Acesso, permanência e aprendizado: os desafios da educação no RS discutidos em Novo Hamburgo

A importância da gestão municipal para garantir os direitos na educação foi o tema central da manhã desta quinta-feira (3) no 35º Fórum Estadual Ordinário de Educação do RS e Região Sul, realizado no Teatro Feevale, em Novo Hamburgo. Especialistas e representantes de diferentes esferas da educação pública e privada debateram o Regime de Colaboração, modelo que busca fortalecer a articulação entre municípios, Estado e União na formulação e execução de políticas educacionais.

  • SIGA O ABCMAIS NO GOOGLE NOTÍCIAS!

Fórum ocorreu no palco do Teatro Feevale | abc+



Fórum ocorreu no palco do Teatro Feevale

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Com a presença da secretária estadual da Educação, Raquel Teixeira, e de líderes de entidades, o painel abordou desafios e caminhos para assegurar o acesso e a qualidade da educação em todas as etapas do ensino. Entre os temas debatidos, esteve a responsabilidade compartilhada entre os entes federativos para garantir recursos, infraestrutura, formação de professores e inclusão de todos os estudantes no processo educacional.

Os desafios centrais da educação no RS

A presidente da Região Sul da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Maristela Guasselli, que mediou o painel, destacou que os desafios da educação podem ser resumidos em três eixos principais: acesso, permanência e aprendizado. Segundo ela, garantir que crianças e adolescentes tenham vaga na escola, condições e transporte para chegar até ela é o primeiro passo. Depois, vem o desafio de manter esses alunos estudando até a conclusão do ensino fundamental e médio, evitando a evasão escolar. E, por fim, assegurar que saiam da escola realmente preparados para a vida.

“A permanência com aprendizagem é o maior desafio do século. A competição com outros meios de informação e comunicação está cada vez maior, e precisamos preparar nossas crianças para o futuro, com investimentos e planejamento a longo prazo”, afirmou Maristela.

Além desses desafios, outro entrave recorrente é a falta de continuidade das políticas educacionais, afetadas por trocas de governos municipais. No auditório do evento, estavam centenas de gestores públicos, muitos dos quais assumiram cargos neste ano, com o início de novas administrações municipais. A preocupação com a descontinuidade foi reforçada pelo coordenador estadual da UNCME/RS, Charles Henrique Rosa: “A descontinuidade é o desastre da educação. E nas trocas de gestão isso ocorre muito. Precisamos cada vez mais de uma política pública de Estado, não de governo”, destacou.

A secretária estadual da Educação, Raquel Teixeira, também chamou atenção para essa questão e enfatizou a necessidade de união entre diferentes esferas da administração para garantir avanços. “O grande adversário da educação no Brasil é a falta de continuidade. Precisamos entender que educação tem que ser uma política de Estado, não de governo. No Rio Grande do Sul, 86% das crianças e jovens estão nas escolas públicas. É na sala de aula que construímos o futuro. E precisamos de todos juntos nessa missão”, afirmou.

Falta de professores e inclusão

Outro problema estrutural levantado durante o fórum foi a falta de professores, associada tanto à baixa atratividade da profissão quanto ao aumento da demanda por inclusão. O reitor da Universidade Feevale, José Paulo da Rosa, destacou que as redes de ensino têm enfrentado dificuldades para contratar docentes, especialmente diante do crescimento do número de alunos que precisam de atendimento especializado.

“Em algumas redes, 10% dos alunos precisam de atendimento especial e, muitas vezes, de tutores. Isso cria desafios para os professores, que precisam lidar com formas de ensino diferenciadas na sala de aula. Além disso, os melhores estudantes costumam optar por outras profissões, o que reduz ainda mais o número de novos professores disponíveis”, explicou.

Diante desse cenário, conforme Rosa, a universidade tem investido na formação de professores e na pesquisa de soluções para os desafios da educação.

Colaboração para otimizar recursos

A necessidade de um planejamento educacional que vá além de ciclos políticos também foi defendida pelo presidente da FAMURS, Marcelo Arruda. Segundo ele, a gestão municipal precisa buscar estratégias para otimizar recursos e garantir a sustentabilidade das políticas públicas. “Precisamos nos aproximar para otimizar recursos, transporte escolar, professores. Quanto melhor usarmos os recursos, mais sobra para novos investimentos. É necessário pensar na cidade não só pelos próximos quatro anos, mas para 10, 30 anos, para que possamos avançar”, afirmou.

Presidente da FAMURS, Marcelo Arruda | abc+



Presidente da FAMURS, Marcelo Arruda

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

O debate promovido no Fórum Estadual de Educação reforçou que a construção de uma educação pública de qualidade depende da colaboração entre municípios, Estado e União. “Essas crianças são o diamante que nós temos para definir o futuro. É preciso uma aldeia para educar uma criança”, finalizou a secretária de Educação, Raquel Teixeira.

Participaram do fórum:

  • Raquel Teixeira – Secretária de Estado da Educação do RS
  • Marcelo Arruda – Presidente da FAMURS
  • Fátima Ehlert – Presidente do CEEd-RS
  • Lucas Giacomel – Centro de Políticas Públicas do TCE/RS
  • Cristiane Corrales – Promotora de Justiça do MP/RS e Coord. CAOEIJ
  • Maristela Guasselli- Presidente da UNDIME/RS
  • Oswaldo Dalpiaz – Presidente do SINEPE/RS
  • Charles Henrique Rosa – Coordenador Estadual da UNCME/RS
  • José Paulo da Rosa – Reitor Universidade Feevale
  • Edineide Almeida – Coordenadora Institucional Undime Nacional
  • Daniella Rocha Magalhães – Oficial de Educação UNICEF Brasil

Novo Hamburgo no Alfabetiza Tchê

Apesar de não ter escolas entre as premiadas na cerimônia do programa Alfabetiza Tchê, realizada no mesmo Teatro Feevale na manhã de quarta-feira (2), Novo Hamburgo terá unidades de ensino beneficiadas pela iniciativa. Seis escolas municipais receberão apoio do governo do Estado a partir do programa, conforme divulgado pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc).

Por isso, a Secretaria Municipal de Educação (SMED) se reunirá em breve com as direções das escolas Professora Adolfina Diefenthaler, Harry Roth, Darcy Borges de Castilhos, Machado de Assis, Presidente Prudente de Moraes e Monteiro Lobato para aprimorar as ações e estratégias de ensino.

Ao todo, 200 escolas foram premiadas e outras 200 receberam apoio do programa | abc+



Ao todo, 200 escolas foram premiadas e outras 200 receberam apoio do programa

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Lançado em março de 2024, o programa busca garantir a alfabetização plena até o 2º ano do Ensino Fundamental, em parceria com os 497 municípios do estado. Na área de cobertura do Grupo Sinos, 19 escolas foram premiadas e outras 25, como Novo Hamburgo, receberam apoio.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.