MDB e Mello Araújo viram trunfos de Nunes na corrida ao governo de SP

São Paulo — As movimentações do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), para se viabilizar como candidato ao governo paulista, em 2026, contam com dois “trunfos”, segundo aliados do emedebista.

Um deles é uma possível costura na qual, em troca do apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para disputar o Palácio dos Bandeirantes, Nunes teria influência para atrair o MDB para a aliança em torno de um eventual projeto presidencial do chefe do Executivo paulista.

Para isso, o entorno de Nunes conta com a proximidade do prefeito com o ex-presidente Michel Temer e também com o atual presidente nacional da sigla, Baleia Rossi.

Outro ponto apontado por aliados que pode contar a favor do emedebista é o fato de que, ao se licenciar do cargo para disputar eleição, a cadeira de prefeito da capital ficaria com o vice bolsonarista, Mello Araújo (PL). Com isso, o arranjo pode contar com o apoio do PL e do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para alguns, os sinais dados por Nunes têm por objetivo, neste primeiro momento, apenas se mostrar viável. Na última segunda-feira (24/3), em entrevista coletiva, após participar de um almoço com empresários, o prefeito não quis prometer que vai ficar na prefeitura até o final do mandato. 

Publicamente, Tarcísio tem negado que é candidato à Presidência da República, dizendo que seu candidato é o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível. Sua possível candidatura ao Planalto dependerá do apoio explícito de Bolsonaro até abril de 2026, prazo limite para candidatos deixarem seus cargos para disputar outros postos na eleição.

Contrapontos

Se por um lado parte do meio político aposta que Nunes teria influência suficiente para “entregar” o MDB nacional para Tarcísio, outra parte afirma ainda ser cedo para dizer que o prefeito teria essa força.

Isso porque o partido possui lideranças regionais com projetos diferentes entre si e conta atualmente com três ministérios no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Simone Tebet (Planejamento), Jader Filho (Cidades) e Renan Filho (Transporte).

Já em relação a Mello Araújo, ao mesmo tempo em que pode atrair apoio de bolsonaristas e do PL, aliados citam a falta de experiência e o radicalismo como entraves para a aceitação dos outros partidos da aliança para que ele assuma a prefeitura.

Além de Nunes, outros que já vem manifestando intenção de se candidatar ao governo paulista, caso Tarcísio saia do cargo para disputar o Planalto, são: o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL); o secretário de Governo de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD); e o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (Novo).

Segundo interlocutores de Tarcísio, a escolha do “nome do governador” para a sua sucessão dependerá do arranjo que será costurado entre os partidos. Nos bastidores, o nome de André do Prado vem ganhando força.

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