Quem ganha e quem perde com a guerra de tarifas de Donald Trump

O mundo ainda reverbera as consequências do anúncio feito por Donald Trump nesta quarta-feira (2) acerca das tarifas. O dia, que ganhou o apelido de “Dia da Libertação”, recebeu com ambiguidade o anúncio do presidente dos Estados Unidos que impôs um pacote de tarifas recíprocas que abalou o comércio global.

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Com taxas de até 34% sobre produtos chineses, 20% sobre a União Europeia, 25% sobre Canadá e México, e 10% sobre o Brasil, entre outros, Trump busca reequilibrar as relações comerciais dos EUA, proteger a indústria nacional e reduzir déficits comerciais.

Mas quem realmente ganha e quem perde com essa guerra tarifária? Para onde vai o comércio global? A China sai beneficiada? E como ficam as techs americanas?

O que está em jogo com as tarifas de Trump?

As tarifas de Trump, anunciadas em um evento na Casa Branca, têm como objetivo principal forçar países a negociar condições mais favoráveis para os EUA ou a transferir suas fábricas para solo americano.

Segundo o presidente, os EUA foram “roubados” por décadas por parceiros comerciais que impõem barreiras altas enquanto desfrutam de acesso fácil ao mercado americano.

As medidas incluem tarifas universais de 10% sobre quase todas as importações, com aumentos significativos para países específicos, como a China (34%), União Europeia (20%) e Vietnã (46%).

O impacto imediato foi sentido nos mercados globais. Bolsas caíram em todo o mundo, com o S&P 500 nos EUA recuando 1,22%, o Stoxx 600 na Europa caindo 1,4% e o Nikkei no Japão despencando 4,1%.

O dólar americano se desvalorizou, enquanto o ouro atingiu um novo recorde, refletindo uma busca por segurança.
Especialistas, como Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil, e Maria José Tonelli, colunista do Valor Econômico, apontam que as tarifas podem gerar caos nos negócios globais, aumentar a inflação nos EUA e desacelerar o crescimento econômico americano.

No entanto, Trump insiste que as medidas das tarifas protegerão empregos e aumentarão a receita governamental, um argumento que divide opiniões.

Para onde vai o comércio global?

O comércio global está enfrentando um redirecionamento significativo. Antes das tarifas de Trump, os EUA eram o maior mercado de importação do mundo, consumindo mais do que qualquer outro país.

Agora, com barreiras mais altas, as cadeias de suprimentos globais estão sendo forçadas a se adaptar. Países como Canadá, México e China, que respondem por 40% do comércio exterior americano (segundo dados da balança comercial de 2024), já anunciaram retaliações.

O Canadá e o México exportam 80% e 75% de seus produtos para os EUA, respectivamente, e estão impondo tarifas retaliatórias.

O Canadá taxou US$ 107 bilhões em bens americanos, como carne, suco de laranja e madeira, enquanto o México promete anunciar medidas no domingo (6). Isso pode levar a um realinhamento comercial, com ambos os países buscando mercados alternativos, como a América Latina e a Ásia.

Por outro lado, a China é o maior rival comercial dos EUA. O país respondeu com taxas de até 15% sobre produtos agrícolas americanos, suspendeu importações de madeira e incluiu 15 empresas americanas em sua lista negra.

Pequim também sinalizou que intensificará parcerias com outros países, como o Brasil e a Rússia, para diversificar suas exportações.

União Europeia e Brasil

Já a União Europeia (UE) enfrenta uma tarifa de 20%, e planeja retaliar com impostos sobre produtos icônicos americanos, como motos Harley-Davidson, uísque Bourbon e jeans Levi’s, uma tática já usada em 2018.

Isso pode levar a um enfraquecimento das relações transatlânticas e a um maior comércio intraeuropeu. Finalmente, o Brasil e outros emergentes, com uma tarifa de 10%, foi relativamente poupado, o que analistas veem como um alívio.

No entanto, setores como aço, etanol e manufaturados podem sofrer. Por outro lado, o país pode ganhar espaço no mercado chinês, já que Pequim busca alternativas às importações americanas.

Países como Índia, Vietnã e Tailândia também podem se beneficiar, assumindo parte do comércio global desviado dos EUA. O comércio global, portanto, parece se direcionar para uma fragmentação, com blocos regionais ganhando força.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) está sob pressão, e há temores de que Trump retire os EUA do sistema multilateral, como ameaçou durante a campanha. Isso poderia levar a uma era de protecionismo generalizado, com cadeias de suprimentos mais localizadas e menos eficientes.

A China ganha?

A China, historicamente o alvo principal de Trump, é ao mesmo tempo perdedora e potencial ganhadora nesse cenário de tarifas. Por um lado, as tarifas de 34% sobre seus produtos aumentam os custos de exportação para os EUA, seu maior mercado.

Em 2024, as exportações chinesas para os EUA totalizaram US$ 427 bilhões, e a nova taxa pode reduzir essa cifra em até 20%, segundo estimativas da Bloomberg. Isso já levou a uma queda de 3% nas ações das empresas chinesas listadas em Hong Kong.

Por outro lado, a China parece mais preparada desta vez. Desde a primeira guerra comercial de Trump (2018-2021), Pequim diversificou seus mercados, aumentando compras de commodities do Brasil, Argentina e África, e investindo em tecnologia doméstica para reduzir a dependência de insumos americanos.

