Mitsubishi Electric quer Brasil como hub de serviços para América Latina

Robô da Mitsubishi Electric é exibido em showroom no escritório da empresa em Barueri (Foto: Mitchel Diniz | InfoMoney)

A japonesa Mitsubishi Electric, parte do conglomerado japonês do qual a Mitsubishi Motors também faz parte, vem apresentando crescimento de dois dígitos nos últimos nove anos com sua operação brasileira. Por aqui, a companhia atua na venda de produtos importados de sua matriz no Japão. O portfólio é variado – vai de equipamentos para automação industrial e sistemas de energia, até elevadores e aparelhos de ar-condicionado.

A empresa sinalizou que, futuramente, poderá ter uma linha de produção no país, diante da tendência de expansão. Na América Latina, a Mitsubishi Electric possui fábricas na Colômbia e no México. O Brasil, por sua vez, tem se diferenciado pela prestação de serviços, e a ideia é transformar a operação em um hub de assistência técnica para os países da América do Sul.

“Estamos vendo como melhorar nossa capacidade de prestação de serviço, tomando o Brasil como modelo e utilizando [o país] como um hub para a América do Sul”, afirmou Michael Corbo, representante-chefe das operações da Mitsubishi Electric nas Américas, em entrevista exclusiva ao InfoMoney.

O executivo, que também é CEO do braço da japonesa nos Estados Unidos, diz que o Brasil tem sido uma referência em suporte técnico, resolvendo, com rapidez, problemas que podem afetar a eficiência das linhas de produção de seus clientes.

“Conseguimos ver esse alcance [do suporte técnico prestado pelo Brasil] se estendendo até a Argentina, até a Colômbia e outros mercados. Temos uma redundância de clientes nessas localidades”, disse Corbo. Segundo ele, as discussões sobre esse tema estão em fase inicial, mas a previsão é que o Brasil se torne um hub regional de prestação de serviços em um futuro próximo.

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Do local para o global

Michael Corbo, CEO da Mitsubishi Electric nos EUA e executivo-chefe das operações da companhia nas Américas (Foto: Reprodução das redes sociais)

A Mitsubishi Electric é uma empresa centenária que, ao longo de sua trajetória, teve o seu país de origem como principal fonte de receita. O mercado doméstico segue relevante, porém mais de 50% dos negócios já são feitos fora do Japão. Nos nove meses do ano fiscal de 2025 (período entre 1º de abril e 31 de dezembro de 2024), a companhia obteve receitas de US$ 26,75 bilhões. Já no ano fiscal cheio de 2024, o faturamento foi de US$ 35,16 bilhões.

“O mercado doméstico é vital para a companhia, mas o crescimento está vindo de fora do Japão. É por esse motivo que a Mitsubishi Electric continua investindo em outros mercados, como América do Sul, América do Norte e Japão”, explicou Corbo.

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A operação da Mitsubishi Electric no Brasil é relativamente nova, começou em 2012. Hoje a companhia tem três escritórios no país – em Barueri (SP), Votorantim (SP) e Blumenau (SC) – e a previsão é abrir mais um no começo do ano que vem.

“Em um país com as nossas dimensões, precisamos de escritórios regionais, para estarmos mais próximos dos clientes”, afirmou Fabiano Lourenço, presidente da Mitsubishi Electric Brasil.

Mercado em expansão

Os principais clientes da operação brasileira estão na indústria de alimentos e bebidas, nos segmentos automotivo, agrícola, e mais recentemente, no de saneamento. O Marco Legal do setor, instituído em 2020, prevê investimentos massivos para a universalização de água e esgoto até 2030.

A Mitsubishi Electric Brasil ainda tem uma participação pequena no resultado global da empresa, mas também é vista com uma das operações com maior potencial de crescimento. Michael Corbo diz que o plano é seguir crescendo de forma orgânica no país e, enquanto não houver planos concretos de abrir uma fábrica por aqui, direcionar os investimentos para pessoas.

Além de programas de treinamento para funcionários, que incluem aulas no Japão, a Mitsubishi Electric tem uma plataforma aberta de ensino à distância onde disponibiliza mais de 30 cursos gratuitos na área de elétricos e eletrônicos. Cerca de 60 mil pessoas participam desses treinamentos.

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Tarifas de Trump e agenda climática

Corbo, natural de Ohio, tem quase 40 anos trabalhando para a Mitsubishi Electric nos Estados Unidos e ingressou na empresa em um momento de forte sentimento “anti-Japão” em seu país, relembra o executivo. Eram meados da década de 1980 e os japoneses estavam investindo pesado no setor imobiliário americano enquanto adesivos de buy american (compre dos americanos) se proliferavam.

Agora, ele testemunha mais uma onda de protecionismo se instaurar no país com a volta do republicano Donald Trump ao poder. “Todas as empresas, não só a Mitsubishi Electric, estão enfrentando o desafio das tarifas agora e encontrando formas de lidar com isso. É bastante impactante”, admite o executivo.

“Produzimos no México e temos tarifas sobre esses produtos. […] Temos que achar soluções que sejam aceitáveis para os stakeholders, principalmente, os nossos clientes. Por isso, precisamos ser bem diligentes em relação à forma que administramos o negócio”, complementa.

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Em relação às mudanças climáticas, outra agenda que está sendo atacada pelo governo Trump, Corbo afirma que a Mitsubishi Electric continua trabalhando para diminuir a dependência de combustível fóssil em seus produtos e soluções.

“Temos muitas oportunidades, em todo o mundo, para reduzir nossa pegada de carbono em diferentes setores. […] As mudanças climáticas são reais e precisam ser endereçadas. E existem formas de contribuir com isso por meio de nossos produtos. Estamos comprometidos com isso”, afirmou o executivo.

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