Mais de um mês após comunicar que casas em situação irregular precisariam ser desocupadas para a sequência uma rua no bairro Canudos, a Prefeitura de Novo Hamburgo confirmou que acordos foram firmados com as famílias. Conforme o poder público, os moradores da Rua Athanásio Becker terão os alugueis custeados pela construtora responsável pelo empreendimento habitacional de 900 unidades. Entre os imóveis está o da aposentada Louraci Atayde Corrêa, 83 anos.
Foto: Juliano Piasentin/ GES-Especial
A necessidade de desocupação ocorre para dar continuidade à Rua Elvira Maria da Conceição, que atualmente termina em três imóveis da Athanásio (incluindo o de Louraci).
Três famílias já fecharam o contrato para desocupação e buscam um novo imóvel regularizado que será alugado. Na última terça-feira (25), durante almoço da Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACI), o prefeito Gustavo Finck (PP) havia dito que 9 famílias entre as 10 envolvidas nas desocupações já estavam com a situação resolvida.
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No entanto, segundo a Prefeitura, os imóveis situados na Athanásio Becker e que deverão dar lugar a continuidade das ruas Arno Adalberto Bohn e Adolfo Henrique Streb, não precisam ser desocupados agora. “Não há urgência nesse caso, pois esses acessos só serão necessários na fase final da construção das unidades habitacionais.”
Com o prazo para mudança até o dia 30 de abril, Louraci diz que já está preparada. “Pretendo me mudar antes. Já quero começar a arrumar minhas coisas, encaixotar as louças.”
“A concretização destes acordos reitera o compromisso que assumimos com essas e outras famílias, que faríamos as remoções com diálogo e sem desassistir ninguém”, afirma Finck.
O Executivo garante que, acompanhado da Defensoria Pública, está conduzindo o processo de forma consensual, por meio de acordos com os moradores.
Mudança para melhor
Essa será apenas a segunda mudança de Dona Louraci. A primeira foi há cerca de 43 anos, quando saiu de Sapiranga para morar em Novo Hamburgo. “Faz muito tempo que não faço nenhuma mudança, me assustei um pouco.”
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Louraci inclusive já achou um imóvel de sua preferência. “É aqui no bairro mesmo [Canudos], pertinho. Agora estão pintando e reformando a parte de dentro”, diz a idosa.
A aposentada ainda brincou com a situação. “Agora vou mudar para melhor, está dando tudo certo. Vou ter apenas a lembrança da minha casinha cheia de cupim”, ri, explicando que a nova residência será de alvenaria. “É pequena, mas bem ajeitadinha.”
“Estou tranquila”
No dia 25 de fevereiro a idosa foi surpreendida pelos fiscais da Prefeitura, que chegaram sem avisar no endereço localizado na Rua Athanásio Becker, bairro Canudos.
“Perguntaram se eu era a dona da casa. Aí eles falaram que eu tinha 30 dias pra sair”, lembra. Na notificação entregue pelos fiscais constava que o terreno onde ela mora seria uma área pública destinada à abertura de uma rua.
Daquele dia em diante diversas versões foram citadas. Na época, a Prefeitura se manifestou afirmando que “não prometeu ou sequer sugeriu demolir o imóvel no qual uma idosa de 83 anos reside.” Ainda assim, Dona Louraci afirmou que sequer conseguia dormir. “Parecia que o trator já estava arrancando tudo aqui na frente. Era um pesadelo, agora me acalmei e melhorei.”
Foto: Juliano Piasentin/ GES-Especial
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Segundo a aposentada, o motivo da melhora foi a solução encontrada para o problema. “Vou receber um aluguel social e conseguir alugar uma casinha.”