O crescimento econômico chinês, embora desacelerado, ainda é de cerca de 5% ao ano, e o governo de Xi Jinping tem priorizado setores como AI, semicondutores e energia renovável.

Analistas sugerem que a China pode se beneficiar indiretamente, pois os EUA, ao se isolarem, abrem espaço para Pequim expandir sua influência na Ásia, África e América Latina.

Analistas da BBC e do Estadão concordam que, ao retaliar com tarifas sobre o agronegócio americano, a China força os EUA a depender menos de exportações agrícolas, o que pode beneficiar o Brasil e outros produtores.

No longo prazo, se o comércio global se fragmentar, a China pode liderar um bloco alternativo à ordem liderada pelos EUA.

Como ficam as techs americanas?

As empresas de tecnologia americanas (techs) estão em uma posição ambígua no que refere-se às tarifas de Trump. Por um lado, algumas podem se beneficiar das tarifas, especialmente se conseguirem trazer produção de volta aos EUA ou se protegerem de concorrentes estrangeiros. No entanto, a maioria enfrenta desafios significativos.

As big techs, como Apple, Microsoft, Amazon e Nvidia, dependem fortemente de cadeias de suprimentos globais, especialmente da Ásia (China, Taiwan, Vietnã).

As tarifas de 34% sobre a China e 46% sobre o Vietnã aumentam os custos de importação de componentes, como chips e eletrônicos.

A Apple, por exemplo, já alertou que os preços dos iPhones podem subir, enquanto a Nvidia enfrenta riscos com a produção de GPUs, muitas vezes fabricadas em Taiwan.

A China retaliou suspendendo exportações de minerais críticos, como terras raras, usados em smartphones e servidores. Isso afeta diretamente empresas como Tesla e Intel, que dependem desses insumos.

Além disso, a lista negra chinesa inclui 15 empresas americanas, muitas delas do setor tecnológico, o que pode limitar seu acesso ao mercado chinês, avaliado em trilhões de dólares.

Trump prometeu desregulamentação e incentivos fiscais para techs que repatriarem produção. O que pode beneficiar empresas como Intel e TSMC (Taiwan Semiconductor), que planejam expandir fábricas nos EUA.

No entanto, o custo de transferir cadeias de suprimentos é proibitivo, segundo a The Economist, e pode levar anos.

Techs reagem

As ações das techs americanas sofreram quedas significativas nas últimas semanas. O Nasdaq caiu 0,35% nesta quarta, dia 2 de abril. A analistas da Goldman Sachs reduziram previsões de crescimento para o setor, citando incerteza e risco de recessão.

No curto prazo, as techs americanas são perdedoras, com custos mais altos e retaliações internacionais. No longo prazo, algumas podem se adaptar, mas outras, como as que dependem de mercados asiáticos, podem perder competitividade.

A exceção são as empresas de software e serviços, como Microsoft e Adobe, que têm menos exposição a bens físicos e podem se beneficiar de um dólar mais fraco.

Quem ganha e quem perde: um balanço

Brasil, Índia, Vietnã e Tailândia podem ganhar espaço no comércio global, assumindo parte das exportações desviadas dos EUA e China.

Indústrias como aço, alumínio e automóveis podem se beneficiar, se conseguirem competir sem insumos importados.
Investidores estão migrando para ativos como ouro, que atingiu um recorde, e títulos do governo, percebidos como refúgios.

Contudo, na ponta de quem perde na visão de analistas, estão os consumidores americanos: Estudos da Yale e da Bloomberg estimam que as tarifas podem aumentar os preços em até US$ 2.000 por família americana ao ano. Com bens como carros, eletrônicos e alimentos ficando mais caros.

Além disso, exportadores dos EUA. Setores como agricultura (soja, milho) e manufatura enfrentam retaliações. Especialmente da China e Canadá.

A guerra comercial ameaça reduzir o crescimento global em até 7%, segundo o FMI, com cadeias de suprimentos fragmentadas e inflação generalizada.

E o Bitcoin e demais criptomoedas?

Durante o discurso do Trump o preço do Bitcoin se desenvolveu com alta volatilidade, atingindo a máxima de US$ 88.500. Logo em seguida, o preço do ativo fez um forte movimento para baixo. Desse modo, atingindo a mínima de US$ 82.175, ou seja, uma queda de quase -7% entre os valores.

Segundo Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, caso o preço do Bitcoin dê continuidade ao movimento de baixa, o suporte de curto prazo está na faixa de preço de US$ 81.300 e o de médio prazo está na região de liquidez dos US$ 75.500.

Em sua análise, se o preço do Bitcoin romper o suporte de médio prazo acima citado, o ativo poderá buscar como alvo da queda a região de preço dos US$ 69.900.

“Caso entre força compradora absorvendo a queda, a resistência de curto e médio prazo está na faixa de preço dos US$ 84.600 e US$ 86.400”, avaliou.

Já o preço do Ethereum atingiu a máxima de US$ 1.957 na última quarta (02). No entanto, logo em seguida iniciou uma forte queda, voltando a ser negociado, até o momento desta publicação, por US$ 1.781.

Para a analista, se houver continuidade da queda, os próximos alvos que servirão como suportes estão nas regiões de liquidez dos US$ 1.720 e US$ 1.550.

“Mas, caso entre força compradora e reverta o movimento, a resistência de curto e médio prazo está nas áreas de valor dos US$ 1.885 e US$ 2.000”, avaliou.

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