Overbooking: saiba o que é termo usado no caso do cruzeiro em Santos

São Paulo — Um cruzeiro com diversas atrações musicais famosas teve overbooking e partiu do Porto de Santos, em São Paulo, deixando diversas famílias do lado de fora. A viagem, com destino a Angra dos Reis (RJ), teve início no dia 20 e terminaria nesse domingo (23/3).

Segundo o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-SP), o termo inglês overbooking diz respeito a uma prática em que o passageiro é impedido de viajar, mesmo que já tenha cumprido todos os requisitos para embarque. Ele ocorre, geralmente, pela venda de passagens além do número da capacidade do veículo de transporte em questão, e é bastante comum em viagens aéreas.

No caso específico do cruzeiro, foram vendidas mais cabines do que a quantidade disponível na embarcação. Assim, o navio já estava completamente ocupado, mas ainda havia passageiros para embarcar.

O overbooking pode ocorrer em outras situações, como erros de planejamento, falha no sistema de reserva, aumento da demanda sazonal e pela própria política de venda da empresa em questão — visando aumentar lucros e a ocupação, a companhia vende sem considerar adequadamente a possibilidade de todos os passageiros comparecerem.

O Procon afirma ainda que o consumidor pode desistir da viagem e solicitar a devolução do valor pago, solicitar que a empresa o acomode na próxima viagem para o mesmo destino pretendido e que a empresa o transporte em data posterior a sua conveniência, arcando com todas as despesas relativas.

Prática abusiva

Nesse caso, a viagem marítima do navio Costa Pacífica vendeu mais cabines do que a quantidade disponível na embarcação. O Código de Defesa do Consumidor define a prática como abusiva e garante o ressarcimento integral do cliente.

Um dos passageiros fez um desabafo nas redes sociais, explicando que um grupo de pessoas chegou a esperar mais de 14 horas pelo embarque, que não aconteceu.

“Pessoas aqui estão há 14 horas em pé. Estão indo para 15, 16 horas sem água, sem alimentação, nenhum tipo de informação. E agora resolveram arrumar um quarto de hotel para a gente poder dormir aqui em Santos”, disse.

O navio foi fretado pela empresa On Board Entretenimento para realizar a viagem temática “Energia On Board”, com uma programação de artistas que fizeram sucesso nos anos 1980, como Jon Secada, Paulo Ricardo, Double You e Sandra Sá.

Caso registrado como estelionato

A Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) informou que um homem de 40 anos é suspeito de vender mais passagens do que o permitido para o cruzeiro. Ele já prestou depoimento. O caso foi registrado como estelionato e será investigado pela Delegacia de Atendimento ao Turista (Deatur).

“Participei da promoção [da rádio Energia] e, para minha emoção, ganhei uma cabine. Era nosso sonho e a oportunidade de vivenciar isso parecia ser o ápice da felicidade. No entanto, a realidade foi completamente diferente: NÃO EMBARCAMOS. Para piorar, perdemos dois dias de trabalho, tivemos gastos extras sem qualquer estorno. A frustração que tomou conta de mim e da minha família é imensa, e todos nós merecemos uma explicação clara e convicente. O que aconteceu?”, escreveu uma internauta nas redes.

O que diz a empresa

Em nota, a Costa Cruzeiros lamentou o ocorrido e informou que cerca de 100 passageiros não conseguiram embarcar no navio “Energia On Board”. “De fato, alguns hóspedes compareceram sem formulários de embarque necessários e/ou números de reserva. Tal situação causou um atraso considerável nas operações de check-in.”

A empresa afirmou, ainda, que “no âmbito dos acordos com a organização do fretamento, a administração deste cruzeiro e o envio da lista de passageiros para embarque são de responsabilidade exclusiva do afretador, o organizador do evento”.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.