Brasil pode ser menos impactado por guerra comercial entre EUA e China, diz CIO da MSX

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Saravalle foi categórico ao afirmar que, em qualquer guerra, seja militar ou comercial, os danos são generalizados. “É difícil falar que o Brasil vai sair ganhando de uma guerra comercial. Toda guerra gera perdas, inclusive as econômicas. Todos os países sofrem, e com a comercial não é diferente”, destacou.

O especialista relembrou que choques entre grandes potências afetam a economia global como um todo, e que, em caso de recessão nos Estados Unidos ou desaceleração da economia mundial, o Brasil também será atingido. “Se houver uma recessão americana, todo mundo sai perdendo. A demanda global naturalmente cai, e o Brasil sofre junto”, disse.

Mais flexível que o México, Brasil pode redirecionar exportações

Apesar dos riscos, Saravalle apontou que o Brasil tem uma vantagem relativa em sua capacidade de diversificar parceiros comerciais. “O México depende muito dos EUA. Já o Brasil pode dizer: ‘Estados Unidos, você não quer comprar minha carne, meu veículo? Ok, eu vendo para a China ou para outro país asiático’”, explicou.

Segundo ele, essa flexibilidade permite ao Brasil se adaptar melhor às mudanças no cenário global. Relatórios recentes do JP Morgan, segundo Saravalle, já indicavam que, entre os emergentes, Brasil e México estavam no radar, mas o Brasil desponta como menos vulnerável por conta dessa diversificação.

Setores e empresas específicas podem se beneficiar

Ainda que os impactos positivos para a economia brasileira sejam limitados, alguns setores e empresas podem capturar oportunidades isoladas. Entre os exemplos citados por Saravalle estão empresas como JBS, que está em processo de dupla listagem, e Gerdau, com operações relevantes nos Estados Unidos. Ambas podem tirar proveito das mudanças comerciais, segundo ele.

O investidor pessoa física está acompanhando essa movimentação. Algumas companhias brasileiras com atuação nos EUA podem até se beneficiar, mas isso é muito pontual, não é estrutural para o país como um todo”, observou.

Balança comercial brasileira pode sofrer, mesmo com ganhos relativos

Apesar de um possível reposicionamento do Brasil no comércio internacional, Saravalle alerta que a balança comercial brasileira tende a ser afetada negativamente. “A gente vai ter menos entrada de dinheiro, menos recursos para as nossas empresas. Isso afeta a atividade econômica, os investimentos, o crescimento do PIB”, afirmou.

Para o CIO da MSX Invest, os ganhos para o Brasil são relativos e isolados. O país pode, de fato, sofrer menos que outros, como o Canadá ou o próprio México, mas não está imune. “A palavra-chave não é ‘ganhar’, mas sim ser um dos que menos sofrem nesse cenário. A tensão comercial não deve terminar tão cedo, e o mundo todo tende a ser prejudicado”, concluiu.


Cautela no curto prazo e atenção aos impactos globais

Na visão de Saravalle, os investidores devem manter atenção redobrada aos desdobramentos da guerra comercial, principalmente aos dados de crescimento global, demanda por commodities e à reação dos bancos centrais. Ele também lembra que, em um ambiente de incertezas, a busca por oportunidades exige olhar atento para setores e empresas com atuação diversificada.

Os mais otimistas olham para uma possível queda nos juros americanos, o que poderia aliviar os mercados no médio e longo prazo. Mas, no curto prazo, o cenário ainda é incerto”, concluiu.

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