DF registrou 1ª morte por Covid há 5 anos. Entenda o cenário da doença

Em 23 março de 2020, o Distrito Federal registrou a primeira morte por Covid. Viviane Rocha de Luiz, de 61 anos, estava infectada pelo Sars-CoV-2, um vírus pouco conhecido à época. A confirmação do óbito pela Secretaria de Saúde (SES-DF) ocorreu seis dias depois.

Passados cinco anos, a capital do país contabiliza 962.782 casos confirmados e 12.035 mortes em decorrência da doença. Ao longo da pandemia, os índices oscilaram e as ondas da doença, com picos de casos, fizeram circular diferentes variantes do coronavírus.

No entanto, o cenário atual de enfrentamento ao vírus é bastante diferente daquele vivido no primeiro ano da disseminação da doença. Há cinco anos, cerca de 12 mortes causadas pelo vírus eram registradas por dia no DF.

O boletim epidemiológico mais recente divulgado pela SES-DF indica que, entre janeiro e 22 de março de 2025, foram registrados três óbitos por Covid. A morte mais recente ocorreu em 21 de fevereiro, segundo boletim divulgado pela pasta.


Óbitos por Covid-19 no DF em 5 anos:

  • 2020: 4.540
  • 2021: 6.638
  • 2022: 708
  • 2023: 98
  • 2024: 48
  • 2025: 3

Apesar de mais controlada do que no período de pandemia, a doença ainda exige cuidados, alerta a pasta de Saúde. Na semana entre os dias 16 e 22 de março, 319 casos foram notificados em Brasília.

A taxa de transmissão está em 0,85. Ou seja: cada 100 pessoas infectadas transmitem o vírus para outras 85. Quando o indicador fica acima de 1, o contágio se encontra em situação de avanço.

Primeira morte por Covid no DF

Graduada em enfermagem e assessora técnica do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Viviane não chegou a acompanhar o avanço da doença — irrefreável até a chegada das vacinas.

Ela estava internada no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), com quadro de febre, desconforto respiratório e histórico de contato com paciente infectado pelo coronavírus, vindo de São Paulo. No entanto, a enfermeira não resistiu.

Algumas comorbidades que Viviane tinha tornaram o quadro mais grave: obesidade mórbida, hipertensão arterial sem tratamento e ex-fumante, segundo boletim médico. A paciente fez exame específico para detecção da Covid, mas o primeiro resultado foi inconclusivo.

Com contraprova enviada para o laboratório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), houve a confirmação de infecção pela doença, mas só após a morte da enfermeira.

À época, o acesso aos testes não era amplo, e havia a necessidade de encaminhar exames feitos no Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF) à instituição nacional de pesquisa.

Vacinação

O pior cenário na capital federal aconteceu em 24 de março de 2021, quando o DF teve a maior marca de óbitos confirmados em um dia desde o início da pandemia — 88 vidas perdidas.

Em 19 de janeiro de 2021, o Distrito Federal vacinou a primeira pessoa contra a doença: a enfermeira Lídia Rodrigues Dantas, 31, que trabalhava no Hran.

A vacinação avançou e levou a uma redução expressiva do número de casos graves e mortes. Em 2024, a SES-DF aplicou 253.850 doses do imunizante, mas a cobertura vacinal ainda está abaixo do esperado.

No ano passado, o Ministério da Saúde atualizou a campanha de imunização contra a doença. Para crianças de 6 meses a 5 anos, a vacina foi incluída no Calendário de Vacinação. Já a dose anual ou semestral foi recomendada para grupos prioritários com 5 anos de idade ou mais, independentemente do número de doses prévias recebidas.

Estratégia

Em um cenário em que a Covid está mais controlada no Distrito Federal, é fundamental que os órgãos responsáveis continuem atuando de maneira estratégica.

Juliane Malta, chefe da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep) da SES-DF, destacou a importância de se manter os cuidados com a população, especialmente em relação ao monitoramento de síndromes gripais.

“Por meio desse monitoramento semanal conseguimos identificar quais vírus respiratórios estão circulando na região, com o rinovírus sendo um dos mais predominantes, além da Covid, que ainda exige atenção”, explica.

Apesar da baixa incidência de casos e óbitos pela doença nos últimos anos, Juliane alerta que é crucial não baixar a guarda. O monitoramento contínuo permite respostas rápidas e a detecção de novas cepas do vírus.

“Mesmo com o cenário mais controlado atualmente, a vigilância contínua sendo a chave para a resposta oportuna e a prevenção de novas ondas da pandemia. A vigilância sentinela desempenha um papel fundamental, pois permite coletar dados e transformá-los em informações para direcionar ações eficazes”, reforça.

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