Greve dos entregadores continua após reunião sem sucesso com o iFood

São Paulo — A paralisação dos entregadores de aplicativo, iniciada nessa segunda-feira (31/3), continua em ação pelas ruas de São Paulo nesta terça-feira (1°/4). O ato dos motoboys começou após o grupo declarar uma greve nacional de dois dias, para reivindicar melhores condições de trabalho e reajustes na remuneração dos serviços de entrega.

Mais cedo, entregadores protestaram com buzinas e faixas em frente ao Shopping Eldorado, localizado em Pinheiros, zona oeste da capital. Além disso, grupos de entregadores paralisaram os serviços de entrega na região do ABC e a expectativa é que novos protestos aconteçam na Avenida Paulista.

Imagens gravadas por um manifestante mostram os motoboys pedindo a paralisação dos serviços de entrega e da emissão de pedidos pelos estabelecimentos. O grupo se reuniu ontem na sede do iFood, em Osasco, na região metropolitana, exigindo melhores condições de trabalho.

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Em entrevista ao Metrópoles, Junior Ferreira, representante da Aliança Nacional dos Entregadores por Aplicativo (ANEA), esteve presente na sede da empresa e explicou detalhes da reunião. “Infelizmente eles (iFood) não ofereceram nada. Falaram que estavam abertos ao diálogo, mas que iam estudar as possibilidades e conversar com diretores. A gente já estava com a proposta na mesa deles por mais de um mês, mas, infelizmente, eles não nos ofereceram nada”, contou o motoboy.

Entre as reivindicações, os manifestantes buscam a definição de uma taxa mínima de R$ 10 por entrega, um aumento no valor pago por quilômetro rodado (de R$ 1,50 para R$ 2,50), a limitação de um raio de 3km para entregas feitas por bicicletas e a garantia de pagamento por pedidos — mesmo em entregas agrupadas na rota.

O que esperar com a manifestação

Entrevistada pelo Metrópoles, a advogada trabalhista Laís Amanda, do escritório AVJ Advogados, explica que a greve pode não gerar grandes resultados. Conforme a doutora, a mobilização dos motoboys teve início em 2020, mas não conta com muitos avanços pela falta de representação sindical.

“Considerando que a categoria de entregadores de aplicativos não possui nenhuma representação sindical — inclusive porque não se refere a trabalho formal — não há muita margem de negociação com os aplicativos, o que pode resultar em manutenção das taxas e determinações”, esclarece Laís.

Ainda sobre os reflexos da manifestação, a advogada acrescenta que os consumidores podem ser prejudicados pela falta de mudanças. Sem a aceitação dos pedidos dos trabalhadores, há expectativa de diminuição no número de motoboys atuantes pelas plataformas.

“Infelizmente para nós, consumidores, podemos ser prejudicados, eis que a diminuição de entregadores on-line na plataforma atinge diretamente a qualidade do serviço”, concluiu ela.

O que diz o iFood

Em nota oficial, o iFood afirmou que se reuniu com nove representantes dos manifestantes na tarde de ontem (31/3), no escritório da empresa em Osasco. Conforme a empresa, na reunião, foram discutidas as demandas apresentadas pelo grupo.

“Reafirmando a abertura ao diálogo, foram discutidas as principais demandas apresentadas pelo movimento e ficou acordado que o iFood retornará com devolutivas para as lideranças”, disse a empresa.

Ainda segundo o aplicativo, nos últimos três anos, os ganhos dos entregadores foram aumentados de várias maneiras. Entre os aumentos, a corporação destaca os acréscimos no valor mínimo da rota e do valor do quilômetro rodado em 2022 e 2023.

No perfil do Instagram Breque Nacional dos Apps, trabalhadores da categoria de todo o Brasil aparecem se mobilizando sobre a paralisação e as demandas do movimento. Agora, os motoboys aguardam novos posicionamentos do iFood sobre os interesses apresentados pela categoria.

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