ESPECIAL: Novo Hamburgo é o centro da inteligência do calçado e seu cluster

Nos 98 anos de emancipação de Novo Hamburgo, celebrados neste sábado (5), histórias de empresas e entidades que marcaram sua trajetória são destacadas. Em cada um dos relatos, é possível acompanhar como o Município é reconhecido pelo complexo pensante do calçado e seu cluster. Somado a isso, ainda há a ciência juvenil. Tudo para levar a marca para o mundo.

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Complexo pensante do calçado

“Quem imagina que Novo Hamburgo não é mais a cidade do calçado não tem a menor noção da relevância dela no mercado mundial.” A declaração é do diretor-presidente da Fenac, Márcio Jung, ao abordar uma das marcas essenciais para o desenvolvimento do segmento, a Feira Internacional de Couros, Produtos Químicos, Componentes, Máquinas e Equipamentos para Calçados e Curtumes (Fimec).

Marcio Jung | abc+



Marcio Jung

Foto: Divulgação

Em feiras internacionais, Jung já vivenciou situações que demonstram o quanto a Fimec é uma marca de Novo Hamburgo. Jung compartilha uma conversa com um empresário de Trujillo, cidade sapateira do Peru, que mencionou um amigo que vive em Novo Hamburgo e até falou sobre a Rua Ícaro, no bairro Canudos. “Ele falava com uma naturalidade”, exemplifica.

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Outra situação vivenciada, em 2024, quando finalizou a Fimec, foi quando encontrou expositores do Peru em uma das lancherias das bancas, tradicional ponto da Avenida Pedro Adams Filho. “Sentei com eles, fiquei conversando e eles relataram que alugam sempre um Airbnb no Calçadão, no Centro. Eles vivem a cidade”, salienta Jung. E, para ele, Novo Hamburgo continuará na vitrine através da feira. “Desejo que o novo presidente possa encontrar caminhos que eu não pude enxergar, soluções que eu não alcancei, para que ela possa continuar crescendo e sendo maior ainda. Temos que nos preparar para subir muito mais.”

Os pavilhões da Fenac, aliás, projetam mais que o setor coureiro-calçadista. É a estrutura que traz consigo resultado da visão e do engajamento comunitário que anos depois de criado é endereço que conecta no mundo dos negócios em hotelaria, beleza, pets, shows, autopeças, carros antigos, entre outros.

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História das máquinas para calçados começou no Município

A fábrica de máquinas para calçados mais antiga do Brasil está em Novo Hamburgo. Trata-se de Máquinas Kehl, que nasceu aqui e leva o nome da cidade para diferentes continentes. Há equipamentos em toda a América Latina, onde a marca é muito forte, mas há também nos Estados Unidos, Canadá, África, Europa e Ásia.

Osvino e Marcelo, de Máquinas Kehl | abc+



Osvino e Marcelo, de Máquinas Kehl

Foto: Divulgação

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“Para nós é muito importante dizer que somos de Novo Hamburgo. Quando estamos na Fimec, eu digo que a gente está no quintal de casa”, declara o diretor Marcelo Lauxen Kehl, que tem ao seu lado os irmãos Leandro, Luiz e Marcos, todos trabalhando na fabricante de máquinas fundada pelo pai, Osvino Kehl, que permanece como diretor-presidente.

Marcelo destaca que falar sobre a cidade representa um marketing para a empresa. “Novo Hamburgo continua sendo conhecida como a Capital Nacional do Calçado. Temos toda essa história, continuamos carregando isso e aqui eu faço questão de bater nesta tecla”, salienta o empresário. A Máquinas Kehl completou 63 anos no dia 30 de março.

Ao todo são cerca de 80 máquinas diferentes em seu portfólio. A marca Kehl tem como principal mercado a indústria de calçados, mas também vende para os segmentos moveleiro, da construção, agronegócios e, recentemente, até para um fornecedor da Embraer. Em feiras no exterior, comenta Marcelo, os empresários reconhecem que Novo Hamburgo ainda continua sendo o maior cluster calçadista da América Latina.

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Certificação da qualidade do setor calçadista também passa por aqui

Reconhecida como um dos berços da indústria calçadista brasileira, o segmento em Novo Hamburgo segue sua trajetória com foco na qualidade e inovação. O presidente do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçados e Artefatos (IBTec), Valdir Soldi, que iniciou sua conexão com a cidade em 2008 como pesquisador, destaca que o IBTec desempenha um papel essencial no que tange à certificação de produtos.

Valdir Soldi | abc+



Valdir Soldi

Foto: Susi Mello/GES-Especial

“Em 52 anos de história, o IBTec evoluiu muito”, afirma. O instituto, conhecido nacionalmente, oferece certificações que vão além de fronteiras, alcançando clientela até na América do Sul. “Hoje, atendemos a diversos estados, incluindo Bahia, Ceará, São Paulo e Paraná, sempre destacando a qualidade do que se produz em Novo Hamburgo”, frisa.

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Além disso, acrescenta, há clientes no exterior como Colômbia, Argentina, Peru e México. “Porém, se olharmos hoje ainda para empresas importadoras, estamos na Europa e Estados Unidos, com produtos homologados para testes. Certamente o nome do IBTEC está conhecido no meio de muitos países”, relata.

Os serviços oferecidos pelo IBTec incluem a certificação de calçados de diferentes categorias, como moda e esportivos, além de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). “Garantimos que os produtos atendem aos rigorosos padrões de qualidade e segurança exigidos para serem comercializados local e internacionalmente”, explica. De acordo com Soldi, 60% do mercado nacional de calçados de segurança passa por avaliações do instituto de Novo Hamburgo.

