O “terceiro fator” que entrou na conta para o maior ânimo com as ações brasileiras

Em uma semana marcada por reuniões com investidores nos EUA, os estrategistas do Bradesco BBI viram quem está de olho nos mercados emergentes ousando projetar que o período de forte desempenho relativo do primeiro trimestre podendo continuar, e ouviram evidências otimistas de realocações dos EUA para o exterior. No Brasil, por sinal, os estrategistas, ainda que cautelosos com o país, veem a rotação sendo um terceiro elemento de maior ânimo para os mercados.

“O sentimento do Brasil parece melhorar, com investidores dos EUA não querendo ‘perder o rali’, já que os catalisadores da eleição e da taxa de juros aparecem no horizonte. Isso embora uma minoria significativa esteja realizando lucros, assustada com o ritmo de recuperação e os aspectos técnicos esticados”, avaliam Ben Laidler e equipe em relatório.

Os investidores locais também parecem adicionar mais risco/beta (medida estatística que compara a volatilidade de uma ação com a volatilidade do mercado). Contudo, o BBI vê diferenças importantes em relação aos investidores estrangeiros.

“Os locais estão extremamente focados no ciclo eleitoral, movendo suas peças mais lentamente, pois esse catalisador ainda é visto como muito distante. E o poder de fogo dos investimentos é limitado pelas saídas contínuas para renda fixa [em meio aos juros altos]”, aponta a equipe de análise.

O México continua a dividir fortemente a opinião dos investidores entre os otimistas focados em valuations de empresas específicas e os mais pessimistas destacando incerteza.

Já olhando para a Argentina, a visão é de que o interesse dos investidores no país diminuiu claramente, junto com o desempenho do mercado, com o foco agora nos riscos do peso argentino e das negociações com o FMI e encontrando o potencial catalisador de alta a partir deste tema.

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O desempenho do Chile, impulsionado pelo cobre, atraiu a atenção antes do catalisador eleitoral de novembro, com o foco na seleção de ações. O rali no acumulado do ano da Colômbia foi visto como muito antecipado.

“Continuamos positivos em ações da América Latina em relação ao resto do mundo, com a região bem posicionada frente nosso alocador global”, apontam os estrategistas.

A Argentina segue como a sua principal escolha, com posição overweight (exposição acima da média), levando em conta seus catalisadores triplos de valuation, lucros e MSCI. As preocupações com câmbio já estão incorporadas aos preços dos ADRs (recibo de ações negociados nos EUA), segundo o banco.

O México (overweight) se aponta como o mercado mais barato e menos favorecido globalmente em sua estrutura, enquanto vê uma reclassificação gradual podendo ocorrer levando em conta o alívio dos riscos políticos que envolvem a presidente mexicana Claudia Sheinbaum e o presidente americano Trump. O Chile (neutro) foi impulsionado pelos preços mais altos do cobre e é o primeiro mercado latino-americano neste ciclo eleitoral que pode gerar uma grande reclassificação de avaliações, aponta o banco.

Neutro em Brasil, mas…

Para o Brasil, os estrategistas do BBI seguem neutros. A perspectiva do Brasil mostra gradual diminuição de risco, à medida que o crescimento desacelera com as taxas de juros em alta, e com os catalisadores do ciclo eleitoral e de taxas (mais baixas num futuro próximo) potencialmente se materializando mais cedo.

O banco adicionou um terceiro tema de recuperação no país relacionado aos mercados de capitais. O BBI vê os mercados do Brasil deprimidos e entre os proporcionalmente menores do mundo – porém, com uma rotação do mercado de ações global em andamento e a perspectiva de que as maiores taxas de juros reais do mundo caiam no Brasil, há uma visão de melhora à frente.

“Nosso caso base do Brasil é positivo (uma chance de 65%), mas a perspectiva ainda é desconfortavelmente binária, nos mantendo neutros em um contexto latino-americano por enquanto”, avalia a equipe do BBI.

Brasil: comprar ou não comprar?

Cabe ressaltar que o Morgan Stanley segue underweight (exposição abaixo da média) em América Latina principalmente devido às altas taxas de juros.

“As taxas podem permanecer mais altas por mais tempo, e o impacto continuará a pressionar o mercado brasileiro. Em meio a riscos de cauda, ​​crescimento em declínio, falta de progresso da política doméstica e taxas mais altas por mais tempo, nos inclinamos para temas seculares importantes que podem impulsionar a geração de alfa [que visa superar o mercado]”, aponta o Morgan.

Já o JPMorgan elevou em março a exposição ao Brasil para overweight apontando, entre os fatores, o cenário global que agora beneficia o Brasil (desde que os EUA não entrem em recessão).

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