Freixo defende facilidade na emissão de vistos para turistas dos EUA, Canadá e Austrália

Marcelo Freixo presidente da Embratur scaled Freixo defende facilidade na emissão de vistos para turistas dos EUA, Canadá e Austrália

Marcelo Freixo, presidente da Embratur (Natália Strucchi/M&E)

BOGOTÁ – A partir do dia 10 de abril, turistas dos Estados Unidos, Canadá e Austrália voltarão a precisar de visto para ingressar no Brasil. A decisão, determinada por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem como base o princípio da reciprocidade adotado pelo Itamaraty, uma vez que esses países também exigem vistos de brasileiros.

De acordo com Marcelo Freixo, presidente da Embratur, a medida não deve afetar de forma significativa o turismo, desde que a emissão dos vistos seja rápida e sem burocracia. “O que a gente solicita, e temos dialogado muito nesse sentido, é que não exista burocracia, que o processo seja rápido”, afirmou Freixo em entrevista exclusiva ao M&E.

Ele garante que está atento ao tema. “O Itamaraty se baseia na reciprocidade. É um princípio que sempre existiu e que a gente respeita. Eles garantem que não terá nenhuma demora na emissão dos vistos, sendo assim, isso não vai afetar o turismo. Estamos tranquilos, mas vamos acompanhar de perto essa situação”, ressaltou.

Estima-se que a documentação poderá ser obtida no prazo de 24 horas, de forma eletrônica, sem a necessidade de deslocamento aos consulados.

Impactos no Setor Turístico

A retomada da exigência do visto, no entanto, tem gerado preocupação entre entidades do setor. No Congresso Nacional, um projeto de decreto legislativo que visa revogar a medida tramita em regime de urgência. A proposta aguarda a decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para ser apreciada pelo plenário.

Já a FecomercioSP alerta que a medida pode afetar a competitividade do Brasil como destino turístico, especialmente quando comparado a outros países sul-americanos que mantêm políticas de isenção para os três países afetados. A entidade tem se mobilizado pela revogação da decisão e cobra do governo uma orientação clara para evitar impactos negativos no ambiente de negócios.

Dados do Passport Index mostram que, na América do Sul, a maioria dos países permite a entrada de turistas dos EUA, Canadá e Austrália sem a necessidade de visto, com estadias permitidas de 90 a 180 dias. A exceção é a relação entre Chile e Austrália, onde a exigência de visto ainda persiste.

Outro ponto de preocupação é o impacto sobre eventos e feiras internacionais realizados no Brasil. A necessidade de visto pode desestimular a realização desses eventos no país, tornando destinos concorrentes, como a Colômbia, mais atrativos.

Além disso, a exigência do visto para tripulantes de aeronaves pode comprometer operações de companhias estrangeiras, contrariando um decreto de 1995 que segue uma convenção internacional de aviação. Caso o visto seja mantido para substituição de tripulantes, o risco de cancelamento de voos para o Brasil aumenta.

O custo do visto também pode ser um fator decisivo para a escolha de destino por parte dos turistas. A estimativa é que o valor da documentação fique em torno de US$ 80 por pessoa. Para uma família de quatro pessoas, o custo total ultrapassaria US$ 300, quantia que poderia ser utilizada em hospedagens ou lazer em outros destinos que não exigem visto.

Japão

O Japão, que também fazia parte desse grupo de países, firmou um acordo de reciprocidade com o Brasil em 2023, com validade até 2026. Os dois países permitem desde então viagens com estadias de até 90 dias sem necessidade de visto.

O M&E viaja com proteção GTA.

 

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