Identidade falsa: nome de juiz tem referências na literatura inglesa

São Paulo — O nome usado pelo juiz denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) de falsidade ideológica tem referências na literatura inglesa, em clássicos de Charles Dickens e Geoffrey Chaucer. Partes do sobrenome também podem ser conectadas a uma cidade da Inglaterra e à história do Rei Artur, da cultura medieval da região.

Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield, foi a alcunha utilizada por José Eduardo Franco dos Reis por mais de 40 anos, segundo a denúncia do Ministério Público.

Os dois primeiros nomes, Edward Albert, são os mesmos do autor do livro “História da Literatura Inglesa”, publicado pela primeira vez em 1923, na Grã-Bretanha. Lancelot, por sua vez, é o nome do homem que tem um caso com a esposa do Rei Artur, na famosa história medieval europeia.

Já Canterbury lembra “The Canterbury Tales”, a coleção de histórias de Geoffrey Chaucer, enquanto Caterham é o nome de uma cidade inglesa. Wickfield, por fim, é o sobrenome da personagem Agnes Wickfield, do romance David Copperfield, de Charles Dickens.

Entenda o caso

A investigação do MPSP aponta que o ex-juiz nasceu em Águas da Prata, no interior de São Paulo, e enganou uma série de instituições públicas se passando por Edward, um “descendente de nobres britânicos”, como afirmou em uma entrevista em 1995. Com a identidade falsa, ele entrou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e construiu carreira no meio jurídico.

“Com a cédula de identidade e demais documentos, sob a persona fictícia de Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield, o denunciado José Eduardo Franco dos Reis, dentre outros possíveis usos da documentação ideologicamente falsa em atos da vida civil, ingressou no curso de Direito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde se formou em 1992. Em 1995, foi aprovado no concurso de Juiz de Direito, passando a exercer a magistratura até a aposentadoria”, afirma o MPSP.

O magistrado se aposentou da 35ª Vara Cível Central da Comarca de São Paulo em abril de 2018. Segundo o Portal da Transparência do TJSP, o ex-juiz teve vencimento bruto no valor de R$ 166.413,94 em fevereiro deste ano. O valor considera gratificações, indenizações e outras vantagens. O rendimento líquido fica em R$ 143.290,55.

O Metrópoles não conseguiu contato com José Eduardo. O espaço segue aberto para manifestação

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