“Indo bem”, diz Trump após pior dia das bolsas de Nova York desde 2020

Mercados globais tiveram um dia de forte turbulência nesta quinta-feira (3/4), após o anúncio de tarifas sobre produtos importados feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nessa quarta (2/4). Apesar da reação negativa dos investidores, o republicano minimizou os efeitos e disse que tudo “está indo muito bem”.

Os principais índices das bolsas norte-americanas registraram suas maiores quedas em um único dia desde 2020, ano marcado pelo início da pandemia de Covid-19. O Nasdaq, que concentra ações do setor de tecnologia, liderou as perdas com recuo de 5,97%, fechando aos 16.550,60 pontos. O S&P 500 caiu 4,84%, aos 5.396,52 pontos, e o Dow Jones perdeu 3,98%, encerrando o dia com 40.545,93 pontos.

Ao ser questionado sobre o impacto das medidas nos mercados, Trump manteve o tom otimista.

“Acho que está indo muito bem. Foi como uma operação. E é algo grande. Eu disse que seria exatamente assim”. Ele acrescentou que, com o tempo, os mercados e a economia norte-americana devem se fortalecer, argumentando que outros países buscarão novos acordos comerciais com os Estados Unidos.

As tarifas, que seguem uma lógica de reciprocidade baseada no déficit comercial dos EUA com seus parceiros, foram anunciadas como parte do que Trump chamou de “Dia da Libertação”. Segundo o presidente, a intenção é reduzir a dependência dos Estados Unidos de produtos estrangeiros.

Países da Ásia e do Oriente Médio foram os mais atingidos, com tarifas que chegam a ultrapassar os 40%. A China, por exemplo, teve seus produtos taxados em 34%. Já Vietnã, Bangladesh e Tailândia enfrentaram tarifas de 46%, 37% e 36%, respectivamente. A Coreia do Sul e o Japão receberam taxas de 25% e 24%.

A Europa também foi duramente impactada. Produtos do Reino Unido passaram a ter tarifa de 10%, enquanto a Suíça foi taxada em 31%. O Brasil, por outro lado, ficou entre os países menos afetados, com alíquota de 10%.

A reação negativa do mercado está ligada ao temor de que as novas tarifas encareçam produtos e insumos, pressionem a inflação e reduzam o consumo interno nos Estados Unidos.

Bolsas ao redor do mundo

O reflexo das medidas protecionistas também foi sentido fora dos Estados Unidos. As principais bolsas da Europa e da Ásia fecharam em queda. O índice Euro Stoxx 50, que reúne ações de grandes empresas europeias, caiu 3,57%.

Na Alemanha, o DAX recuou 3,08%; na França, o CAC 40 teve queda de 3,31%; e na Itália, o índice local caiu 3,55%. O FTSE 100, do Reino Unido, cedeu 1,55%, enquanto o índice SMI, da Suíça, caiu 2,50%.

Na Ásia, o índice Nikkei 225, do Japão, recuou 2,73%, e o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 1,52%. A bolsa da Coreia do Sul caiu 0,76%, enquanto a da Tailândia caiu 0,93%. Na Índia, o índice Nifty 50 teve queda mais branda, de 0,35%.

O mercado de câmbio também sentiu os efeitos. O dólar perdeu força globalmente, com o índice DXY — que mede o desempenho da moeda norte-americana em relação a uma cesta de moedas estrangeiras — recuando 1,67%, para 102,073 pontos, o menor nível desde outubro do ano passado.

No Brasil, o impacto foi mais limitado. O dólar caiu 1,23%, fechando cotado a R$ 5,62, o menor valor desde 14 de outubro. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve leve queda de 0,04%, encerrando o dia aos 131.141 pontos

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