Tarifaço: EUA podem abrir “era da China”, diz presidente da ApexBrasil

O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, afirmou que a nova tarifa de 10% imposta pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras pode abrir caminho para um maior protagonismo da China no comércio global. Segundo ele, ao adotar medidas protecionistas, os EUA podem acabar enfraquecendo a lógica do livre-mercado que ajudaram a disseminar.

“Foram os Estados Unidos que introduziram no mundo a ideia do livre-mercado, dos acordos comerciais. E agora, ao contrário disso, podem abrir ‘a era da China’”, disse Viana em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (3/4).

A decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, foi anunciada nessa quarta-feira (2/4) e afetou diversas nações, incluindo o Brasil. Apesar de o país ter recebido a menor alíquota dentro do chamado “tarifaço”, o governo brasileiro classificou a medida como uma violação dos compromissos assumidos pelos EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Após o anúncio das tarifas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) emitiu uma nota oficial assinada pelos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e das Relações Exteriores. O comunicado enfatizou que a decisão do governo norte-americano pode prejudicar exportadores brasileiros e alertou que medidas de defesa econômica serão analisadas.

“A posição do Brasil até aqui tem sido muito correta, de ter um pouco de cautela e aguardar para ver se as medidas serão realmente implementadas pelos Estados Unidos”, ponderou Jorge Viana.

O presidente da ApexBrasil destacou que a decisão sobre eventuais retaliações caberá ao governo federal. O Itamaraty, por sua vez, segue conduzindo o diálogo diplomático, com papel central do vice-presidente Geraldo Alckmin, que também ocupa o cargo de ministro da Indústria e Comércio.

No Congresso Nacional, um projeto de lei aprovado nesta semana permite a adoção de medidas de reciprocidade econômica contra barreiras comerciais impostas por outros países. No entanto, o governo federal sinaliza que buscará uma solução negociada antes de qualquer ação mais drástica.

EUA x China

Para Jorge Viana, a política protecionista dos Estados Unidos pode acabar favorecendo a China, que já é o maior parceiro comercial do Brasil. “O maior parceiro comercial do Brasil é a China, mas o melhor é os EUA”, afirmou. Ele destacou que, antes de eventuais benefícios ao Brasil, a decisão de Trump deve gerar dificuldades ao comércio internacional.

Em sua avaliação, medidas como essa podem levar a uma reorganização das cadeias globais de produção, com mais países se aproximando da China e de outros mercados emergentes.

O governo brasileiro reforçou que seguirá acompanhando os desdobramentos da nova política tarifária dos EUA e que sua prioridade é proteger os interesses dos trabalhadores e das empresas brasileiras.

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