Mimosa recuperada da esporotricose

Foto: Bárbara Hinkel/ Especial

Na segunda-feira (24), Mimosa foi inclusive castrada e está pronta para ganhar um novo lar. “Ela já foi adotada” conta a orgulhosa voluntária.

Bárbara lembra que para evitar o contágio, o ideal é que os gatos sejam castrados e mantidos em local telado.

Problemas em Novo Hamburgo

Como voluntária, a arquiteta diz receber contatos todos os dias [foi interrompida durante a entrevista] para algum resgate de felino contaminado. “Em Novo Hamburgo existem muitas ‘colônias’ de gatos, principalmente em casas abandonadas. E agora estes locais estão passando por surtos.”

Ela relata que o Gepa realizou um levantamento dos casos de esporotricose na cidade. No total, foram identificados 14 bairros com casos confirmados da doença: Santo Afonso, Canudos, Ideal, Centro, Rio Branco, São José, Ouro Branco, Boa Saúde, Liberdade, Industrial, Hamburgo Velho, Rondônia, São Jorge e Pátria Nova. Para solicitar ajuda, a comunidade pode entrar em contato através das redes sociais, no @peludinhosdovale ou @gepa_nh. 

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Conforme a coordenadora da Vigilância Ambiental em Saúde do Município, a médica veterinária Juliana Sthefanie Simões Matos, evitar a exposição direta ao fungo é a principal medida de prevenção. “Importante usar luvas e roupas de mangas longas em atividades que envolvam manuseio de material proveniente do solo e plantas, bem como uso de calçados.”

No que se refere aos animais, a castração e manter os pets sem acesso à rua é o principal fator. “Caso haja suspeita de contaminação, um médico veterinário deve ser procurado”, completa. 

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