Cidade italiana vende casas por apenas 1 euro. Mas vale pena?

Uma nova oportunidade surge para quem deseja adquirir um imóvel na Itália, na cidade de Penne, na região de Abruzzo. Com a proposta de venda de imóveis por apenas um euro (R$ 6,17**), o município busca atrair novos moradores e impedir o esvaziamento do seu centro histórico.

Diferentemente de outros programas semelhantes no país, Penne não exige caução dos compradores, mas apenas que os novos proprietários se comprometam a reformar as casas em até três anos.

A prefeitura ainda oferece suporte técnico de arquitetos e especialistas para auxiliar nas reformas, uma abordagem que visa facilitar a vida dos novos moradores e incentivar a restauração do patrimônio local.

Cidade de Penne, na Itália – Imagem: Abruzzoturismo.it

Como comprar casa na Itália por um euro?

Desde 2022, três casas foram inicialmente vendidas, seguidas por outras três no final do mesmo ano, e o novo lote deverá ser disponibilizado em breve. Em caso de disputa por um imóvel, o comprador com o melhor plano de reforma é favorecido. As propriedades variam de 70 a 120 metros quadrados e muitas ainda conservam características históricas, embora necessitem de reparos extensivos.

O prefeito Gilberto Petrucci destaca a importância do programa para revitalizar o centro histórico da cidade. Penne tem atualmente cerca de 1.200 habitantes, dos quais apenas mil residem no centro, o que representa uma ameaça de transformação em cidade fantasma. Com mais de quarenta prédios vazios, a iniciativa visa repovoar essa área importante para o país.

Penne se beneficia de uma localização privilegiada, entre as montanhas do Gran Sasso e a costa do Adriático. Essa posição estratégica permite fácil acesso tanto a praias quanto a estações de esqui.

Além disso, a região é rica em gastronomia, por oferecer delícias como azeite de oliva extravirgem, vinhos renomados e pratos típicos, como o timballo e os arrosticini.

Outras iniciativas similares

Diversas cidades italianas adotaram programas semelhantes nos últimos anos, especialmente no sul do país. Locais como Sicília e Sardenha atraíram novos moradores com propostas similares.

Mussomeli, na Sicília, é um dos exemplos mais conhecidos, tendo iniciado seu programa em 2017 para revitalizar a região.

Regras diferentes, burocracias e garantias

Cada prefeitura do país determina suas condições para a compra dos imóveis. Em Mussomeli, por exemplo, é necessário visitar o local para entender as despesas envolvidas na reforma. O processo não pode ser feito remotamente, a menos que se contrate um intermediário.

Além disso, os compradores enfrentam uma série de burocracias, como a criação da escritura pública e o início das obras em até dois meses. Ademais, é necessário depositar 5 mil euros como caução (exceto em Penne) para assegurar a conclusão do projeto dentro de três anos.

Desafios e considerações

Segundo a professora de economia da ESPM, Cristina Helena de Mello, em entrevista ao portal e|investidor, do Estadão, as casas são geralmente tombadas e exigem reformas especializadas. A falta de herdeiros ou os altos custos de manutenção frequentemente resultam na posse dos imóveis pelas prefeituras.

A viabilidade financeira do empreendimento é outro ponto crucial, pois é importante avaliar se é possível alugar ou encontrar trabalho na região. Caso contrário, pode ser mais vantajoso optar por imóveis já reformados em áreas próximas.

Como monitorar oportunidades

As ofertas por casas a um euro têm alta demanda e não são amplamente divulgadas. Para se manter informado, é essencial monitorar os sites das prefeituras participantes. Atualmente, em Mussomeli, todas as propriedades estão vendidas, mas Sant’Elia a Pianisi conta com oito opções disponíveis.

Outro país que adotou uma abordagem semelhante é a Irlanda, que paga para reformar casas em ilhas afastadas. Os valores oferecidos variam entre 60 mil e 84 mil euros, como forma de incentivar a população em declínio.

Portanto, apesar de atraente, a compra de imóveis por um euro exige planejamento cuidadoso e compreensão das complexidades envolvidas. Para muitos, essa pode ser uma oportunidade única de investir em um projeto de vida em um local histórico.

* Com informações da revista Veja e do portal e|investidor, do Estadão.

** Valor de conversão consultado no dia 20 de março de 2025.

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