O quão seguro está o seu CDB do Banco Master?

Nos últimos dias a Faria Lima discute freneticamente sobre o Banco Master, mas o que o investidor de varejo realmente quer saber é o quão seguro está sua CDB.

Entre para o GRUPO GRATUITO DE WHATSAPP do BlockTrends e fique por dentro de tudo sobre Bitcoin.

Para fins de contexto, é importante dizer que O CDB é a sigla para Crédito de Depósito Bancário, um título de investimento que pertence à categoria de renda fixa, e com objetivo de captar recursos financeiros para o banco

Ou seja, é uma troca entre o banco e os investidores. Um meio do banco pedir dinheiro emprestado, e devolver esse dinheiro com uma taxa fixa de juros para quem emprestou. Uma renda fixa para quem confiou que o banco vai pagar, como o próprio nome já diz.

Sobre Master, CDB e aquisição pelo BRB

O Banco Master tem uma fama grande em oferecer CDB com rendimentos altos, e o faz com operações de risco em precatórios e stressed assets (reestruturação de negócios que estão de mal a pior).

Em outras palavras, ele pega muito dinheiro emprestado, e por meio de operações elaboradas acredita que vai pagar a juros mais altos que o mercado geralmente pratica .

Outra informação importante de saber é que, no final deste mês, o Banco Regional de Brasília (BRB), um banco estatal do Distrito Federal, anunciou a aquisição de 58% do capital total do Banco Master por cerca de R$ 2 bilhões.

Por isso, um alerta acendeu na cabeça da Faria Lima. Por qual motivo o Banco Master estaria vendendo mais de metade do seu capital? E foi assim que o medo do banco ser insolvente com um rombo nas contas fixou-se na cabeça do mercado financeiro.

Para além disso, se realmente o Banco Master estiver insolvente, a pergunta inicial retorna: o quão seguro está sua CDB. Mais simples ainda, se o banco está tão mal das pernas, como ele vai pagar o dinheiro que você emprestou a ele?

Entre para o GRUPO GRATUITO DE WHATSAPP do BlockTrends e fique por dentro de tudo sobre Bitcoin.

Resultados do Banco Master

Na terça-feira, 1º de abril de 2025, o Banco Master divulgou seu balanço de 2024, revelando um lucro líquido de R$ 1,068 bilhão. Um crescimento de 100,7% em relação aos R$ 532 milhões de 2023.

O patrimônio líquido alcançou R$ 4,74 bilhões (ante R$ 2,38 bilhões em 2023), e os ativos totais cresceram 74,3%, para R$ 63,015 bilhões.

O retorno sobre patrimônio (ROE) foi de 28,5%, um número impressionante, superior ao de grandes bancos como o Itaú (22,4%). A carteira de crédito chegou a R$ 40,31 bilhões, e as receitas com crédito e títulos mobiliários cresceram 54,16% e 47,71%, respectivamente.

De forma geral, esta última significa que apesar do banco adicionar agressivamente a quantidade de dívida com os CDBs e outros títulos de renda fixa que oferece (passivo no balanço), também adicionou bastante dinheiro a receber, que emprestou para pessoas ou instituições financeiras (carteira de crédito).

Além disso, essa expansão foi financiada majoritariamente por captações, como CDBs e LCIs, que cresceram rapidamente.

Portanto, a pergunta se o Master tem liquidez para pagar seus credores permanece. Em suma, apesar desses números positivos, há ceticismo no mercado.

Alguns analistas questionam se esses resultados refletem uma estratégia sustentável ou se mascaram riscos, como a dependência de captações caras (CDBs e LCIs) e investimentos arriscados e sem liquidez, como precatórios e empresas em recuperação judicial.

Precatórios, ativos ilíquidos

A maior preocupação sobre os ativos ilíquidos é que sim, o banco cresceu, mas com ativos de risco. O banco acumulou R$ 7 bilhões a R$ 8,7 bilhões em precatórios e direitos creditórios de ações judiciais, ativos difíceis de liquidar.

São aquelas operações de risco, que deveriam gerar um lucro necessário para pagar quem emprestou dinheiro para o banco.

São, resumidamente, processos que a União perdeu e agora deve dinheiro. Mas a contraparte não quer esperar a burocracia do Estado, e neste momento o Master entra.

Nestas operações de precatórios, o banco paga a quem a União deve, com uma diferença de preço, e entra no processo.

Agora, quem vai receber o dinheiro é o banco que tem paciência e teoricamente estrutura para esperar o pagamento na íntegra e então lucrar com a diferença.

Além disso, os ativos estressados, que são investimentos em empresas em dificuldade financeira. Essa cesta de operações reforça a dúvida: o banco tem liquidez suficiente para pagar todos os CDBs?

Entre para o GRUPO GRATUITO DE WHATSAPP do BlockTrends e fique por dentro de tudo sobre Bitcoin.

Se o banco não pagar, o FGC paga?

O FGC é uma entidade privada sem fins lucrativos que protege investidores em caso de falência ou problemas financeiros do banco emissor.

Para LCIs e LCAs, assim como para CDBs, o FGC cobre até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira, com um limite global de R$ 1 milhão por grupo econômico em um período de quatro anos.

Isso significa que, se você investiu menos de R$ 250 mil nessa LCI, está protegido caso o Banco Master enfrente dificuldades financeiras graves.

No entanto, se o valor investido for superior a R$ 250 mil, o excedente não estará coberto, e você correria o risco de perdas parciais ou totais.

Recentemente, o FGC tem enfrentado pressões devido à concentração de depósitos em bancos menores, como o Banco Master, que, segundo dados do Banco Central, tinha R$ 45,6 bilhões em depósitos a prazo em junho de 2024, a 11ª maior carteira do país.

Isso representa cerca de 42% da liquidez total do FGC, estimada em R$ 107,8 bilhões no mesmo período.

Uma eventual crise no Banco Master poderia tensionar os recursos do FGC, levantando preocupações no mercado sobre sua capacidade de cobrir todos os investidores em caso de colapso.

Em dezembro de 2024, o banco tinha cerca de R$ 50 bilhões em depósitos, quase metade da liquidez do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que protege depósitos de até R$ 250 mil por CPF por instituição.

O conteúdo O quão seguro está o seu CDB do Banco Master? aparece primeiro em BlockTrends – Blockchain Notícias | Investimentos | Economia.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.