Grupo Constantino investe em trens enquanto Gol segue em queda livre

A queda livre da Gol parece não ter fim. Em mais um episódio da derrocada, o vice-presidente Financeiro e diretor de Relações com Investidores da companhia deixou o cargo. Eduardo Guardiano Leme Gotilla ficou no posto por pouco mais de dez meses. No período, assinou um balanço que mostra o declínio da companhia: prejuízo de R$ 6 bilhões, só em 2024.

A companhia aérea pertence à família Constantino. Mas nem tudo é turbulência para as empresas da família. Enquanto a Gol despenca, outra companhia decola e parece encontrar céu de brigadeiro no horizonte: a Comporte.

Na última semana, o grupo venceu concorrência realizada na B3 e vai assumir a operação de três linhas três linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM): 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.

A Comporte ofereceu 2,57% de desconto sobre os pagamentos que receberá do governo paulista, com valor máximo de R$ 1,49 bilhão por ano. Contratos de concessão preveem que o poder público pague à empresa pela prestação do serviço.

Com a proposta, levou a concessão por 25 anos. O investimento previsto é de R$14,3 bilhões.

No fim de fevereiro, o grupo venceu, em consórcio com a empresa chinesa CRRC, o leilão pelo Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte, que ligará São Paulo a Campinas. O leilão foi definido a partir da seleção do participante que oferecesse o maior desconto em relação ao valor máximo de contraprestação, de R$ 8,06 bilhões. A oferta foi de 0,01%.

O prazo de concessão é de 30 anos e o investimento previsto é de R$ 14,2 bilhões. Ou seja, em menos de um mês a Comporte assumiu dois negócios bilionários, que vão contar com investimentos do governo e que serão operados pela companhia durante décadas.

Antes dos leilões, a Comporte já era gigante. A companhia controla diversas empresas de ônibus no estado de São Paulo. Entre suas operações estão a Viação Piracicabana e o VLT entre Santos e São Vicente através da subsidiária BR Mobilidade. A empresa também desenvolve aplicativos como Mobifácil e 4Bus para venda de passagens rodoviárias. Em 2024, a Comporte registrou receita líquida de R$ 3,2 bilhões.

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