“Briga de Davi contra Golias”: Veja análise de especialista da região a partir do tarifaço Trump

Depois do tarifaço de 25% sobre importações de aço e alumínio, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou, na última quarta-feira (2), tarifas adicionais para produtos vindos de diferentes países. A taxa para importações de produtos brasileiros ficou em 10%.

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Foto: Fotos Públicas

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De acordo com o vice-presidente de Economia da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti, André Momberger, ao analisar o cenário macroeconômico a medida de Trump não é nada boa.

“Ela vai travar um pouco do comércio no mundo inteiro, ela encarece comércio. Se algumas nações usarem tarifas recíprocas, sobe o preço para o consumidor americano e para onde os Estados Unidos exportam também. Vamos começar a exportar inflação. E para um mundo que mal conseguiu debelar a inflação pós-pandemia, receber tarifas não é boa notícia. Traz inflação, trava o comércio entre nações e traz relações conflituosas. Quem mais apanhou (com novo tarifaço) foi o sudeste asiático. Juntando a taxa que existia em alguns países passa de 50% de alíquota. E governo Trump sempre no estilo ‘morde e assopra’ e do tipo ‘somos todo poderosos e vocês terão que curvar a nós’”, afirma Momberger.

Já quando a análise parte apenas do cenário brasileiro, o vice-presidente da ACI considera que “foi menos pior do que poderia ter sido.”
“A alíquota de 10% é a mais baixa de todas anunciadas por Trump, tirando aço e alumínio que já estava definido com 25%. Este novo impacto acaba não sendo tão relevante. Temos que lembrar que nossa relação com EUA é desfavorável, eles têm superávit em relação a nós e este é o critério que foi usado por eles”, explica André Momberger.

O especialista em finanças acredita que muita coisa ainda pode acontecer. “Podem haver mudanças para melhor. Pior que o pacote de ontem (2) não fica. Logo após o anúncio, as bolsas do mundo todo ‘derreteram’, o dólar caiu, foi algo muito mal visto. As ações da Apple caíram, já que terá que tarifar 30% a mais o que traz da Ásia”, diz.

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Como governo deve reagir?

O governo brasileiro havia se antecipado ao novo anúncio de Donald Trump. Na última terça-feira (1), a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou o projeto de lei 2.088/2023 de reciprocidade comercial que, permite ao governo brasileiro retaliar medidas comerciais que prejudiquem os produtos do país no mercado internacional.

“A aprovação das tarifas recíprocas aprovada pelo nosso congresso é algo muito importante. Se quiser, evidentemente, poderia impor as mesmas tarifas. Mas, eu vejo como uma briga de David contra Golias. Temos que ter muito cuidado neste processo todo, mas já temos a prorrogativa. Se tomar uma amplitude muito ruim, vamos retaliar também. No entanto, acredito que para o Brasil isso não seria interessante”, afirma Momberger.

Indústria calçadista

O vice-presidente de Economia da ACI também fala sobre os possíveis impactos para a indústria calçadista, motor da economia da região. “O calçado é um grande vencedor desta história, com as tarifas ainda maiores para outros países aumenta drasticamente nossa competitividade. Mas tudo ainda é preliminar. Acho que ainda terá muita negociação. Embaixadores vão sentar na mesa e poderemos ter alterações. Conhecendo o modelo do Trump ele deve ter pedido mais para ganhar o que ele quer”, conclui Momberger, que lembra que a medida precisa ainda da aprovação do congresso americano.

“A medida foi feita como projeto de lei. A medida definitiva só vale com aprovação do congresso, ele precisa vencer isso no parlamento americano, que pode derrubar a tarifa, como aconteceu no caso do Canadá, que foi estendida também para o México.”

 

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