Bebedouros envenenados: O que funcionário que colocou soda cáustica na água em empresa disse à Polícia

Não há indício de vingança ou mesmo uma tentativa de assassinato por trás do caso envolvendo o envenenamento da água de bebedouros com soda cáustica, registrado em uma empresa de Canoas, no começo desta semana.

O delegado Marco Guns está à frente do caso que apura o envenenamento de bebedouros em Canoas



O delegado Marco Guns está à frente do caso que apura o envenenamento de bebedouros em Canoas

Foto: PAULO PIRES/GES

Nesta quarta-feira (26), a Polícia Civil dá sequência à investigação e confirma que não existe uma motivação sólida por trás do crime até o momento, algo que só será esclarecido com a conclusão do inquérito.

Segundo o delegado Marco Guns, titular da 1ª Delegacia de Polícia (DP) de Canoas, responsável pela investigação, durante o depoimento prestado à Polícia, o suspeito não deixou claro porquê envenenou a água.

“Falou que era um trote”, explica. “Disse que pensava ser água com sabão. Seria então uma brincadeira. Que havia passado por trotes também. Então, por enquanto, não há uma motivação clara por trás do crime.”

Nos próimos dias, Guns ouvirá os dois funcionários que acabaram tomando soda cáustica. Ele confirma que inclusive um dos funcionários é amigo do suspeito preso em flagrante nesta terça-feira (25).

“Como era uma empresa com tecido, os funcionários tinham acesso à soda cáustica”, esclarece. “Porém, em depoimento ele disse que pensava ser sabão líquido que estava ingerindo na água, então vamos ouvir os funcionários e tentar esclarecer melhor.”

O delegado confirma a que a prisão preventiva do suspeito já foi pedida à Justiça. É necessário também aguardar laudos periciais que confirmem a presença de soda cáustica na água dos bebedouros.

“A empresa conta com engenheiros químicos que confirmaram a presença da soda cáustica. Também houve confirmação médica, mas aguardamos o IGP [Instituto Geral de Perícias] embasar o inquérito com os laudos.”

Entenda com começou

O caso surgiu na manhã de terça-feira (25), após o segundo operário passar mal e a Brigada Militar ser acionada. Um primeiro funcionário, aponta a Polícia Civil, já havia apresentado sintomas de envenenamento na manhã de segunda-feira (24).

“Pela manhã, nesta terça-feira, uma funcionária sentiu-se mal após ingerir a mesma água, que continha o produto químico”, explicou o delegado Cristiano Reschke. “Felizmente, as vítimas estão bem e não correm risco de vida.”

O delegado confirma que as vítimas de envenenamento serão ouvidas nos próximos dias pela Polícia Civil. O suspeito acabou autuado por envenenamento de água potável, crime previsto na legislação especial como hediondo, cuja pena prevista é de reclusão de 10 a 15 anos.

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