TRAGÉDIA EM IMIGRANTE: “Eu só pensava que queria ver meu filho de 3 anos de novo”, desabafa professora que estava em acidente

Antes de ser transferida ao Hospital de Caridade de Santa Maria para ficar mais perto de casa, a professora e coordenadora do curso de Paisagismo, Denise Estivalete Cunha, de 33 anos, deu detalhes sobre o acidente de ônibus em Imigrante, no Vale do Taquari. Ela estava no coletivo com alunos e docentes do Colégio Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) a caminho de uma visita ao Cactário Horst na manhã de sexta-feira (4).

CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

Acidente ônibus UFSM Imigrante | abc+



Acidente ônibus UFSM Imigrante

Foto: Soldado Schimitt/BMRS

Ela ficou até o fim da manhã deste sábado (5) aos cuidados da equipe médica do Hospital Bruno Born, em Lajeado. Em relato à assessoria, a professora relatou que a viagem ao espaço era programada todos os anos para que os estudantes conhecessem um produtor de cactos e suculentas e para que pudessem agregar em terrários, mini jardins e em projetos, além de conhecer a produção e uma empresa que exporta para outros lugares.

LEIA TAMBÉM: Hospital revela estado de saúde do motorista de 42 anos

Sobre os instantes anteriores ao acidente, Denise descreve que lembra de estar se aproximando do destino – o acidente aconteceu a cerca de 1 quilômetro de distância do cactário –, mas os detalhes não se mostram claros em sua memória. Segundo estudantes que estavam no ônibus, a professora teria se levantado para dar um recado para que todos se organizassem até a chegada ao cactário. Foi então que o coletivo acelerou. “Eu vi os alunos gritando para por cinto e se segurarem“, disse. “Só que o que eu me recordo [é de] uma alta velocidade e o ônibus quase em voo, assim, sem base, sabe? Por cima das coisas, e aí eu vi o impacto”, descreveu a professora.

Depois do acidente, ela se recordou de ter caminhado até uma van. “Como eu saí eu não sei, quem me carregou, eu também não sei, sei que eu tinha uma roupa de alguém enrolada como uma tipoia no meu braço, quem fez eu não sei. Eu tinha uma lesão enorme no rosto, pegando testa, nariz, boca, bem grande, e pingava sangue”, relatou.

Passageiros faziam uma viagem de estudos até o cactário Horst, em Imigrante | abc+



Passageiros faziam uma viagem de estudos até o cactário Horst, em Imigrante

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Denise contou ainda que se lembra de ter ficado atônita ao ver o próprio rosto no retrovisor do veículo, mas que todos que estavam no local a tranquilizaram no caminho ao atendimento médico. Lá, no entanto, a situação piorou. “Muita gente gritando de dor, os rostos todos inchados. Então o impacto, acho que foi pra todo mundo.”

ENTRE NA COMUNIDADE DO JORNAL NH NO WHATSAPP

Para a professora, ter sobrevivido resume-se a gratidão. Além de elogiar o atendimento dos profissionais de saúde, ela expressou a preocupação em se reunir, novamente, com a família. “Eu só pensava no meu filho, eu tenho um ‘guri’ de 3 anos, e eu só pensava assim, ó: ‘Eu quero ver ele de novo’. Então foi muito triste”, disse, emocionada.

Sobre os sete alunos que não resistiram ao acidente, Denise relatou que ficou sabendo das mortes por mensagens. “Muita gente entrando em contato e lamentando o ocorrido, então começaram a lamentar as mortes. Eu comecei a me apavorar, porque ninguém queria me falar aqui. A gente percebia o que estava acontecendo. E depois eu acabei sabendo e te confesso que não caiu a ficha. Não caiu”, concluiu. 

Acidente em Imigrante com professores e estudantes da UFSM | abc+



Acidente em Imigrante com professores e estudantes da UFSM

Foto: Prefeitura de Imigrante

Adicionar aos favoritos o Link permanente.