BYD Song Pro DM-i combina o melhor de dois mundos, mas ainda falta alguns pontos | Avaliação

Enquanto alguns acreditam em um futuro livre de poluentes, outros apostam nos híbridos, valorizando a versatilidade de não dependerem totalmente da eletricidade. Diante disso, algumas montadoras até adiaram seus planos para uma mobilidade 100% limpa, levantando uma questão: os híbridos são, afinal, a melhor escolha?

Combinar um motor a combustão com uma unidade elétrica não é nenhuma invenção moderna. O primeiro híbrido da história foi o Lohner-Porsche Semper Vivus, criado em 1900 por Ferdinand Porsche. Hoje, a marca que leva seu nome segue apostando nessa tecnologia, oferecendo versões híbridas do SUV Cayenne e do sedan Panamera.

A BYD não fica para trás. Dos 13 modelos que vende no Brasil, cinco são híbridos. Um deles é o SUV plug-in Song Pro DM-i, disponível em duas versões: GL (R$ 194.800) e GS (R$ 204.800). Uma diferença entre elas está no tamanho da bateria. E o Song Pro DM-i disputa a atenção no segmento com o Toyota Corolla Cross.

BYD Song Pro Dm-i parado de traseira
BYD Song Pro DM-i [Auto+ / Rafael Déa]

Mais barato que o irmão Song Plus DM-i, que custa R$ 244.800, e também mais acessível que o Song Plus Premium DM-i (R$ 299.800), o Song Pro DM-i teve que fazer algumas concessões no pacote de equipamentos de série, afinal, para ficar competitivo teve que abrir mão de alguns itens.

Meu nome é BYD Song Pro DM-i

O SUV da Build Your Dreams (BYD) é sustentado por uma plataforma, que confere 4,73 m de comprimento, 1,86 m de largura, 1,71 m de altura e 2,71 m de entre-eixos. Aliás, o primeiro modelo do fabricante chinês com o sobrenome Pro à venda no Brasil, na ponta da fita métrica, é maior no comprimento que o Song Plus DM-i. Quer ver?

De um para-choque ao outro, o Song Plus DM-i mede 4,70 m, enquanto o Song Pro DM-i é um pouco maior, com 4,73 m. Mas em outras dimensões, o Plus leva vantagem, além de oferecer um acabamento mais refinado e um pacote de equipamentos mais completo. Segue a lógica do fabricante, que sempre posiciona os modelos Plus acima dos Pro.

BYD Song Pro azul parado de lateral
BYD Song Pro DM-i [Auto+ / Rafael Déa]

O design clean da carroceria destaca linhas bem marcadas, enquanto os faróis Full-LED exibem uma assinatura luminosa dividida em três seções. A grade frontal lembra o estilo Single Frame da Audi, com elementos tridimensionais. Já as maçanetas das portas seguem o padrão tradicional, diferentemente das aerodinâmicas usadas no Dolphin e no Dolphin Mini.

Outro detalhe da lateral aparece no aplique na coluna C e nas rodas de liga leve. Apesar de parecerem pequenas, elas possuem 18 polegadas e são calçadas por pneus de medidas 225/60. Na traseira, as lanternas contínuas invadem a tampa do porta-malas de 520 litros, com a tampa motorizada trazendo comando interno para a abertura/fechamento.

Como é a cabine?

Com 4,73 m de comprimento e 2,71 m de entre-eixos, o Song Pro oferece espaço para até cinco passageiros. O acabamento e a escolha dos materiais são bons, embora fiquem um nível abaixo dos modelos Song Plus e Song Plus Premium. Ainda assim, há muitas superfícies macias ao toque, além de detalhes em Black Piano.

A posição de dirigir merece destaque. É fácil encontrar um ajuste confortável, e o volante multifuncional de três raios, com aro fino e ótima empunhadura, contribui para a experiência. Os bancos frontais elétricos, feitos com espuma de boa densidade e toque macio, também ajudam no conforto, oferecendo um desenho que evita o cansaço mesmo em viagens longas.

O Song Pro DM-i é um SUV confortável, e sua cabine traz um toque do Dolphin, especialmente na combinação de tons cinza, laranja e branco — que, apesar de estilosa, pode sujar com facilidade no dia a dia. Ainda assim, a qualidade do interior salta aos olhos logo de cara.

Um clássico da BYD é o multimídia giratório, e no Song Pro DM-i ela tem 12,8 polegadas, compatível com Android Auto e Apple CarPlay. O conjunto de telas se completa com o quadro de instrumentos digital de 8,8 polegadas. No entanto, há um ponto negativo: os comandos dos vidros elétricos e alavancas de seta/limpador de para-brisas, parecem saídos dos anos 2010.

BYD Song Pro DM-i [Auto+ / Rafael Déa]

E quem viaja na segunda fileira?

