Com Bolsonaro no STF, SP vira palco de briga entre Valdemar e Kassab

São Paulo – O início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) esquentou a disputa na direita pelo governo de São Paulo em 2026. Pré-candidatos começam a admitir publicamente a possibilidade de disputar o Palácio dos Bandeirantes, caso Tarcísio de Freitas (Republicanos) concorra à Presidência da República.

Bolsonaro já está inelegível até 2030 por uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de junho de 2023. Por 5 votos a 2, o ex-presidente foi condenado por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação por ataques que fez ao sistema das eleições brasileiras em uma reunião com embaixadores, em julho de 2022. O andamento do julgamento no STF diminui as chances de Bolsonaro reverter o quadro da inelegibilidade e concorrer ao Planalto, em 2026.

No mesmo dia em que os ministros da Suprema Corte começaram a decidir se aceitam a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) que acusa Bolsonaro de tentativa de golpe de Estado, o deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e afilhado político de Valdemar Costa Neto, admitiu que pode ser um dos candidatos ao governo de São Paulo.

O pupilo de Valdemar disse que a escolha de candidatos ao Palácio dos Bandeirantes é uma decisão de uma composição partidária, liderada, no estado de São Paulo, por Tarcísio de Freitas. A indicação de Tarcísio para a sua sucessão passará, primeiramente, pelo futuro de Bolsonaro e, para ser bem-sucedida, dependerá de um arco de alianças políticas.

“A decisão não é unilateral, não é da vontade de um político só. É de uma composição que, primeiramente, passa pelo grande líder hoje, que é o governador Tarcísio, e das possibilidades da sua permanência aqui como candidato à reeleição ao governo ou da possibilidade, caso avalizada pelo Bolsonaro, candidato a presidente”, disse Prado.

Embora pondere que o cenário é complexo, o deputado estadual se mostra disposto a concorrer ao governo paulista e se considera pronto para almejar outros cargos.

“Nunca tive medo de desafios na minha vida em todos os cargos que eu fui escolhido. Porque isso é uma escolha de grupo”, afirmou o presidente da Alesp. “Caso o grupo venha me escolher como uma possibilidade de candidatura, com certeza estou preparado para alçar qualquer voo político”, acrescentou.

Prado colocou outros nomes como possíveis pré-candidatos como o presidente do PSD e secretário de governo de São Paulo, Gilberto Kassab, o vice-governador Felício Ramuth (PSD) e o secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite, atualmente filiado ao PL, mas de malas prontas para se filiar ao PP.

O presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira, diz a aliados que tem um plano para Derrite disputar o governo de São Paulo, caso Tarcísio não seja candidato e para o Senado, se o governador tentar a reeleição.

Kassab tem se colocado publicamente como um possível candidato desde o fim de semana passado. O cacique do PSD já falava em conversas reservadas que pleiteava a condição de vice-governador na chapa de Tarcísio de Freitas para assumir o governo em 2030. Com a possibilidade do governador de São Paulo disputar a presidência em 2026, Kassab começou recentemente a admitir a possibilidade de ser candidato.

Filiado ao PSD, Felício Ramuth, atual vice-governador de São Paulo, chegou ao cargo por uma indicação de Kassab no arco de alianças políticas que elegeu Tarcísio em 2022. Ele não se diz candidato e acredita que é cedo para essas especulações, mas falou que Kassab é cacifado para concorrer a qualquer cargo.

“A qualidade política do Kassab permite que ele possa pleitear qualquer cargo que ele desejar. Pela experiência como prefeito, como ministro, como deputado. Ele tem uma grande bagagem para poder pleitear o que ele desejar ser. A declaração dele foi muito clara, mas o que a gente tem hoje é uma reeleição do governador Tarcísio”, afirmou Ramuth.

“Lá atrás, a gente viu gente se colocando como candidato até a vice. Agora, a governador. Eu acho que não é o momento. Entendo algumas pessoas que buscam esse objetivo. Talvez se eu estivesse no lugar deles, não no cargo de vice-governador, eu estivesse fazendo até a mesma coisa que eles. No meu momento, como vice-governador, eu tenho que cuidar do Estado”, acrescentou.

PL e PSD comandam prefeituras

A disputa, que começa a se desenhar pelo governo de São Paulo, entre o PL, de Valdemar Costa Neto, e o PSD, de Gilberto Kassab, remonta uma disputa nas eleições municipais do ano passado.

O PSD, que já tinha o maior número de prefeitos em São Paulo após o PSDB não apresentar candidato à presidência em 2022 e não chegar ao segundo turno no governo de São Paulo, ficou com 203 prefeituras paulistas após o pleito de 2024. Já o PL, venceu as eleições em 102 municípios. Somadas, as duas legendas ficaram com 305 prefeituras – 47% das 645 cidades do Estado.

Depois de PSD e PL, o Republicanos, de Tarcísio de Freitas, conseguiu vencer em 80 municípios e foi o terceiro partido com mais prefeitos em São Paulo. Seguido pelo MDB (63) e o PP (47).

Nunes e Salles também estão na disputa

O prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), também tem se movimentado nos bastidores para figurar como um possível candidato ao Palácio dos Bandeirantes. Ele apareceu em sondagens de intenção de votos e enviou o resultado a aliados. O movimento, porém, irritou a cúpula do governo de Tarcísio de Freitas, que considera nomes à frente do prefeito para a disputa em 2026.

A força do MDB seria o grande trunfo de Nunes. Próximo do presidente do partido, Baleia Rossi, e do ex-presidente Michel Temer, o chefe do Executivo paulistano conseguiria atrair a sigla para uma composição nacional.

O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) é outro nome que se coloca como candidato ao governo de São Paulo, caso Tarcísio não concorra. Ao contrário de Nunes, o problema de Salles é o tamanho de seu partido. Em seu favor, Salles tem o apoio dos eleitores de direita. Pelo PL em 2022, ele fez mais de 640 mil votos na disputa à Câmara dos Deputados e foi o quarto mais votado em São Paulo para o cargo.

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