São Paulo — O Conselho Universitário da Unicamp (Consu) aprovou de forma unânime, na tarde desta terça-feira (1°/4), a instituição do sistema de cotas para pessoas que se autodeclaram trans, travestis ou não-binárias, na universidade. A Unicamp é a primeira estadual a adotar o modelo de ingresso no estado de São Paulo.
Segundo a instituição de ensino, as vagas serão disponibilizadas no edital Enem-Unicamp e vão permitir a participação tanto de candidatos de escolas públicas quanto privadas.
Ainda de acordo com a Unicamp, o modelo aprovado pelo Consu prevê que os cursos com até 30 vagas regulares serão obrigados a ofertar pelo menos uma posição, regular ou adicional, para essa população. A modalidade ficará a critério da unidade. Não haverá necessidade de preenchimento obrigatório no caso de vaga extra.
Já em cursos com 30 vagas ou mais, serão destinadas duas vagas – regulares ou adicionais – para aqueles se que se identificaram como parte da comunidade referida. Quando não forem adicionais, essas vagas serão subtraídas outras de ampla concorrência, existentes no sistema Enem-Unicamp.
O modelo ainda destinará metade das vagas para aqueles que atenderem aos critérios das cotas para pretos, pardos e indígenas (PPI).
O processo da seleção de candidatos funcionária em um modelo parecido com o já existente nas cotas raciais. Os candidatos farão uma autodeclaração na inscrição. Além disso, haverá uma exigência de um relato de vida, modelo já utilizado em outras instituições de ensino superior. O relato será submetido a uma comissão de verificação.
Segundo informações da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest), no vestibular de 2025 da Unicamp, 279 candidatos se inscreveram com o nome social, 40 deles foram convocados. Ainda de acordo com a comissão, os cursos mais procurados foram artes visuais, ciências biológicas e medicina.
O novo modelo é fruto de uma articulação entre movimentos sociais da universidade como o Ateliê TransMoras e o núcleo de Consciência Trans (NCT), discentes da Unicamp e a Reitoria, a partir de um acordo firmado na greve discente de 2023.
“Trata-se de mais um momento histórico para nossa Universidade”, disse o professor José Alves Neto, coordenador da Comvest e integrante do grupo de trabalho que formulou a proposta. Segundo ele, dos 15 membros do grupo, sete se definem como trans.
O grupo também acredita que o modelo se alinha às políticas afirmativas implementadas pela universidade nos últimos anos e a ação se justifica a partir dos dados relacionados à exclusão de pessoas trans do ensino superior.
Apesar da Unicamp ser a primeira estadual a aderir a cota trans, outras 13 universidades federais ou estaduais espalhadas para o Brasil já contam com esse tipo de sistema de acesso à graduação.