Homem preso injustamente por um mês envia bilhete para família após 15 dias na cadeia: ‘Arrume um advogado. Não devo nada’


O juiz, de Mato Grosso, constatou que houve erro no mandado de prisão. Darci Rodrigues de Lima não se esquece do que passou durante 31 dias. Homem fica preso por engano durante um mês, no Paraná
No Paraná, um cidadão passou um mês inteiro preso por engano.
O nome era o mesmo: Darci Rodrigues de Lima. Mas o Darci, que trabalha capinando terrenos, foi preso sem ter cometido o crime. Ele estava na rodoviária de Prudentópolis, no dia 26 de fevereiro, quando policiais militares o abordaram. Ao verificar o nome dele e dados como data de nascimento e filiação, o PM descobriu um mandado de prisão em aberto.
“Eu falei: ‘Meu Deus do céu!’. Ele falou: ‘Não, está aqui. Darci Rodrigues de Lima, tem homicídio e tem tráfico de drogas lá no Mato Grosso’. Só ouvi falar em Mato Grosso, mas não conheço nada”, conta Darci Rodrigues de Lima.
Darci foi levado para a delegacia e, depois, para a cadeia pública da cidade. Ele não se lembrava do telefone dos filhos. Só conseguiu contato com a família 15 dias depois, quando escreveu um bilhete que foi levado pela mulher de um dos presos. A mensagem dizia:
“Filha, peço um favor de coração, para você arrumar um advogado. Eu não devo nada, você sabe disso”.
“Ficar lá inocente, cumprindo pena de uma outra pessoa é bem difícil, né? E saber que é um lugar bem difícil para se estar e ficar”, diz Agnes Rodrigues, filha de Darci.
O advogado Leonardo Alessi soube do caso e decidiu acessar o processo. Ele descobriu que a falha tinha sido do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
“A ação penal inicialmente foi proposta em face de um Darci, com CPF, naturalidade, filiação totalmente distintos do Darci que estava preso. Nós chegamos à conclusão de que se tratava da pessoa errada”, conta Alessi.
Segundo o advogado, Darci não passou por audiência de custódia, o que contraria uma determinação do STF de 2020. A defesa entrou com pedido de habeas corpus que foi atendido um dia depois, em 28 de março. O juiz, de Mato Grosso, constatou que houve erro no mandado de prisão.
Agora em casa e com a família, Darci está aliviado. Mas não se esquece do que passou durante 31 dias.
“Pensa em um sofrimento. E a gente nunca passou por essa: dormir tudo empilhado, um por cima do outro, é uma tristeza. Tristeza mesmo”, conta Darci Rodrigues de Lima.
O Jornal Nacional questionou o Tribunal de Justiça do Paraná sobre a falta de audiência de custódia, mas não recebeu resposta. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso não se manifestou sobre a falha na inserção dos dados.
Darci Rodrigues de Lima foi preso injustamente
Reprodução/TV Globo
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