Erdogan recebe líder da Síria na Turquia e faz acusações contra Israel

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acusou Israel de tentar desestabilizar a Síria, agora comandada por um governo interino ligado a um grupo de ex-jihadistas. A afirmação aconteceu nesta sexta-feira (11/4), durante a abertura do Fórum de Diplomacia de Antália (ADF).

Em seu discurso, o líder turco chamou a ação que derrubou Bashar al-Assad de “revolução”, e disse que seu país não fará “vista grossa” diante dos ataques de Israel na Síria.

“Eles [Israel] estão tentando minar a revolução de 8 de dezembro, agitando as filiações étnicas e religiosas na Síria, e provocando as minorias contra o governo”, disse Erdogan, sem apresentar provas. “Não faremos vista grossa à Síria sendo arrastada para um novo vórtice de instabilidade. Gostaria de expressar aqui que não vemos a integridade territorial, a estabilidade e a segurança da nossa vizinha Síria, com a qual compartilhamos uma fronteira total de 911 quilômetros, como algo separado de nós mesmos”.

No evento, que reúne lideranças e representantes diplomáticos de diversos países do mundo, Erdogan se reuniu com o novo líder sírio, Ahmed Al-Shaara. Ainda que de forma extra-oficial, a Turquia é apontada pela comunidade internacional como um dos principais apoiadores da ofensiva dos rebeldes sírios, que derrubaram Bashar Al-Assad.

Apesar do passado ligado à Al-Qaeda, o novo líder sírio tem feito promessas de um governo menos linha dura do que o implementado pela dinastia Assad na Síria.

Mesmo com a tranquilidade inicial dos primeiros meses, e da sinalização internacional positiva quanto ao governo provisório do país, a Síria enfrentou uma nova no início de março.

Os confrontos se concentraram, em sua maioria, nas províncias de Latakia, Tartus, Hama e Homs. Eles envolveram forças governamentais, apoiadores do novo regime sírio, e o grupo étnico-religioso alauitas, do qual o ex-presidente da Síria faz parte. 

Além dos problemas internos, a Síria tem convivido com operações militares de Israel no país desde dezembro de 2024. De acordo com o governo de Benjamin Netanyahu, as ações visam capacidades militares, e têm como objetivo garantir a segurança nacional israelense.

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