Mães atípicas fazem ato para conscientizar sobre neurodivergências em Canoas

Conscientizar é palavra de ordem entre as mães atípicas e a mais ouvida nesta quarta-feira (2), Dia Mundial do Autismo. E como forma de chamar a atenção para as neurodivergências, um grupo de mães e seus filhos carregando balões azuis fizeram uma caminhada pela Calçadão de Canoas e pela Rua 15 de Janeiro até o Paço Municipal, no Centro. 

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Caminhada passou pelo Calçadão de Canoas e pela rua 15 de Janeiro, no Centro



Caminhada passou pelo Calçadão de Canoas e pela rua 15 de Janeiro, no Centro

Foto: Paulo Pires/GES

Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Dislexia e outros transtornos de aprendizagem, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), síndrome de Tourette e Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) são alguns exemplos de condições que precisam de mais empatia e conhecimento da população. 

“O objetivo é uma conscientização. Fazer a sociedade buscar informações e que tenha um olhar mais humano para essa questão. Neurodivergência não é um problema clínico, é algo ligado ao neurotransmissores, não tem curo, mas tem um tratamento que precisa ser contínuo, regular e adequado”, explica a coordenadora do Mães Atípicas de Canoas, Rúbia Gewehr. A instituição acolhe cerca de 120 mães na cidade.

Esta é a terceira caminhada realizada neste ano que também conta com as associações Coração de Mãe e Rampa. “Mais uma vez nos reunimos para ir até o nosso poder público buscar mais acessibilidade e tratamento digno. Tudo conforme o que está na Constituição Federal”, reforça Rúbia, mãe de uma adolescente em processo de diagnóstico. 

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Para Josiane Teixeira, mãe da Manuela, 9 anos, e do João, 5, o movimento é uma maneira de mostrar para as pessoas um novo lado do autismo. “Eu quero que o autista pare de ser visto como uma pessoa doente e que seja esquecido. É um espectro que consegue fazer muitas coisas, tem muitas habilidade. A Manuela canta, toca vários instrumentos. É isso que as pessoas têm que visar”, afirma a integrante da Rampa. 

Luta constante

Este poderia ser o nome do meio de Lúcia Marcelino, que está na batalha há 32 anos. “Eu tenho um filho, o Alexandre, nível três de suporte e que tem deficiências múltiplas. Vivi uma fase de luto e depois de luta para buscar os direitos do meu filho”, conta. A parceria com outras mães torna a caminhada mais fácil, destaca Lúcia, que está a frente do Coração de Mãe. 

“Não temos suporte dentro da sociedade. Não temos o básico”, frisa. O grupo demanda por acesso a tratamentos fisioterápicos regulares e acesso à educação inclusiva de qualidade. 

“Queremos conscientizar os políticos porque se o tratamento é oferecido ainda na infância, criamos adultos funcionais. É sobre ter políticas públicas”, ressalta a Bruna Heissler, mãe de dois meninos autistas, de 17 e 8 anos. 

Monitores nas escolas

Nesta quarta-feira, a Prefeitura de Canoas anunciou o encaminhamento da contração de 500 monitores para a educação especial. Atualmente, a rede municipal conta com 91 profissionais nesta área. A Secretaria Municipal de Educação (SME) estima que os monitores estejam nas escolas no segundo semestre.  

O anúncio foi feito na presença de mães atípicas, no Auditório Sady Schwitz. “As mães que estão aqui entenderam que o Poder Público tem o seu tempo para desenvolver projetos. E podemos considerar isso uma conquista da sociedade, mas especialmente dessas mães atípicas, que não desistem, insistem e persistem”, afirmou a secretária Beth Colombo. 

 

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