Ritmo de adaptação das florestas é lento para conter crise climática

A crise climática é uma emergência global que tem afetado as florestas tropicais de forma acelerada. Algumas espécies da flora não estão conseguindo se adaptar a essas mudanças no mesmo ritmo. A constatação foi feita por dois estudos publicados nas revistas científicas Science e Nature, em março.

O aquecimento global tem provocado mudanças na composição dessas florestas, levando a substituição de espécies de grande porte por outras menores e de menor densidade, além de estar aumentado o número de tipos de plantas decíduas, aquelas que perdem as folhas nas estações secas.

“Observamos que as espécies que se regeneram com maior facilidade não são as de grande porte e de madeira mais densa, mas sim aquelas com maior plasticidade adaptativa. Isso reduz a capacidade de estocagem de carbono da floresta e pode afetar os modelos climáticos, já que a capacidade fotossintética será menor no futuro”, explica o professor e coautor dos dois artigos, Carlos Alfredo Joly, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em entrevista à Agência Fapesp.

Os pesquisadores envolvidos nos estudos utilizaram décadas de observação em campo e imagens de satélite para mapear as mudanças nas florestas tropicais e descobriram que árvores de grande porte, como jatobás, ipês, perobas, jequitibás, castanheira-do-pará e as copaíbas, estão desaparecendo.

“Além de seu valor próprio, como fontes de alimentos e medicamentos, essas espécies são fundamentais para a captura de carbono e a manutenção da biodiversidade”, completa Joly.

Foto colorida de floresta sendo queimada - Metrópoles
Queimadas em florestas tropicais contribuem para o agravamento da crise climática

Com a crise climática cada vez mais grave, as florestas tropicais têm se tornado mais suscetíveis à mortalidade em larga escala, comprometendo a regulação do clima e os ciclos da chuva.

Os pesquisadores apontam que a conservação das florestas exige políticas públicas mais eficientes, como investimentos em ciência, tecnologia e ações concretas para mitigar os impactos das mudanças climáticas.

“A ecologia tem mostrado cenários cada vez mais preocupantes. Se não agirmos agora, as florestas tropicais podem perder sua função ecológica antes que consigam se adaptar ao novo clima”, alerta a pesquisadora Simone Aparecida Vieira, da Unicamp, também em entrevista à Agência Fapesp.

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