Marfrig salta 21% e BRF sobe 0,8% com anúncio de fusão de negócios: o que explica?

Marfrig + BRF

A sexta-feira (16) foi movimentada para as empresas do setor de proteínas, em meio aos resultados do 1T25, notícias de união de negócios entre Marfrig (MRFG3) e BRF (BRFS3) e por conta de uma notícia negativa: a confirmação pelo Brasil do 1º foco de gripe aviária em granja comercial.

Assim, entre as ações de MRFG3 e BRFS3, o efeito da fusão tem predominado, com as expectativas já na véspera de forte alta para a primeira e de queda para a segunda, que ainda assim chegou a ter leve alta: MRFG3 saltou 21,35%, a R$ 25,07, enquanto BRFS3 teve leve alta de 0,78%, a R$ 20,78, após chegar a ter baixa de mais de 6% na abertura.

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“MBRF”: Marfrig e BRF anunciam fusão de operações e projetam sinergias de R$ 805 mi

Como parte da negociação, a operação prevê que os acionistas da BRF e da Marfrig sejam beneficiados com um expressivo pagamento de proventos

A expectativa era de um dia negativo para as ações BRFS3, uma vez que analistas já apontavam uma queda desses ativos por conta da operação de troca de ações entre Marfrig-BRF anunciada na véspera por conta da junção de operações.

A Marfrig afirmou que vai incorporar a totalidade das ações de emissão da BRF não detidas pela companhia, formando a MBRF, uma empresa global do setor de carnes e alimentos processados com receita de R$ 152 bilhões consolidada em 12 meses.

A transação prevê uma relação de troca de 0,8521 ação da Marfrig por cada ação da BRF detida, considerando já uma “distribuição máxima” de proventos pelas companhias, sendo R$ 2,5 bilhões pela Marfrig e R$ 3,5 bilhões pela BRF, segundo uma nota conjunta.

Em relatório, a XP apontou que os termos são mais favoráveis ao acionista controlador (Marfrig), projetando uma forte reação positiva para as ações da MRFG3, com queda nas ações da BRFS3 como reação.

A XP vê a aprovação como certa, uma vez que a Marfrig deverá votar em ambas as assembleias. Já as sinergias operacionais anunciadas (R$ 805 milhões) ficaram abaixo da sua expectativa. Apesar da complexidade e estágio inicial, e dado que a operação já era amplamente antecipada, os analistas veem o anúncio como positivo – com viés favorável à Marfrig.

Antes das sinergias, e supondo que não haja acionistas dissidentes, o Bradesco BBI apontou estimar que os termos propostos implicariam em alta de 8% para o MRFG3 e 9% de queda para o BRFS3 com base no fechamento de ontem. Nesse cenário, estima que o MBRF teria um índice de alavancagem para 2025 de 3,5 vezes e um EV/Ebitda (valor da empresa/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para 2025 (pré-sinergias) de 5,7 vezes.

“Os termos propostos parecem beneficiar os acionistas da Marfrig mais diretamente, mas o upside para ambos os lados dependerá de quanto das sinergias projetadas forem entregues. Do jeito que as coisas estão, vemos o MBRF nascendo com múltiplos acima dos pares, o que mantém nossas recomendações inalteradas (neutra)”, avalia.

O Goldman Sachs ressaltou também que, na véspera, BRF e a Marfrig apresentaram o que considera um conjunto consistente de resultados, mas apontou que o debate de mais micro a curto prazo provavelmente se concentraria no acordo de fusão proposto.

“Embora reconheçamos o potencial de extração de sinergia identificado pelas equipes de gestão em nossa visão, a alavanca mais importante para a criação sustentável de valor é a potencial reclassificação que poderia ocorrer para a entidade combinada como uma empresa menos alavancada, mais diversificada e menos comoditizada. Continuamos observando uma melhor relação risco-retorno para as ações da Marfrig”, apontou.

Cabe destacar que, também na véspera, a BRF divulgou lucro líquido de R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre, o dobro do mesmo período do ano passado, enquanto a Marfrig reportou lucro líquido atribuído ao controlador de R$ 88 milhões, crescimento de 40,3% na comparação ano a ano.

Na avaliação do Itaú BBA, BRF e Marfrig reportaram resultados com Ebitda ajustado 3% e 8% acima das suas expectativas, respectivamente. Para a BRF, a maior contribuição dos alimentos processados ​​no Brasil e o ambiente favorável para a divisão internacional continuam beneficiando as margens consolidadas, avaliam os analistas. Para a Marfrig, o número acima se deve a resultados ligeiramente melhores do que o esperado na América do Sul, enquanto antecipava números fracos da National Beef.

“Apesar dos resultados divulgados, o anúncio do plano de fusão entre as empresas pode roubar a cena nas discussões sobre as teses nos próximos dias”, reforçou.

Gripe aviária

Sobre a gripe aviária, o Brasil, maior exportador de carne de frango do mundo, confirmou nesta sexta a primeira detecção do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em granja comercial, levantando a possibilidade de restrições por parte de parceiros comerciais. A detecção ocorreu no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul, disse o Ministério da Agricultura em comunicado.

As exportações brasileiras de carne de frango somaram US$ 10 bilhões em 2024, respondendo por cerca de 35% do comércio global, com grande parte das vendas realizadas por BRF e JBS (JBSS3), que exportam para cerca de 150 países.

“Todas as medidas necessárias para o contingenciamento da situação foram rapidamente adotadas, e a situação está sob controle e monitoramento dos órgãos governamentais”, disse a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) em um comunicado.

O ministério disse que está tomando as medidas necessárias para conter e erradicar o foco, além de realizar a comunicação oficial à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), aos parceiros comerciais do Brasil e outros.

O país, que exportou mais de 5 milhões de toneladas de produtos avícolas no ano passado, confirmou os primeiros surtos da gripe aviária altamente patogênica entre aves selvagens em maio de 2023 e, desde então, registrou surtos na natureza em pelo menos sete Estados.

(com Reuters)

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