Tarifaço de Trump pode abrir portas para “invasão” de calçados asiáticos no Brasil; entenda

O presidente dos Estados Unidos anunciou um novo tarifaço na última quarta-feira (2). A tarifa adicional de 10% para produtos brasileiros mexeu com a economia nacional. Um dos setores que deve registrar impactos com a medida é a indústria calçadista. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) emitiu um comunicado sobre o assunto nesta quinta (3).

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Setor calçadista analisa impactos da medida | abc+



Setor calçadista analisa impactos da medida

Foto: Divulgação

Segundo a entidade, que tem sede em Novo Hamburgo, a taxação pode ser analisada por dois pontos distintos. Por um lado, segundo a Abicalçados, a tarifa de 10% para produtos do Brasil pode abrir uma janela de oportunidades diante do imposto maior anunciado para concorrentes asiáticos.

Já por outro lado, a taxa elevada para os grandes produtores mundiais também pode provocar uma inundação de calçados vindos justamente da Ásia em mercados importantes para o Brasil e até mesmo no mercado doméstico nacional.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, cita que o pacote de tarifas anunciado, por exemplo, taxa a China em mais 34%, o Vietnã em mais 46% e a Indonésia em mais 32%.

“São tarifas muito mais elevadas do que as aplicadas para o Brasil, o que pode tornar o nosso calçado mais competitivo nos Estados Unidos. Por outro lado, além de a medida diminuir o consumo naquele país, também deve fazer com que os asiáticos busquem alternativas para desovar sua produção. E, entre essas alternativas, certamente teremos o próprio mercado brasileiro e países para onde exportamos nossos calçados”, avalia Ferreira.

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Como fica na prática?

Conforme dados levantados pela Inteligência de Mercado da Abicalçados, atualmente o imposto de importação para calçados brasileiros nos Estados Unidos é, em média, 17,3%. Ou seja, com o adicional de 10%, a tarifa passará a 27,3%. Já China, Vietnã e Indonésia, que têm um market share de 58%, 24% e 8% no país norte-americano, respectivamente, também pagam uma média de 17,3%. Com os adicionais, os países passarão a pagar 51,3%, 63,3%, 49,3%, respectivamente.

“Enfim, o tarifaço deve deixar o preço brasileiro mais competitivo nesse primeiro momento”, acrescenta Ferreira. Atualmente, o Brasil detém apenas 0,5% do mercado de importação de calçados nos Estados Unidos, número que pode avançar com as novas tarifas.

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Alerta para a “invasão” asiática

Se por um lado, o calçado brasileiro ficará mais competitivo em relação aos seus concorrentes asiáticos, preocupa a Abicalçados uma possível invasão de calçados produzidos naqueles países no mercado nacional. “Por isso, torna-se ainda mais importante a adoção de mecanismos antidumping contra Vietnã e Indonésia, para evitar concorrência desleal no varejo brasileiro”, explica. Segundo Ferreira, o problema já foi levado para o governo federal e agora será reforçado com as autoridades.

Exportações e importações

No primeiro bimestre de 2025, as exportações de calçados brasileiros para os Estados Unidos somaram 1,93 milhão de pares e US$ 37,17 milhões, incremento de 0,6% em volume e queda de 4,5% em dólares em relação ao mesmo ínterim de 2024. Atualmente, 21% de toda a receita gerada pelas exportações nacionais são provenientes dos Estados Unidos.

Impulsionada pelos países asiáticos China, Vietnã e Indonésia – de onde vêm mais de 80% dos calçados que entram no Brasil -, as importações do setor seguem em elevação. No primeiro bimestre, entre as principais origens das importações, aparece a China, de onde vieram 2,68 milhões de pares por US$ 9,25 milhões, quedas de 2,8% e de 3,5%, respectivamente, ante o primeiro bimestre de 2024. Na sequência, aparecem o Vietnã (2,5 milhões de pares e US$ 47,9 milhões, incrementos de 24,2% e de 9,2%, respectivamente) e Indonésia (1,48 milhão de pares e US$ 23,5 milhões, altas de 47,25 e de 37%, respectivamente).

*Com informações da Abicalçados

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