“Inimiga” de Trump, facção venezuelana já chegou a 6 estados no Brasil

São Paulo — Declarado “inimigo de guerra” pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Tren de Aragua, maior facção criminosa da Venezuela, já conta com membros em ao menos seis estados brasileiros. A maior concentração fica em Roraima, que faz fronteira com o território venezuelano e recebeu milhares de refugiados do país governado por Nicolás Maduro nos últimos anos.

Segundo a Polícia Civil de Roraima, já há membros “diplomáticos” do Tren de Aragua em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em São Paulo e no Rio, os traficantes venezuelanos se aliaram às duas maiores facções brasileiras: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Como mostrou o Metrópoles neste sábado (5/4), em Roraima, os criminosos se passaram por refugiados comuns e usaram benefícios oferecidos pelo governo Lula, como viagens para o interior do Brasil por meio da Operação Acolhida, para ampliar a rede de contatos no crime e área de atuação em território brasileiro.

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Ações policiais nos EUA contra grupo parceiro de negócios do PCC

Policiais conduzem suposto membro do Tren de Aragua
Preso apontados pelos EUA por pertencer à Tren de Aragua é conduzido por guardas
Condução de suposto integrante da Tren de Aragua
Guarda observa supostos membros de facção
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Secretaria de Prensa de la Presidencia de El Salvador

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Ações policiais nos EUA contra grupo parceiro de negócios do PCC

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Policiais conduzem suposto membro do Tren de Aragua

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Preso apontados pelos EUA por pertencer à Tren de Aragua é conduzido por guardas

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Guarda observa supostos membros de facção

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Governo de El Salvador fechou acordo com EUA para trancafiar supostos membros de grupos criminosos

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Guarda observa supostos membros de facção

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Conheça o Tren de Aragua

  • Foi em Roraima que, além de cidadãos sem nenhum tipo de vínculo com o mundo do crime, integrantes do Tren de Aragua também aportaram, ao menos desde 2016. Por lá, permanecem até a atualidade.
  • Ao Metrópoles, o delegado Wesley Costa Oliveira, titular da Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas (Draco) de Roraima, afirmou que, em um primeiro momento, criminosos da Venezuela chegaram mais timidamente na capital Boa Vista, passando-se por refugiados.
  • Gradativamente, foram aumentando em número e confiança suficientes para disputar territórios na cidade, com outras facções, provocando um aumento em casos de homicídio. Dados oficiais mostram que os assassinatos saltaram de 90, em 2020, para 127, no ano seguinte, quando o bando conquistou pontos para vender cocaína.
  • Já com territórios estabelecidos, o Tren de Aragua passou a criar conexões com o PCC e o CV, tornando-se o principal fornecedor de armas para as facções brasileiras, para as quais também garante o transporte de cargas de cocaína, vindas da Colômbia, por meio do território venezuelano.

“Eles não disputam territórios nessas regiões, ainda, porque não contam com estrutura e força necessárias para entrar em confronto com os grupos criminosos locais”, explicou o delegado Wesley Costa Oliveira.

Tráfico humano

Como revelado pelo Metrópoles, além do tráfico de armas e de drogas, o Tren de Aragua conta com um sofisticado esquema de tráfico de mulheres.

“A preponderância dos alvos são venezuelanas, que passam fome. Os criminosos falam para virem ao Brasil, onde terão condições melhores de vida e, por fim, são exploradas pelo Tren de Aragua, que controla casas de prostituição, onde cobram taxas das vítimas”, explicou o delegado Wesley Costa Oliveira.

Em decorrência da vida difícil, algumas das vítimas acabam se viciando em drogas, aumentando ainda mais a dívida com os criminosos. “Mas, em alguns casos, a conta não fecha e as mulheres são mortas, para dar exemplo para outras”, acrescentou o policial.

Na véspera do Natal do ano passado, a Polícia Civil de Roraima localizou um cemitério clandestino do Tren de Aragua, em Boa Vista, no qual foram encontrados 10 corpos. Entre eles, segundo o titular da Draco, havia cinco mulheres com indícios de desmembramentos, da mesma forma que as outras vítimas enterradas.

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