ESPECIAL: Os sabores da terra hamburguense que marcam lembranças de gerações

Novo Hamburgo é a paçoquinha, os beijos de Nóia, a cerveja artesanal… A cidade, que completa neste sábado (5) 98 anos de emancipação, tem sabores especiais que marcam sua história. É daqui que o visitante pode levar para sua terra natal a lembrança do Município, com produtos feitos para registrar o pertencimento em terras hamburguenses.

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A paçoquinha que é memória repleta de sabor

Uma paçoquinha de 60 gramas que virou memória afetiva de Novo Hamburgo para quem visita a cidade e quer levar uma lembrança especial. Dessa forma que Doces Hamburguesa se estabelece como uma referência que proporciona sabor e afeto a diferentes gerações.

Verlaine Adam | abc+



Verlaine Adam

Foto: Susi Mello/GES-Especial

O vínculo entre a Hamburguesa e a comunidade hamburguense vem desde 1987. Muitos clientes frequentam a loja por anos, podendo compartilhar histórias em suas visitas. “As meninas que atendem aqui trabalham há mais de dez anos e têm uma bela relação com os clientes. Vem gente que diz que comprava para sua avó quando era criança e agora traz os filhos”, comenta a gerente-geral Verlaine Suzana Adam, revelando como a empresa se tornou um ponto de encontro e de troca de memórias.

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A paçoquinha Hamburguesa é citada com carinho. “Ela se transformou em uma marca representativa de Novo Hamburgo. As pessoas a associam à cidade, e isso é muito especial”, diz, lembrando que a paçoquinha é procurada por aqueles que estão longe e desejam levar um pedaço da infância com o doce. Além dela, a empresa expandiu sua gama de produtos com cocadas, alfajores e outros doces, chegando a 30 variedades.

E tudo começou no solo hamburguense com o pai de Verlaine, o seu Edio (in memoriam) junto ao amigo e sócio Larri, que iniciou um pequeno negócio de venda de paçoquinhas na garupa de uma bicicleta. “Meu pai começou a vender paçoquinhas em 1980, subindo lombas com a bicicleta que tinha caixinha de sapateiro. Elas eram feitas em um tacho em casa mesmo, com minha mãe, e depois ele e o sócio se uniram para montar a empresa”, recorda.

Verlaine observa que Novo Hamburgo é lembrada como uma cidade próspera, de muitos prédios, teatro, praças, shoppings, bons restaurantes e clubes.

Beijos de Nóia: biscoito coberto com chocolate marca doces lembranças

Um biscoito crocante, coberto com chocolate nobre, tem proporcionado doces lembranças nas memórias de quem conhece a cidade. A marca criativa Beijos de Nóia, da Artesana Chocolates, está em diferentes partes do mundo, porque quem quer uma lembrança de Novo Hamburgo leva-o na bagagem. “Hoje atendemos mais de 400 clientes no Brasil inteiro”, frisa o diretor da empresa, Fábio Heck.

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Fábio Heck | abc+



Fábio Heck

Foto: Susi Mello/GES-Especial

A fabricação do biscoito Beijos de Nóia iniciou em 1988, idealizada pelos pais de Fábio: Walter e Rosana Scharlau Heck. Os dois buscavam criar um produto gastronômico que representasse a tradição e a identidade de Novo Hamburgo. O casal percebeu que os que viajavam para outros lugares frequentemente levavam consigo um pedacinho da cidade em forma de doces. Assim, surgiu a ideia de batizar o biscoito como Beijos de Nóia, unindo a proposta de um agrado saboroso a uma expressão típica da cidade.

A receita surgiu da mãe de Fábio, e o nome, do pai. “O pai era professor, gostava muito de literatura e um dia falou que, no auge do calçado, o pessoal procurava muito por alguma coisa que representasse a cidade para levar para outros lugares. No início, o biscoitinho era levado especialmente para quem trabalhava em companhias de exportação, logo veio a ideia do nome. O pai falou ‘o que é melhor que um beijo?’ Um beijo marca uma boa recordação de ‘Nóia’ porque é uma expressão da cidade”, conta Fábio.

Além de Beijos de Nóia, a empresa tem mais de 500 itens no portfólio, incluindo produtos sazonais para diferentes datas comemorativas. “O reconhecimento fora do Brasil é gratificante, mas o nosso forte ainda é a região do Vale do Sinos, onde temos uma base fiel de consumidores”, complementa Fábio, acrescentando que, com a ajuda das redes sociais, é possível saber onde os produtos estão.

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O diretor salienta que gosta muito de Novo Hamburgo. “Nosso Município tem raízes fortes no comércio de calçados, mas atualmente estamos nos reinventando. Temos um teatro encantador, belas igrejas e uma cultura rica que merecia mais valorização”, observa Fábio, que aprova a variedade de opções na gastronomia. No entanto, acredita que o apelo turístico possa ser fortalecido com a criação de campanhas e eventos que reforcem a identidade local. “Desejo sucesso, novos empreendedores e que consigamos fazer da cidade uma referência, em aspectos como segurança, qualidade de vida e saúde. Os hamburgueses têm uma boa vida aqui porque eles merecem”, arremata.

Pretinha, a cerveja que ultrapassa divisas

A história de Janaína de Oliveira é exemplo de como as memórias da infância podem se transformar em um negócio. Desde pequena, ela acompanhava seus avós, Valdemar e Hilda de Oliveira, na produção de cerveja preta artesanal na casa deles, localizada na Rua Recife, no bairro Boa Vista. Essa bebida, adocicada e apreciada em festas familiares, deixou marca em sua vida. Mesmo após o falecimento dos avós, ela preservou a receita, utilizando-a como base para sua própria marca, a “Pretinha”.

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Janaína de Oliveira | abc+



Janaína de Oliveira

Foto: Susi Mello/GES-Especial

Hoje, Janaína produz sua cerveja em casa, no bairro Canudos, e conquistou reconhecimento em Porto Alegre, em São Paulo e Mato Grosso. “Eu amo Novo Hamburgo. Eu nasci, me criei, já tive oportunidade de sair, mas é uma cidade que gosto. Eu fico feliz em representar Novo Hamburgo e poder mostrar que tem cervejeira aqui e mulher da periferia na produção. É importante uma representante negra para levar o nome da cidade para esses novos lugares”, comenta.

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A trajetória de Janaína na produção de cerveja começou em 2022, quando ela encontrou o fechador de garrafas que pertencia a seu avô e a panela de alumínio de seu pai foi conservada para o preparo da bebida. “Até hoje lembro de meu avô preparando, sem deixar a gente ver e depois colocar garrafas sob a terra para não estourar. O vô tinha algumas poções mágicas no preparo”, recorda.

Com entusiasmo, ela começou a participar de feiras de afroempreendedores e foi selecionada para expor seu produto na Expo Favela São Paulo, após ter feito sucesso na Expo Favela 2024 em Porto Alegre. “Estou começando a acreditar que é possível, que tem potencial, que posso expandir com a cerveja preta que tem um final amargo e adocicado da apreciação”, diz Janaína que neste sábado (5), no dia do aniversário de Novo Hamburgo, lançará uma nova roupagem da “Pretinha” no Festival Aquilombados, na Sociedade Cruzeiro do Sul.

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