Escola realiza semana de atividades para conscientizar alunos sobre o autismo

Dos 900 alunos matriculados na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Castro Alves, no bairro Vicentina, em São Leopoldo, 42 têm alguma necessidade educacional específica. Destes, 21 são diagnosticados com o espectro autista. Buscando melhor acolher a este público que a cada ano aumenta na instituição, professores e a equipe diretiva aproveitaram o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado nesta quarta-feira (2), para promover uma semana de atividades especiais, envolvendo todos os estudantes desde a Educação Infantil até a EJA.

A diretora da escola, Andreia Vilanova de Vilanova e a professora da Atenção Educacional Especializada (AEE), Liege Paula Gonçalves



A diretora da escola, Andreia Vilanova de Vilanova e a professora da Atenção Educacional Especializada (AEE), Liege Paula Gonçalves

Foto: Renata Strapazzon/GES-Especial

Cine debate, contação de histórias, jogos e brincadeiras foram algumas das ações desenvolvidas para tratar sobre o tema de forma leve e descontraída. A iniciativa, que teve início na última segunda-feira (31), seguirá ocorrendo até sexta (4).

CLIQUE AQUI PARA FAZER PARTE DA COMUNIDADE DO JORNAL VS NO WHATSAPP

“Acreditamos que para haver inclusão, de fato, tem que ter conhecimento, pois somente o conhecimento é capaz de gerar empatia”, comenta a diretora da escola, Andreia Vilanova de Vilanova. Professora da Atenção Educacional Especializada (AEE) na escola, Liege Paula Gonçalves, destaca que o debate é realizado na instituição o ano todo, visando acabar com o preconceito. “Só temos preconceito daquilo que não conhecemos”, diz.

Segundo ela, na escola há, também, um trabalho voltado para os pais de crianças especiais. “Muitos receberam o diagnóstico recentemente e estão confusos. Em encontros de pais, que realizamos no vespertino, há uma troca de experiências, um espaço para escutá-los e para que eles conheçam como é o atendimento na escola. Acredito que família, escola e terapia atuam juntas para melhor integrar as crianças”, destaca.

LEIA TAMBÉM: Substituição para rede subterrânea avança na revitalização da Rua Independência

Entre os alunos autistas da escola, está a estudante do 9º ano Mariane Silveira Brandão, 14 anos. À tarde, no contraturno escolar, Mariane é estagiária do programa Menor Aprendiz, no educandário, e trabalha realizando atividades na Secretaria. Durante a programação da semana especial, Mariane palestrou para os colegas, dando seu relato pessoal sobre como é conviver com o autismo.

Mariane Silveira Brandão com a professora Liege Paula Gonçalves, que foi retratada em um desenho feito pela adolescente



Mariane Silveira Brandão com a professora Liege Paula Gonçalves, que foi retratada em um desenho feito pela adolescente

Foto: Renata Strapazzon/GES-Especial

“Eu adorei contar a minha história. Fico triste quando alguém fala frases do tipo ‘parece um autista’ como se fosse algo ofensivo para atingir a outra pessoa, me sinto muito mal quando isso acontece”, conta. Com habilidade para desenhar, Mariane faz croquis de pessoas conhecidas, como a professora Liege. “Gosto de desenhar na aula, tenho muita facilidade. Na faculdade pretendo cursar Moda”, planeja.

Autista não verbal de nível 3, Guilherme Silveira Frohlich, 7, conta com o apoio de Gustavo Furquim da Silva para realizar as atividades na escola, onde estuda desde o ano passado. Como gosta de se embalar em rede, uma foi instalada na sala de aula e outra no pátio, proporcionando mais conforto ao menino.

VIU ESTA?: Homem que se passava por criança para atrair vítimas em redes sociais gravou estupro de menina de 13 anos, diz Polícia

Mãe de Guilherme, a dona de casa Sintia Marques da Silveira, 38, se diz feliz com o tratamento recebido pelo caçula na escola. “Eu me sinto segura em deixar ele aqui. A gente vive um dia de cada vez. Alguns ele quer muito vir para a aula, em outro não”, conta. Segundo ela, o menino fica na escola pelo período de duas horas.

Para Sintia, ações como a semana de conscientização realizada no local ajudam a quebrar tabus. “Eu mesma não sabia nada sobre o autismo até ter um filho assim. A gente sofre tanto preconceito, tanto julgamento”, lamenta ela, que destaca que recebeu o diagnóstico do filho quando ele tinha dois anos e meio.

 

 

 

Adicionar aos favoritos o Link permanente.