Mundo pós-tarifaço: mercado aguarda revanche da China e da Europa

Os mercados globais desabaram na manhã desta quinta-feira (3/4), no dia seguinte ao anúncio das tarifas recíprocas, fixadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Mas vale a máxima: o que está ruim pode piorar. Agora, os agentes econômicos aguardam a reação dos gigantes China e União Europeia, taxados em 34% e 20%, respectivamente.

O Ministério do Comércio da China já afirmou que “se opunha firmemente” às tarifas dos EUA e “tomaria contramedidas resolutas para proteger seus direitos e interesses”. A declaração foi feita na tarde de quarta-feira (2/3), poucas horas depois do anúncio do republicano.

As taxas dos EUA sobre os produtos chineses não se resumem, porém, aos 34%. Trump já havia outros 20% adicionais em sobretaxas para o país. “As chamadas ‘tarifas recíprocas’, que se baseiam em avaliações subjetivas e unilaterais dos Estados Unidos, não estão em conformidade com as regras do comércio internacional, prejudicam seriamente os direitos e interesses legítimos das partes envolvidas e são um típico ato de intimidação unilateral”, disse o Ministério do Comércio.

Os chineses têm vários instrumentos de retaliação à mão. Eles incluem as próprias tarifas, a desvalorização de moeda local e a restrição adicional da exportação de minerais de terras raras, usados em eletrônicos de alta tecnologia. A estimativa é de que a China passe a enfrentar tarifas médias de cerca de 65% sobre os US$ 500 bilhões em exportações para os EUA.

Retaliação europeia

A alemã Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia (UE), também criticou as tarifas de Trump, estipuladas em 20% contra o bloco. Ela descreveu o conjunto de medidas como um grande golpe para a economia global. Observou que a UE está preparada para responder com retaliações caso as negociações com Washington fracassem.

No início da semana, ela já havia afirmado que o bloco europeu não queria aplicar contramedidas aos produtos americanos. “Mas, se necessário, temos um plano sólido para retaliar e vamos usá-lo.”

Von der Leyen observou que a Europa é forte não só no comércio, mas em tecnologia, sugerindo a importância do mercado europeu para as grandes empresas desse setor nos EUA, que poderiam ser atingidas pelas retaliações. Não por acaso, as ações das big techs americanas também estão desabando nesta quinta-feira.

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