Quem viaja na segunda fileira aproveita um bom nível de conforto, graças aos 2,71 m de entre-eixos, que garantem espaço para as pernas e joelhos. O encosto traseiro tem ajuste de inclinação, e o assoalho plano facilita a vida do quinto ocupante. Para completar, há saídas de ar e entradas USB exclusivas para os passageiros de trás.

O bom padrão de acabamento da dianteira se repete na parte traseira. Mas, o teto solar não está disponível. Apesar disso, há carregador de celular por indução, chave presencial, banco com ajuste elétrico, ar-condicionado digital de duas zonas, sistema de câmeras 360°, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro.

Além disso, uma funcionalidade bacana está na possibilidade de ajustar a temperatura do ar-condicionado e a intensidade do vento diretamente pelo painel de instrumentos, o que ajuda na praticidade. Bela sacada da BYD!

Acima de tudo é um carro prazeroso de guiar

Ao volante, o BYD Song Pro DM-i se mostra um SUV agradável de dirigir, graças à combinação do motor 1.5 de quatro cilindros com a unidade elétrica. A diferença entre as versões GL e GS está na potência e na capacidade da bateria.

A versão GL entrega 223 cv, enquanto a bateria é de 12,9 kWh, o que garante um alcance livre de poluentes de até 49 km. Já a configuração avaliada GS entrega 235 cv, com uma bateria de 18,3 kWh. A autonomia puramente elétrica é de até 68 km.

Com a bateria carregada, as respostas ao acelerador empolgam, e o Song Pro DM-i ganha velocidade sem esforço, apesar dos 1.700 kg. Ágil nas arrancadas, ele prioriza o uso da eletricidade, entregando acelerações vigorosas e um rodar extremamente silencioso. O mérito também vai para o bom isolamento acústico da cabine, que conta com vidros grossos e materiais isolantes de qualidade.

O motor a combustão entrega 98 cv e 12,4 kgfm, sendo capaz de mover o SUV híbrido plug-in sozinho, embora com respostas mais contidas. Assim como no GWM Haval H6, o ideal é manter a bateria do sistema híbrido sempre carregada, garantindo melhor desempenho e menor consumo de combustível. No entanto, ela nunca fica descarregada.

BYD Song Pro azul parado de frente e visto do alto
BYD Song Pro DM-i [Auto+ / Rafael Déa]

Dinâmica e consumo do BYD Song Pro DM-i

É possível sentir a transição entre os motores térmico e elétrico por conta do maior ruído. Além dos 235 cv, o BYD Song Pro DM-i GS também se destaca pela dinâmica e pelo conforto. A suspensão adota arquitetura McPherson na dianteira e multibraço na traseira, oferecendo um rodar confortável e lidando bem com o asfalto irregular.

A calibração macia das suspensões garante conforto, mas cobra seu preço em curvas mais rápidas, onde a carroceria inclina levemente. A direção elétrica é bem leve, facilitando manobras e balizas, mas poderia transmitir mais conexão em altas velocidades — mesmo no modo Sport, que a deixa um pouco mais firme.

BYD Song Pro DM-i [Auto+ / Rafael Déa]

Segundo o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro, o BYD Song Pro registra médias de 15,2 km/l na cidade e 12,2 km/l na estrada. Já no modo 100% elétrico, os números equivalem a 40,6 km/l e 32 km/l, respectivamente. Além disso, o SUV recupera energia para a bateria sempre que o pedal do freio é acionado ou nas desacelerações.

O sistema de regeneração pode ser ajustado, permitindo conduzir o BYD apenas com o pedal do acelerador. Outro destaque são os modos de condução, que alteram a forma como o desempenho é entregue.

Bocal de carregamento do BYD Song Pro DM-i
BYD Song Pro DM-i [Auto+ / Rafael Déa]

Também é possível recarregar a bateria com o carro em movimento, usando o motor a combustão como gerador. Essa solução é semelhante à disponível em alguns Volvo, mas o ruído do motor térmico invade a cabine, e o consumo acaba sendo mais alto. Na hora de recarregar, o Song Pro aceita carga de até 6,6 kW, porém traz opção de recarga rápida.

Veredicto

O BYD Song Pro DM-i se destaca pela qualidade construtiva e pela experiência de condução auxiliada pela eletrificação. No entanto, peca pela ausência de alguns equipamentos, como assistentes de condução e mimos extras, a exemplo do teto solar panorâmico.

Se você faz questão do controlador de velocidade adaptativo (ACC) ou uma frenagem autônoma de emergência, em um carro de mais de R$ 200.000, a recomendação é pular direto para o Song Plus ou quem sabe para o Song Plus Premium. 

O que você acha dos carros da BYD? Acredita que o futuro será 100% elétrico ou os híbridos são a melhor escolha? Compartilhe sua opinião nos comentários!


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