Indústria química promove a “Grande Novo Hamburgo”

A Killing S/A é uma indústria química, que nos segmentos de tintas e adesivos destaca-se no Brasil e em países da América Latina. A trajetória da empresa reforça a importância de Novo Hamburgo no cenário industrial, uma área que continua a ser um símbolo de inovação e excelência tecnológica.

Milton Killing | abc+



Milton Killing

Foto: Divulgação

O diretor Milton Killing, filho do fundador Celestino Killing (in memoriam), ressalta a relevância da cidade em sua contribuição para o setor. “O que se escuta é que Novo Hamburgo é como se fosse o cérebro do Vale do Sinos na indústria calçadista”, afirma.

Em maio deste ano, a Killing S/A celebra 63 anos de história em Novo Hamburgo, a qual vem acompanhando de perto sempre. Killing destaca que a localização da empresa faz parte de sua trajetória. “Toda vez que me perguntavam de onde é a Killing, eu falava que ficava em Novo Hamburgo, na Grande Porto Alegre. Hoje eu digo que a empresa fica na Grande Novo Hamburgo. Ficou mais fácil do pessoal decorar que existe uma cidade chamada Novo Hamburgo, porque antes estávamos perto de Porto Alegre, agora não. Agora eu faço questão de dizer que está na Grande Novo Hamburgo.”

Essa mudança de divulgação não tem como motivo somente a localização e sim uma forma de engrandecer a cidade. “Para nós, que nascemos, vivemos e nos envolvemos tanto com o crescimento, digo que levo a cidade no mundo”, complementa o empresário, que reforça o compromisso da inovação em sua linha de produtos de mais de 3.500 itens. “Não estamos trazendo produtos de outros países ou regiões. Eles são desenvolvidos por nós e isso é o orgulho que levamos para fora”, complementa.

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Dapper veio pelo calçado, prosperou e manteve laços

A trajetória profissional de Vinícius Dapper, empresário de 41 anos, retrata a tradição calçadista de Novo Hamburgo. Natural de Santo Antônio da Patrulha, Dapper chegou a Novo Hamburgo aos 17 anos para se formar em um curso técnico de calçados no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). “Eu vim pelo calçado, para fazer o curso. Desenvolvi minha marca de sapatos artesanais masculinos com meu nome, fui para os Estados Unidos, morei em São Paulo, e agora vivo em Porto Alegre, mas quase todos os dias estou por Novo Hamburgo”, relata Dapper.

Dapper criou marca própria na cidade | abc+



Dapper criou marca própria na cidade

Foto: Susi Mello/GES-Especial

Mesmo morando na capital, Dapper mantém suas raízes na cidade que o acolheu. “Eu fazia muitos sapatos sob medida, um produto com mais excelência. Eu tirava as medidas do sapato e fazia o desenho do calçado na hora”, recorda, ao relembrar o tempo em que tinha ateliê na cidade.

Recentemente, Dapper passou a explorar novos horizontes na indústria calçadista. Ele destaca o impacto que sua marca teve ao levar a essência de Novo Hamburgo para outros Estados e países. “Se a gente tem a possibilidade hoje de montar negócios ou de ter uma visão, é porque teve muita gente que batalhou para construir o que Novo Hamburgo é hoje. Aqui é uma história de sapatos. Para quem não é de Novo Hamburgo, olhar para uma cidade que tem fábricas de palmilhas, atacadores e cadarços é surpreendente. Qual é o lugar que tem isso, entendeu? É uma cidade muito completa nesse sentido”, observa.

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Com quase 25 anos de história de conexão com a cidade, Dapper faz questão de divulgar que formou um legado no setor calçadista de Novo Hamburgo, buscando sempre enaltecer o local onde estudou, morou, trabalhou e não deixa de visitar.

Mostratec cria conexões da cidade com o mundo

O ano de 2025 marca os 98 anos da cidade e também a trajetória de uma marca que leva o nome de Novo Hamburgo para o mundo. Trata-se da Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia, a Mostratec-Liberato, feira que chega aos seus 40 anos. “Ela nos projeta no Brasil e no exterior, porque em várias feiras que temos a oportunidade de ir percebemos que a marca tem um significado muito grande”, destaca Luis Eduardo Selbach, coordenador geral da Mostratec e há 36 anos assessor de comunicação social da Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, realizadora da feira.

Selbach, que se sente um hamburguense pelas quase quatro décadas vivendo em Novo Hamburgo, conta que inúmeras situações demonstram a importância da Mostratec-Liberato para a visibilidade da cidade. “Na China, por exemplo, já cheguei apresentando-me como da Mostratec e a pessoa logo identificou, falando ‘lá no Brasil, de Novo Hamburgo?’. Isso nos enche de orgulho”, acrescenta.

Selbach diz que também há os que saem daqui, com seus projetos, e são reconhecidos. “Os alunos, ao ganharem destaque em um projeto, levam o nome Mostratec para diferentes lugares”, salienta. Quem participa da mostra em Novo Hamburgo também carrega na mala as boas lembranças da cidade. Os primeiros estudantes internacionais a exporem na Mostratec foram do Paraguai, Uruguai e Argentina, criando uma rede de parcerias. Essa colaboração permite que alunos da Liberato e da Mostratec apresentem seus projetos no exterior e atraiam pesquisadores de outros países para o evento em Novo Hamburgo.

Essa movimentação destaca Novo Hamburgo no campo da educação, ciência e tecnologia. “Isso tudo movimenta a economia”, arremata Selbach, que guarda em sua sala crachás das centenas de feiras em que participou com o nome Mostratec.

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